29 de novembro de 2017

Inteligente para abrir espaços, Independiente mostra-se letal e está na final da Sulamericana

Compartilhe nas redes sociais

O Independiente venceu o Libertad por 3x1 na noite desta terça-feira atuando em seu estádio, o Libertadores de América, e fará a final da Copa Sulamericana contra o vencedor de Flamengo e Junior Barranquilla. A grande chave para a vitória com gols de Barco e Gigliotti(2) - Lucena descontou - foi a inteligência e a proposta de jogo bem definida para abrir espaços no fechado Libertad. Barco e Meza foram os grandes destaques individuais da vitória construída na primeira etapa. O Rojo busca o seu segundo título de Copa Sulamericana, o 12º no futebol do continente.
Retrato do Independiente para abrir espaços contra o Libertad. Triangulações pelos lados e muita coordenação entre as peças. Qualidade Técnica + Proposta Inteligente
Precisando vencer por dois gols de diferença, o Independiente entrou em campo com uma mexida em relação ao jogo de ida. O extremo Martin Benitez no lugar do volante Domingo. Taticamente voltou a atuar com linha de quatro atrás, o que fez com que Sanchez Miño iniciasse na faixa central do campo. A surpresa foi a escalação de Tagliafico como zagueiro, para dar mais qualidade ao passe inicial, e Gastón Silva como lateral-esquerdo, em tese uma inversão de funções.
Disposições táticas iniciais
O Libertad teve os desfalques importantes de Óscar Cardozo e Bareiro, ambos fora por suspensão. O lateral Alan Benitez foi o escolhido para a vaga de Bareiro e Recalde ficou com o lugar do centroavante. A equipe se defendeu com linha de cinco atrás. Luiz Cardozo fechava como zagueiro e Alan Benitez como ala direito. Já Recalde, com a bola, fechava para se aproximar de Salcedo. Sem ela, voltava recompondo a linha de meio pelo lado direito.
Libertad no momento defensivo. 5-4-1
Como era de se esperar o time da casa tomou a iniciativa da partida. Sempre com a formação de triângulos pelos lados - Gaston Silva, Sanchez Miño e Benítez pela esquerda; Bustos, Meza e Barcos pela direita -, o Rojo buscava abrir o campo com os extremos, ter aproximação para progredir em bloco e encontrar espaços para infiltrações em cima da bem postada, mas lenta defesa paraguaia.

Confira como foi o 1º jogo

Apesar dos conceitos bem claros sendo executados, faltava um pouco mais de calma na entrada do terço final. Praticando o seu jogo reativo, o alvinegro até conseguia nos dez minutos iniciais manter o equilíbrio do jogo e a bola no campo de ataque. Um lance aos 16 minutos, porém, deu a calma que o Independiente precisava. Meza foi esperto e bateu o lateral rapidamente para Burgos invadir a área e ser derrubado por Alcaraz. Com apenas 18 anos, Barco não sentiu a responsabilidade e deslocou o goleiro Muñoz, abrindo o placar.

Time do Independiente disposto em campo no 4-1-4-1. Meza fazendo mais movimentos de infiltração e Sanchez Miño construindo. O triangulo em destaque era sempre formado pelos lados com muita coordenação na movimentação dos envolvidos. Ideia era abrir última linha paraguaia, o que deu certo em alguns momentos
Os visitantes saíram e sofreram um duro golpe dois minutos depois. No primeiro contra-ataque do Independiente, Meza recebeu em profundidade, venceu a marcação de Paulo da Silva e cruzou para a finalização de Gigliotti. O resultado era exagerado pelo o que as equipes apresentavam até o momento, mas a letalidade do Rey de Copas impressionou: duas chances, dois gols.

