9 de outubro de 2018

O meio-campo do Grêmio requer dinamismo

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O frustrante empate diante do Bahia, no sábado, novamente espalhou um ar de desconfiança em cima da dupla de volantes do time titular gremista, que conta com os veteranos Maicon e Cícero. Em uma partida em que o Grêmio enfrentou uma grande dificuldade não só para criar, mas também para defender-se dos contra-ataques do Bahia, geralmente liderados pelo ótimo Zé Rafael, ficou evidente, ao menos para este que vos escreve, que falta dinamismo ao meio-campo gremista quando jogam Maicon e Cícero.

Matheus Henrique em ação contra o Paraná Clube pelo Brasileirão (FOTO: LUCAS UEBEL/GRÊMIO FBPA)
Para contextualizar, é necessário entender o estilo de jogo gremista. A busca pela posse e pelo domínio das ações é obrigatoriamente acompanhada por intensa movimentação e participação dos homens de meio-campo. Estilo que o clube carrega desde 2015, quando o próprio Maicon chegou e tomou conta da posição, sendo um ''maestro'' atrás da linha de meias. Com a presença constante no campo adversário, jogamos extremamente expostos (até por isso Kannemann e Geromel são tão exaltados, porque conseguem brilhar mesmo assim). Aí entra a questão da recomposição, da velocidade e agilidade para impedir contra-ataques adversários, que Maicon e Cícero comprovadamente não possuem.

Walace era o fiel da balança em 2015 e 2016, função repassada para Michel, Jailson e, até certo ponto, Arthur de 2017 para cá. Todos jogadores dinâmicos, com capacidade para marcar presença ofensivamente e estar aptos para defender um contra-ataque. Sem esse dinamismo, o Grêmio sofre. Geromel e Kannemann jogam ainda mais expostos quando a equipe tem a bola e até mesmo quando o time não está com a bola e precisa se defender, Maicon e Cícero falham na marcação por não serem jogadores de grande qualidade nesse quesito.

A dupla está longe de dever tecnicamente, mas tanto Maicon quanto Cícero nunca foram grandes marcadores e fisicamente estão em evidente declínio, o que torna a tarefa de recompor com velocidade um parto. Obviamente não é o único problema do time, mas eu gostaria de ver Matheus Henrique e Thaciano recebendo os minutos que Cícero recebe, por exemplo. São jogadores bem mais jovens e no auge físico, que conseguem empregar intensidade e também mantêm a qualidade técnica para armar o time. Matheus em um perfil mais 'Arthur', muita técnica e qualidade no passe, já Thaciano entregando maior vitalidade e capacidade de infiltração. 

Ambos, hoje, considero opções melhores para o posto ao lado de Maicon, que precisa ser titular. Outro bom candidato é Ramiro, que vê Alisson, concorrente de posição, ser um dos principais jogadores do Grêmio desde que voltou da lesão que sofreu no meio do ano. Ramiro conhece a posição, tem o dinamismo necessário para equilibrar com Maicon e vive fase horrível no lado direito da linha de três meias, então seria um bom teste, já que agrega ainda a experiência internacional que Thaciano e Matheus Henrique não possuem. 

O Grêmio da posse, da movimentação, das infiltrações, do jogo apoiado e do brilhantismo é, sobretudo, o Grêmio da intensidade, do dinamismo e da versatilidade. Creio que a vaga na final da Libertadores estará um pouco mais longe se Cícero e Maicon jogarem juntos versus um movediço e chatíssimo time do River Plate no Monumental de Nuñez. Grande parte da torcida, inclusive, já pede Matheus Henrique no time. Talvez seja a hora de ouvir a torcida, Renato. 

@_nicolasmuller

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