25 de novembro de 2017

Os detalhes táticos do louco empate entre Borussia e Schalke

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Considerado o maior clássico do futebol alemão, Borussia Dortmund e Schalke 04 fizeram um jogo histórico neste sábado, em partida válida pela 13ª rodada da Bundesliga. Depois de ter aberto 4x0 no placar, o time da casa viu o maior rival empatar na segunda etapa em um Signal Iduna Park como sempre lotado. Aubameyang, Stambouli(contra), Gotze e Guerreiro anotaram para os anfitriões. Burgstaller, Harit, Caligiuri e o brasileiro Naldo marcaram para os visitantes. O resultado deixa o Schalke na terceira colocação e o Dortmund fica em quarto. O confronto teve muitas variáveis e refletiu de forma praticamente perfeita o momento de cada um deles.
No detalhe, o gol de Naldo aos 48 do segundo tempo. Empate do Schalke dentro do Signal Iduna Park depois de estar perdendo por 4x0
Dortmund e Schalke entraram em campo para fazer um clássico de equipes em momentos bem distintos na temporada. Há um mês sem vencer, a equipe da casa, já eliminada da Champions League com uma rodada de antecedência, apresentou algumas modificações feitas pelo ameaçado técnico Peter Bosz. A principal delas a mudança no desenho tático. Sai o 4-3-3, entra 3-4-1-2. Pulisic atuou na ala direita, Guerreiro na esquerda e Sahin ganhou chance ao lado de Weigl na primeira linha de meio. Toljan não esteve entre os relacionados e Bartra foi barrado. Kagawa foi outro a perder a posição. Yarmolenko ganhou mais liberdade de movimentação e fez dupla de ataque com Aubameyang.
Disposições Táticas iniciais
Já os ''Azuis Reais'' mantiveram a base de dois meses sem derrota. Bentaleb não foi relacionado e Goretzka, ainda longe da forma ideal, ficou no banco. McKennie foi o titular na equipe dirigida pelo jovem Domenico Tedesco. O time tentou novamente utilizar a variação entre o 5-3-2 (momento defensivo) e o 3-4-3(momento ofensivo), a partir da movimentação dos alas e de Konoplyanka, somando-se a Di Santo e Burgstaller na hora de atacar e fechando o centro com Meyer e McKennie na hora de defender.

Os primeiros dez minutos de jogo foram típicos do maior clássico de um país. Muito nervosismo, entradas duras e intensidade altíssima. As duas equipes adotaram a estratégia de subir a marcação e forçar o erro do adversário. Após algumas ligações diretas de parte a parte e a bola sempre muito ''viva'' no campo, o Dortmund foi conseguindo apresentar mais movimentos de apoio na saída de bola e passou a progredir no campo de jogo, sempre com rápidas trocas de passe, muita movimentação e qualidade técnica.

Havia também a estratégia clara de manter sempre a amplitude no lado contrário da jogada e povoar o espaço entre as linhas do Schalke. A equipe visitante, que até o início do jogo tinha a segunda melhor defesa do campeonato, não conseguiu repetir o bom desempenho defensivo de partidas recentes e falhou demais na coordenação de sua linha de meio. Konoplyanka demorava a recompor, McKennie saía muito da linha para pressionar e Meyer não conseguia compensar os espaços. Para completar, a linha defensiva não ''matava'' as lacunas que surgiam e a tragédia estava prestes a acontecer.
Linha de meio do Schalke quebrada e cinco jogadores do Dortmund em superioridade no setor, controlando as ações. O passe encontra Pulisic pela direita, que mantinha a amplitude pelo lado oposto. Esta foi a origem do primeiro gol e principal ferramenta para o massacre do time da casa no 1º tempo
O primeiro gol surgiu da forma mais planejada possível aos 11 minutos. Aproximação por dentro, superioridade numérica no setor e a virada para o 1x1 de Pulisic contra Oczipka. O cruzamento saiu, Sahin desviou e Aubameyang completou com tudo para o fundo das redes. O vice-artilheiro da Bundesliga quase marcou outro em jogada muito parecida dois minutos depois, mas a rede do Schalke voltaria a balançar.
Frame da saída de bola do Dortmund. Equipe mudou o sistema tático e cresceu com uma estratégia bem definida.
Sahin bateu falta lateral e Stambouli marcou contra. O tento abalou demais o Schalke psicologicamente e a equipe, que até continuava buscando o ataque com muita velocidade, se viu na lona ao levar o terceiro aos 20 minutos. Contra-ataque perfeito puxado por Aubameyang e cruzamento certeiro para Gotze marcar de cabeça. Um gol com a cara do Borussia Dortmund e as suas históricas transições ofensivas.O que já estava bom para os fanáticos amarelos ficou ainda melhor aos 24'. Mais uma vez espaço entrelinhas, aproximação e talento de Aubameyang e Gotze, uma linda tabela, e a bola encontrando a finalização perfeita de Raphael Guerreiro.


