22 de janeiro de 2018

A gurizada gremista e a importância de conceitos nas categorias de base

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Com as primeiras rodadas do Gauchão já no meio de janeiro (um absurdo desses, bicho!), a gurizada tricolor teve que assumir. Dois jogos, um empate e uma derrota. Decepcionante? Muito pelo contrário. O volante Matheus Henrique teve lapsos de Arthur, o ponta Pepê melhora a cada partida e o meia Lima, voltando de empréstimo, é comprovadamente um jogador útil ao elenco titular. Mesmo com resultados ruins, a balança é positiva: o conceito não é ganhar, é dar espaço para a evolução desses jogadores. 

Matheus Henrique comemora seu segundo gol no Gauchão. (FOTO: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)
E quem assistiu aos jogos notou que coletivamente a equipe TENTA reproduzir o modelo de jogo da equipe principal. O esquema é diferente (4-1-4-1), as características dos jogadores também não são semelhantes e a execução deixa a desejar. Mas TENTAR é o ponto. Não adianta jogar de um jeito A se o time titular joga de um jeito B. Talvez jogar no contra-ataque fosse o melhor para conseguir resultados, mas não é isso que queremos. Queremos jogadores que consigam lidar com pouco espaço e tempo, que sejam pró-ativos na sua movimentação, que lidem bem com um modelo de jogo ofensivo. E jogadores como Lima, Jean Pyerre, Matheus Henrique, Isaque, Pepê, Guilherme Guedes, Patrick e Dionathã são resultado de um árduo processo de lapidação. Nenhum deles é um jogador rígido e ninguém chegou ao profissional perdido e sem saber o que fazer. Chegaram, adaptaram algumas coisas e já mostraram utilidade. Se darão certo a longo prazo é outra história, futebol tem um milhão de variáveis diferentes, mas é prazeroso ver como o Grêmio consegue trabalhar bem suas categorias de base depois de muitos anos priorizando resultados e vitórias vazias.  

Não sei o que colocaram na nossa água, mas o Brasil é um celeiro incrível de jogadores mesmo apresentando grandes debilidades na formação de atletas. Não importa o quão mal gerida seja, sua base provavelmente te renderá alguns meninos de ouro ano vai e ano vem, já que talento definitivamente não nos falta. Mas quando sabemos o que estamos fazendo, o processo fica mais cômodo e conseguimos não só salvar o craque, mas também o lateral que pode ser útil, o velocista que, mesmo com problemas, pode gerar uma boa receita, o zagueiro que pode se tornar um bom reserva e por aí vai. Isso acontece quando sua base tem conceito e é bem administrada. 

Projetos a longo prazo, investimento pesado na prospecção, melhorias em infraestrutura, conceitos esportivos adaptados ao futebol de hoje e cautela pra não jogar todo o processo fora por alguns jogos ruins. O Grêmio, atual campeão da América, é referência nesse sentido. Projetou o que gostaria que suas categorias de base se tornassem, investiu nisso, já colheu alguns frutos e mesmo com o ápice esportivo continua na mesma toada. Como disse no início do texto, aqui é normal surgir um Luan Guilherme do nada. Há talento em todo canto. Mas competência e planejamento fazem com que esse Luan seja acompanhado por um Walace, um Pedro Rocha, um Arthur e um Éverton. 

E mesmo com um bom trabalho de integração ao profissional nenhum deles teve adaptação fácil ao profissional. Arthur apareceu em 2015 e só foi aparecer de novo em 2017, Pedro Rocha e Éverton sofreram muitas críticas no início, Luan e Walace iniciaram muito bem e depois foram ao banco de reservas até reassumirem um posto no time titular e protagonismo. Percebem o quão dificultoso é concluir o processo? Aí entra a cautela pra não jogar tudo fora. E, creio, a torcida gremista evoluiu nesse aspecto. Com todos andando na mesma linha (direção, comissão técnica, atletas e torcida) fica bem mais fácil para tudo dar certo, né? É por essas e outras que o presente e o futuro do clube são vistos com ótimos olhos. Falta dinheiro? Às vezes. Mas competência e fé no trabalho nunca. 

Texto de @_nicolasmuller
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