2 de setembro de 2019

O fico de Everton e o equilíbrio financeiro do Grêmio

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Numa eterna luta para manter as contas em dia, o Fluminense acabou de vender o centroavante Pedro à Fiorentina, da Itália. Fica com mais ou menos 8 milhões de euros e um percentual numa eventual próxima negociação do jogador. O clube carioca perde seu grande jogador para o restante da temporada e nem mesmo poderá usar o dinheiro recebido para se reforçar. Em crise financeira, o Flu foi obrigado a aceitar uma proposta longe do ideal, ficando refém de sua própria incompetência administrativa. 

Everton em ação contra o São Paulo. (FOTO: Léo Pinheiro/Grêmio FBPA)
De modo geral, um dos grandes debates acerca do nível baixo do futebol brasileiro é em relação ao nosso potencial financeiro pra manter grandes nomes aqui. Nossos clubes vivem de migalhas, de vender grandes jogadores pra conseguir pagar uma folha salarial de veteranos caros. É um ciclo, na maioria dos clubes. Mas alguns conseguiram fugir dessa realidade, embora ainda seja a tendência a venda dos melhores jogadores para a Europa ou Oriente Médio. 

O Grêmio é uma dessas exceções. Romildo Bolzan Jr. conseguiu reverter o quadro apocalíptico de 2015 e hoje o clube gaúcho é um exemplo de equilíbrio financeiro e gestão no país. Deixou de vender jogadores nesse período? Nunca, mas foi pouco a pouco conseguindo vender melhor e segurar mais os jogadores provenientes das categorias de base. Com a diminuição das dívidas mais urgentes, o clube é um dos poucos que pode se dar ao luxo de realmente estudar situações que envolvam saídas de jogadores. Outrora grande destaque do time, Luan ficou. Everton Cebolinha, o grande jogador do futebol brasileiro na atualidade, segue o mesmo rumo com o iminente fim de janela europeia. 

O projeto gremista é sólido o suficiente pra poder se dar ao luxo de recusar mais de 40 milhões de euros por um jogador, caso da oferta chinesa recusada por Everton. Não há desespero, o clube não precisa de uma venda ao fim da janela pra conseguir se manter até o final do ano. É o famigerado planejamento. Construiu sua situação atual tendo que sacrificar competitividade no primeiro ano da gestão, mas que certamente foi a base para os anos dourados que o clube vive. 

O fico do Everton é muito representativo. Além da questão financeira, que é de suma importância, há também o fator esportivo: o Grêmio é, hoje, um clube sólido, regular e está ano após ano disputando títulos, que é um fator essencial para a manutenção de jogadores. No início do ano, vendeu o meia-atacante Tetê, que jamais havia jogado profissionalmente, e já chegou ao valor estimado em transferências de jogadores pra temporada. Ou seja, o clube pode OPTAR por vender outros jogadores ou não, mas simultaneamente cria um contexto onde jogadores querem ficar e buscar títulos. Romildo Bolzan resgatou algo que o Grêmio pouco viu nas últimas duas décadas: liberdade e saúde financeira. 

''Ah, mas vai vender como se estão pedindo um valor maior do que o jogador vale?''. A pedida do Grêmio realmente é incompatível com o valor de mercado do jogador, mas aí é que está o ponto: quem tem interesse do contar com o jogador que negocie, que busque recursos para tirá-lo do Grêmio. Por parte do Tricolor, não há a menor necessidade de negociar o jogador nesse momento. Ou seja, pode barganhar o máximo possível e, em alguns casos, como esse, seguir com o jogador no clube. 

Claro que a tendência é que o Everton seja vendido em uma das duas próximas janelas, ainda é a realidade dos clubes brasileiros, mas conseguir manter esse jogador, com o destaque até internacional que já possui, é um feito e tanto da gestão gremista. Um processo de quatro anos que colhe frutos hoje em dia e seguirá colhendo. 

Por Nicolas Müller - @_nicolasmuller 




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