30 de julho de 2019

O difícil encaixe de Diego Tardelli no Grêmio

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Quem parou seus afazeres para assistir a CSA-Grêmio pelo fechamento da rodada foi vitimado por um jogo muito, mas muito ruim, dentre tantos desse Brasileirão. Mas o jogo contou com a presença de Diego Tardelli e Luan juntos pelo lado gremista, uma dupla sob qual recai muita expectativa, desde a direção até a torcida.

Tardelli em ação contra o CSA. (FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA)
Tardelli não teve um bom primeiro semestre de 2019. É um fato. Ainda teve a polemiquinha que até envolveu uma coletiva pesada de Romildo Bolzan, mas o gol no primeiro embate contra o Libertad, pelas oitavas da Libertadores, parecia ter dado uma nova vida ao atacante no Grêmio. Mas o seu jogo ruim contra o CSA, embora com time todo reserva, serviu para nos alertar novamente sobre o encaixe de Diego Tardelli no time titular. Tecnicamente não há dúvidas que o careca é milhões de vezes melhor que o seu companheiro de vestiário André Felipe. Até acho que deveríamos jogar um, dois jogos com Tardelli como 9 titular e ver no que dá, porque, afinal, futebol não é uma ciência exata e geralmente estamos todos errados nas nossas teses. Foi o que defendi no meu Twitter, inclusive.

Porém, a questão que me motivou a escrever foi a nossa falta de profundidade contra o CSA. Tínhamos dois jogadores móveis - Luan e Tardelli - que saíam a todo momento de suas ''posições'', buscando se aproximar da zona da bola. O nosso ex-Rey da América até iniciou o jogo um pouco mais adiantado, mas com o passar dos minutos foi buscando mais a zona central do campo, onde é seu habitat. Tardelli, porém, em raríssimos momentos foi a nossa referência. Tanto é que obteve só uma finalização - pra fora - nos seus 84 minutos em campo.

Mapa de posicionamento do Diego Tardelli. (SOFASCORE)
Seguidamente falam sobre o gosto do Renato por um centroavante de referência. Foi campeão da Copa do Brasil com Luan de falso nove, mas no ano seguinte já buscou, muito acertadamente, Lucas Barrios. Depois consagrou o limitadíssimo Jael. Não é simples gosto por esse tipo de jogador. Ter um centroavante de referência dá a profundidade que o time precisa para ter espaço pra criar. Jael, embora seja um jogador tecnicamente muito aquém, foi muito importante gerando essa profundidade, jogando a linha defensiva adversária pra trás e provendo alguns pivôs, que passaram a ser cada vez mais explorados pela equipe.

Mas voltemos à realidade, não farão eu sentir saudade do Cruel. O grande 'mérito' do André é ser um jogador com essa característica de referência. Ele empurra o time adversário e libera espaço para os pontas centralizarem e, consequentemente, o corredor para os laterais ultrapassarem. Uma movimentação do atacante que acarreta no funcionamento do time como um todo. Entretanto, erra muito nos pivôs, nos passes e não tem presença de área.

Pensar um time de futebol é estar eternamente com um cobertor curto. Não dá para ter a equipe perfeita, só optar por deixar os pés ou a cabeça de fora. Optar por qualidade em detrimento da característica. Sabe aquele ponta ruim que joga por recompor com eficiência e auxiliar a marcação? Talvez seja o maior exemplo de como os treinadores às vezes abrem mão do talento em prol do funcionamento da equipe. Não quer dizer que esteja errado, é só uma escolha.

Trazer Tardelli ao time titular tem o bônus de ser um jogador com uma qualidade muito maior de drible, finalização e passe, mas também tem o ônus de termos que adaptar nosso estilo de jogo moldado para um outro tipo de característica. Tenho claro que Diego não foi trazido para ser um 9, mas a sua incapacidade física de recompor com vitalidade o impede de jogar de extremo.

Provavelmente Tardelli renderia bastante no Grêmio do início do ano passado, por exemplo. Era um time cômodo com a bola nos pés, tinha muita mobilidade e jogadores atacando o espaço a todo momento. No Grêmio de 2019, que tem dificuldade para criar situações de gol e depende muito do Cebolinha, só o tempo dirá se o Tardelli conseguirá se adequar. Ou se o Renato fará mudanças por ele.

Por Nicolas Müller - @_nicolasmuller

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