30 de outubro de 2017

Palmeiras se desorganiza no 2º tempo e Cruzeiro frustra planos de título 'independente'

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Dependendo só de si para chegar ao título do Brasileirão, o Palmeiras parece ter sentido a carga emocional da condição e não conseguiu repetir as boas atuações recentes. Do outro lado, um oponente de nível superior aos dos últimos três jogos. O Cruzeiro estragou a festa da torcida alviverde e empatou com o time paulista por 2x2 dentro do Allianz Parque. Robinho e Juninho, contra, marcaram para os mineiros. Borja, duas vezes, anotou para o time da casa. O resultado faz com que o Palmeiras tenha que vencer o Corinthians na próxima rodada e ainda torça para que o arquirrival faça menos pontos que ele nas últimas seis jornadas. O Cruzeiro se mantém em sexto com 48 pontos.
Palmeiras perdeu organização no segundo tempo e ofereceu muitas situações como esta ao Cruzeiro. Contra-ataque com a última linha desorganizada.
Sem Bruno Henrique suspenso, Jean foi o escolhido para atuar na faixa central ao lado de Tchê Tchê e Moisés. No Cruzeiro, Mano Menezes teve mais problemas para levar a campo o que tem de melhor. Hudson, Alisson, Léo e Sassá não puderam atuar. Lucas Romero atuou como volante ao lado de Henrique e Manoel compôs a zaga ao lado de Murilo. Rafael Marques foi improvisado na referência ofensiva e Arrascaeta entrou na meia central e empurrou Thiago Neves para o lado esquerdo.
Disposição Tática inicial das equipes
O Palmeiras começou marcando de forma bem adiantada, tentando sufocar a saída cruzeirense, mas levou um duro golpe logo aos cinco minutos. A pressão ao portador da bola era irregular e a última linha paulista adiantada era um convite às já conhecidas jogadas de profundidade do Cruzeiro pelo lado esquerdo. Na primeira escapada no setor, gol mineiro! Diogo Barbosa cruzou e Juninho marcou contra.

Nesta imagem vemos a última linha(vermelha) de defesa do Palmeiras bem adiantada, mas o portador da bola(círculo preto) sem a pressão ideal, tem liberdade para executar o passe. Ao mesmo tempo, Thiago Neves(círculo amarelo) abre o 'corredor' para a passagem de Diogo Barbosa. Jogada muito executada pelo Cruzeiro nesta temporada. Lado esquerdo da equipe é muito forte
O gol deixou o time alviverde um pouco nervoso e a equipe demorou para colocar em prática os bons conceitos de futebol ofensivo demonstrados nos últimos três jogos. Insistia em jogadas pela faixa central e utilizava pouco a amplitude, não ''abria'' o campo, sendo presa fácil ao excelente sistema defensivo visitante. Os comandados de Mano Menezes defendendiam-se em organizadas linhas de quatro com compactação e encaixes muito intensos no setor, sem se desorganizar.
Cruzeiro bem postado defensivamente. As setas representam os encaixes de marcação no setor, mas as perseguições são bem curtas, apenas para tirar espaço e pressionar o portador da bola. Time mineiro executou bem ao longo do jogo.
A partir dos 30 minutos o Porco passou a utilizar mais movimentos pelos lados para abrir a defesa celeste. Egídio já havia acertado bom cruzamento para cabeçada de Borja, mas aos 34' o colombiano acertou o alvo. Mais uma boa investida do lateral-esquerdo para receber de Moisés e cruzar no primeiro pau. Dudu tentou de calcanhar, Fabio pegou, e o camisa 9 não perdoou.
Cena comum do primeiro tempo: Palmeiras no campo de ataque disposto desta forma. Durante muito tempo, porém, trabalhou a bola pela região central, usando pouco os lados porque não fazia muitos movimentos para gerar amplitude e abrir a defesa adversária.
Aqui nesta imagem já percebemos a diferença. Egídio fica bem aberto para dar opção da virada de jogo e poder se projetar na hora certa
Os anfitriões poderiam ter ido para o intervalo já com o placar a seu favor, e não é exagero dizer que mereciam. O Cruzeiro não conseguia colocar em prática a segunda parte de sua estratégia, o contra-ataque. Passou os 45 minutos iniciais sem finalizar, quando roubava a bola era dominado pela pressão pós-perda paulista. Até tentou sair depois do empate, mas teve sorte em não levar a virada. Dudu e Keno perderam ótimas chances. Isto para não citar o gol mal anulado por Héber Roberto Lopes aos 39 minutos. Seria o segundo de Borja no jogo.

Na volta do intervalo, mesmo sem promover substituições, Mano alterou o posicionamento de alguns jogadores. Rafael Marques passou a jogar pelo lado esquerdo, e Thiago Neves e Arrascaeta se aproximaram na faixa central. O Cruzeiro cresceu e, mesmo ainda reagindo aos impulsos do Palmeiras, equilibrou o jogo. Em dez minutos chegou com perigo em três oportunidades e obrigou Prass a fazer duas grandes defesas.

O Palmeiras seguia em cima. Na segunda etapa com mais intensidade e valentia do que organização ofensiva. Mesmo assim, Borja e Dudu fizeram Fabio trabalhar para evitar a virada. O Cruzeiro perdeu o bom zagueiro Murilo por lesão e Digão entrou em campo. Rafael Marques também deixou o gramado para a entrada de Robinho.

O ex-meia palmeirense mal botava os pés em campo e já balançava as redes paulistas. Mais exposto e desorganizado, o time da casa deixou sua defesa no mano a mano e o camisa 19 fez um lindo gol após contra-ataque bem trabalhado. Arrascaeta quase fez o terceiro na sequência, Mayke salvou. Alberto Valentim soltou ainda mais a equipe ao colocar Roger Guedes na vaga de Jean e recuar Moisés, Dudu foi jogar na meia central.
Origem do segundo gol do Cruzeiro: última linha do Palmeiras extremamente exposta e Juninho saindo para tentar desarmar. O resultado é a linha 'quebrada' e mano a mano na jogada
O Palmeiras não se entregou, mas seguia faltando a lucidez dos últimos 15 minutos da primeira etapa, sobrava a intensidade e o ''abafa'' tão presentes na ''Era Cuca''. Pouco para bater o organizado Cruzeiro, mas o suficiente para ao menos empatar e fazer mais justiça à história do jogo. Roger Guedes bateu lateral rápido, Dudu foi no fundo e cruzou para Borja marcar o segundo faltando cinco minutos para o fim. O atual campeão brasileiro sufocou na base da imposição, mas não conseguiu a vitória.

Por Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout

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