12 de julho de 2019

Qual a posição do Diego Tardelli?

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Contrariando completamente sua política de contratações dos últimos três anos, o Grêmio foi à China convencer Diego Tardelli a defender o azul, o preto e o branco. O modelo do clube, sua saúde financeira e o momento esportivo indicavam que uma adição dessa envergadura não atrapalharia futuras negociações. Mas os problemas físicos e táticos, aliados ao grande custo, transformaram a contratação em, até agora, uma grande frustração.

Flop. (Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)
À época da contratação, o que foi amplamente noticiado era que o jogador era um pedido de Renato, que não conseguiu fisgar Thiago Neves e via como importante a adição de um jogador experiente e que fizesse gols ao elenco. A torcida foi na onda, não é todo dia que se tem a chance de contratar um jogador desse nível. Mas algumas dúvidas pairavam no ar em meio a empolgação: até que ponto é responsável dar um contrato de três anos para um jogador já de trinta e quatro anos e, principalmente, qual o encaixe do jogador no time e sua condição física depois de anos no futebol chinês?

O encaixe esperado (por mim) era como um centroavante móvel, já que, como ponta, teria muito desgaste físico. Mas sua trajetória iniciou jogando justamente como ponta, geralmente pela esquerda. Não foi mal. Fez jogadas empolgantes em alguns momentos do Gauchão. Mas não passou disso. O período de treinamento na pausa da Copa América gerou novamente a discussão: onde joga Diego Tardelli? Renato testou centralizado na linha de três meias, atrás do falso nove Luan. Mas, segundo o próprio treinador, não deu certo.

Tardelli é um jogador que se espera muito por ser o mais caro do elenco e por ter o nome que tem, mas onde joga? Noticiada sua intenção de não jogar como centroavante, logo após surge a notícia da intenção da comissão de não utilizá-lo mais como ponta justamente pela idade avançada. O único posto que sobra é de meia centralizado na linha de três, onde Jean Pyerre (um dos melhores gremistas no ano) e Luan disputam posição. Sem Everton, que provavelmente será vendido, Tardelli, Luan e Jean Pyerre são os três melhores jogadores ofensivos da equipe. E só um pode jogar?

No mundo ideal (adoro essa expressão), eu concordaria em deixar jogadores como Luan e Tardelli no banco em prol de um melhor funcionamento da equipe, a questão aqui é que o Grêmio gastou um bom dinheiro (e vai continuar gastando, já que o contrato tem três anos) no Tardelli pra, em seis meses, descobrirmos que ele não encaixa no time titular.

Pra piorar, o time não tem jogado bem há muito tempo. O ataque, baseado em envolver o adversário com passes curtos e rápidos, não funciona direito há meses. André e Vizeu não fazem um bom ano, mas não vão fazer nenhum milagre jogando em um time que NÃO CRIA chances de gol com regularidade. Se formos pegar os últimos jogos da equipe, todos os gols saem de um brilho individual, seja de Jean Pyerre, seja de Everton. Ou de ambos. Era esperado que, em meio a Copa América, Tardelli surgisse como opção na referência pra tentarmos gerar um ataque mais fluído como outrora tivemos. Mas por opção dele e do Renato, provavelmente não veremos isso acontecer.

Por fim, a sensação que passa é que o jogador foi contratado pelo nome. Todos sabemos quem é Diego Tardelli e como jogava nos tempos de Galo, seu inegável talento com a bola. Mas e o atual Tardelli? Sabíamos? Pelo andar desses seis meses desde sua contratação, parece que não. Mesmo sendo talentosíssimo ainda, vai sucumbindo pela falta de planejamento gremista.

Por Nicolas Müller - @_nicolasmuller


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