O resultado mudou um pouco a cara do jogo. Sendo eliminado, o Libertad passou a não se desfazer tão rápido da bola e começou a aproveitar problemas de compactação defensiva do Independiente. O deslocamento da direita para o meio de Recalde confundia Diego Rodriguez e os paraguaios cresceram. Chegaram ao empate em um das formas em que são mais eficazes: a bola aérea. Após jogada ensaiada que contou com as participações de Alcaraz e Medina, Lucena finalizou aos 24 minutos.
Defensivamente o primeiro tempo do Independiente foi bem irregular. Não foram raras as vezes em que havia muito espaço para Rodriguez ocupar no meio. Recalde, em amarelo, saía do lado direito para o centro e o Libertad aproveitava ainda mais com superioridade no setor
O retrato inicial voltou à tona na partida e o Independiente mostrou mais uma vez toda a força de sua proposta ofensiva. Barco deu amplitude, atraiu Alan Benitez, Luiz Cardozo não compensou o espaço e Gastón Silva recebeu em profundidade para bater cruzado e Gilgiotti, mais uma vez em um toque na bola, botar a bola no fundo do barbante. O Libertad ainda chegou com relativo perigo em três oportunidades no primeiro tempo. Novamente se aproveitando do espaçamento defensivo do Rojo, mas os chutes de Medina e Salcedo não entraram.
No detalhe, a origem do terceiro gol. Circulado em vermelho, Gaston Silva se projeta na abertura entre Luiz Cardozo e Alan Benitez, recebe e cruza para o gol de Gigliotti. Independiente teve inteligência para abrir a defesa do Libertad
No segundo tempo, Fernando Jubero voltou a montar o Libertad com duas linhas de quatro nas diferentes fases do jogo. Recalde passou a recompor pela faixa central e Alan Benitez virou extremo pela direita. O visitante não tinha outra alternativa a não ser buscar pelo menos um gol para ir à final. O time vertical e agressivo do jogo de ida voltou a aparecer e antes dos dez minutos criou dois lances de muito perigo. Primeiro com Medina e depois com Salcedo. Construía a sua maneira. Buscando bolas longas e apostando no jogo físico.
Libertad recompondo no 4-4-2 no segundo tempo. Recalde com mais liberdade, circulado em amarelo
Percebendo a necessidade de reforçar o sistema defensivo, Ariel Holan sacou Martin Benitez e colocou o volante Domingo aos 13 minutos. Meza foi jogar na extrema direita, Barco passou para a esquerda e Domingo ficou centralizado à frente da defesa. Logo depois, o Rojo assumiu de vez o jogo de contra-ataque com a entrada do zagueiro Amorebieta no lugar de Diego Rodriguez. Holan voltou a montar sua linha de cinco atrás. Com 1,91 o defensor foi muito importante nas diversas bolas levantadas pelos paraguaios na área anfitriã.
No 2º tempo foi a vez do Independiente se defender no 5-4-1
O Libertad seguiu tentando à sua forma. Tinha mais posse, mas criava muito pouco. O Independiente buscava segurar a bola no ataque quando conseguia retomá-la. Faltando pouco mais de dez minutos para o fim, Jubero sacou Alan Benitez para a entrada do atacante Leiva. Recalde voltou ao lado direito. Ocupando mais o campo de ataque, os alvinegros quase marcaram aos 35', Medina recebeu pela esquerda mas errou o passe na hora do cruzamento. O time da casa respondeu em contra-ataque dois minutos. Barco quase faz uma pintura!
Como as equipes terminaram o jogo
A classificação do Independiente é justa pelo somatório dos 180 minutos. Mostrou mais futebol que o Libertad e muita inteligência coletiva para produzir ofensivamente. Precisa ajustar alguns pontos na parte defensiva para a grande final. Já o Libertad caiu de forma muito digna, dando trabalho e buscando o resultado até o último minuto, mas pesou a falta de repertório ofensivo quando precisou.

Por Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout

Deixe um comentário

Todos os comentários postados são de responsabilidade de seus autores. É necessário estar logado no facebook para comentar.

 

Bem-vindo ao Linha Alta. Site com conteúdo futebolístico.

© Linha Alta 2016

Edited by Douglas Menezes