Domenico Tedesco buscou consertar os problemas. Tirou o apavorado McKennie e o apagado Di Santo para as entradas de Goretzka e Harit. Assumiu de vez o 5-2-3 e passou a ter Konoplyanka e Harit sempre recompondo a linha de meio-campo pelos lados. O Borussia manteve-se com a posse de bola e mais organizado. O ritmo das jogadas, porém, sofreu uma natural queda. O Schalke ainda chegou com perigo no final da primeira etapa, mas não conseguiu diminuir.
Depois do momento de atropelo, Schalke já com as mexidas e sem a variação que o caracteriza.
No intervalo, Tedesco fez sua última substituição. Sacou Kehrer, que escapou por pouco de ser expulso no primeiro tempo, e colocou o sérvio Nastasic. Goretzka quase marcou de cabeça logo aos três minutos do segundo tempo, um prenúncio da loucura que seria a etapa complementar. Quem imaginou um jogo morno se enganou. O Dortmund seguia se lançando à frente, assim como o Schalke em busca da diminuição da goleada. Havia muito espaço e desorganização defensiva nos rivais.

Naldo chegou a marcar de cabeça, mas o gol foi corretamente anulado por impedimento. Aubameyang teve três boas oportunidades em poucos minutos, mas não conseguiu marcar. Algo que Burgstaller fez aos 15 minutos. Após lançamento primoroso de Stambouli, ele aproveitou falhas de posicionamento de Sokratis e Weidenfeller para anotar o primeiro dos visitantes. A defesa do Dortmund voltou a falhar quatro minutos depois. Konoplyanka foi ao fundo e cruzou para Harit marcar.
Origem do primeiro gol do Schalke. Lançamento perfeito de Stambouli e defesa do Dortmund muito mal posicionada, cheia de espaços entre os zagueiros.
As entradas do marroquino e de Goretzka melhoraram muito a produção ofensiva do Schalke. Isto somado a já conhecida debilidade do sistema defensivo do Dortmund e o espírito de luta dos Azuis Reais, recolocou a equipe no jogo. Tentando reorganizar o seu time, Peter Bosz pôs Bartra no lugar de Yarmolenko, Pulisic foi jogar mais à frente.

Para completar o drama dos anfitriões, Aubameyang fez falta desqualificante por trás, recebeu o segundo amarelo e foi mais cedo para chuveiro. No minuto seguinte, Burgstaller quase marca o terceiro do Schalke. Em cabeçada fulminante obrigou Weindefeller a fazer um milagre. Exausto em campo, Gotze saiu para a entrada de Gonzalo Castro.

Em seu primeiro lance no jogo, o camisa 27 do Borussia pisou na panturrilha de Harit e tirou o jovem marroquino de campo por alguns minutos. Como já havia feito as três substituições, Tedesco viu sua equipe também ficar com dez em campo, mas o atleta em ato praticamente heróico voltou. Para fechar ainda mais a defesa, Zagadou entrou no lugar de Guerreiro e Schmelzer voltou ao flanco esquerdo.
Retrato do final do jogo. Dortmund defendendo com oito, tinha nove na linha neste momento, e o Schalke atacando com sete. Loucura total no Signal Iduna Park.
O Schalke não desistia, o Dortmund apenas se defendia, parecia sem forças para buscar os contra-ataques. Aos 40 minutos, Caligiuri tabelou, driblou Zagadou, e fez um golaço de perna esquerda. A equipe visitante estava muito mais inteira em campo e chegou ao histórico empate aos 48 minutos. O brasileiro Naldo ganhou de Zagadou no alto e concretizou o que parecia impossível na primeira etapa.
Como as equipes terminaram
O jogo deixou muito claro duas coisas: a força mental e o poder de organização e superação deste time do Schalke 04, além da total oscilação do Borussia Dortmund em todas as fases da partida, uma equipe que pode ser brilhante quando aciona as suas principais peças em condições favoráveis, mas que é frágil no seu alicerce.



Por Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout

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