9 de julho de 2019

A aposta no falso nove Luan

Compartilhe nas redes sociais

Reacendendo o fogo da nostalgia, Renato testou no período de treinamentos que conseguiu durante a Copa América a volta de Luan Guilherme ao time. Não como meia-atacante, posição onde se consagrou como Rey da América, mas como falso nove, função que desempenhou com extrema maestria na sua chegada ao clube em 2013, ainda no Sub-20, e em 2015 e 2016, em temporadas de extremo protagonismo e crescimento técnico.

Que homem. (FOTO: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)
Trazer a função de volta pode buscar também AQUELE Luan, jogador de extrema inteligência nas movimentações e capaz de bagunçar defesas adversárias até mesmo sem pegar na bola. Mas, claro, o futebol é um jogo de onze jogadores e uma função complexa como o falso nove exige uma organização diferente ao redor. O '9' sai da referência e gera espaço, mas quem ocupa esse espaço?

Pedro Rocha era um exímio aproveitador desse espaço gerado pela movimentação do Luan lá por 2016, assim como Douglas, o meia centralizado que, em tese, ficava atrás do centroavante Luan. Pedro e Douglas entravam na área pra finalizar ao mesmo tempo que ajudavam na criação das jogadas. Com entrosamento e intensidade deu super certo e aquele time foi campeão e também foi a base para as conquistas subsequentes.

Trazendo o debate pro presente momento, é necessário enxergar as diferenças do atual elenco do Grêmio. Como tenho dito no Twitter há algum tempo, o Jean Pyerre ainda não é um jogador de presença na área, é muito mais um jogador de construção do que finalização. Ao mesmo passo que tem a 'pifada' como principal característica, é um jogador bem diferente do Douglas, por exemplo, que se adaptou (muito pelo físico desgastado) a ser quase um segundo atacante, pisando muito na área e fazendo gols.

Mesmo sendo o grande destaque do time nos jogos pré-Copa América, Jean ficou fora do time titular em alguns treinamentos, com Diego Tardelli e Luan fazendo a dupla pelo meio. Tardelli é um jogador mais presente na zona de finalização, está mais acostumado a estar perto ou dentro da área. Ou seja, pode muito bem compensar a movimentação do Luan, que tende a flutuar bastante e sair da posição de referência.

Um time que se utiliza bastante desse tipo de movimentação é o Liverpool, onde o Firmino atua quase como um falso nove e o ponta Mo Salah centraliza bastante. Em alguns jogos da Seleção também dá pra notar o Gabriel Jesus compensando a movimentação do Firmino, que flutua bastante tanto nos Reds, quanto na Seleção.

Com a iminente saída do Cebolinha, talvez a grande aposta para reunir os melhores jogadores do elenco no time titular seja colocar o Diego Tardelli como ponta-esquerda, mas com a missão, também, de dar profundidade e poder de finalização. E, claro, o Jean Pyerre precisa pisar mais na área. O maior problema de ter esse trio unido no time titular é a recomposição defensiva, onde não vejo nenhum capaz de fazer o trabalho sujo com a eficiência que o Everton fazia.

Não sei se foram apenas testes ou se a ideia do Renato é realmente ignorar um pouco o jogo com pivô, uma das marcas do primeiro semestre da equipe. De qualquer forma, o Grêmio é um time que precisa de novidades pra segunda parte da temporada. Seja aumentando o grau de eficiência do atual plano tático ou mudando algumas características do nosso estilo de jogo. O fato é que Luan Guilherme de falso nove devolve, no fundo, um pouco de esperança ao torcedor gremista.

Por Nicolas Müller (@_nicolasmuller)

Deixe um comentário

Todos os comentários postados são de responsabilidade de seus autores. É necessário estar logado no facebook para comentar.

 

Bem-vindo ao Linha Alta. Site com conteúdo futebolístico.

© Linha Alta 2016

Edited by Douglas Menezes