29 de agosto de 2017

Análise do Equador - O que espera o Brasil nesta semana

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Duas vitórias nos últimos nove jogos oficiais, da primeira a sexta colocação na tabela de classificação das Eliminatórias, queda de rendimento de peças importantes, lesões. Este é o cenário do próximo adversário do Brasil na preparação para a Copa do Mundo da Rússia em junho de 2018. O Linha Alta disseca taticamente mais uma vez o que os comandados de Tite deverão encontrar na seleção do Equador.

Muita coisa mudou desde a estreia do técnico gaúcho contra o mesmo adversário no ano passado. A começar pela própria situação da nossa Seleção. De desacreditado e fora da zona de classificação, o Brasil passou a ser o primeiro a se qualificar e pode garantir o primeiro lugar nas eliminatórias continentais com três rodadas de antecedência. Basta vencer e a Colômbia não ganhar o seu jogo. Resultados a parte, o rendimento do time canarinho convenceu até o mais incrédulo dos torcedores. Ainda há espaço para melhora, mas é incrível o estágio alcançado pela equipe em diferentes fases do jogo e em diversas situações.

Se para o Brasil as transformações foram benéficas, o mesmo não se pode dizer do Equador. Antes da derrota por 3x0 para os brasileiros em casa, “La Tri” liderava a corrida rumo à Rússia. Agora está fora até mesmo da zona de repescagem e vem tendo atuações muito abaixo da média. O cenário é propício para mais uma vitória categórica dos brasileiros, principalmente tendo como base o que explicaremos nas linhas abaixo.

O Time

Como já citado, o técnico argentino naturalizado boliviano, Gustavo Quinteros, não vem conseguindo tirar de alguns jogadores importantes até bem pouco atrás o mesmo rendimento. Os zagueiros Fricson Erazo e Mina sequer foram convocados, assim como Jefferson Montero e Miller Bolanos. O quarteto não vêm bem em seus respectivos clubes e sofre com lesões. Os experiente Walter Ayoví(lateral esquerdo) e Dominguez(goleiro) também se somam a lista e vêm perdendo espaço.

A estrutura tática não deve mudar. Segue o 4-4-2 e um futebol baseado em muita força e velocidade, mas nem sempre a equipe consegue criar situações para aproveitar essas características. Antônio Valência voltou a atuar na linha de meio na vaga de Montero e o ataque segue a fórmula tradicional do país: um atacante de área e outro de muita mobilidade.

Orejuela e Kunty Caicedo estão suspensos e não jogam. Angel Mena e Renato Ibarra foram cortados por lesão. Oyola deve ganhar vaga no meio, mas tem a concorrência de Pedro Quinonez e Gruezo. Arboleda pode formar a zaga ao lado do pesado Achilier. Aimar corre por fora. Velasco, que faz ótima temporada no Barcelona de Guayaquil, deve ser o lateral direito e mais duas disputas por vaga agitam o sistema defensivo. Dreer ou Banguera no gol. E Ayoví ou Cristian Ramirez na esquerda. O restante do time provavelmente não terá surpresas.

Fase Ofensiva

O time equatoriano tem a tendência de sempre acelerar as jogadas. É algo sintomático pelas características dos jogadores. Noboa tem ótimo passe longo, zagueiros e laterais não tem na boa saída de bola a principal característica, os extremos e atacantes são extremamente velozes ou fortes fisicamente. O somatório encaminha para um jogo mais direto e que busca sempre a profundidade.

Apesar disso, Gustavo Quinteros monta a sua equipe com proposta de ataque mais posicional em muitos momentos. A equipe demonstra dificuldades, principalmente quando Miller Bolanos não está em campo, e isso tem acontecido com muita frequência. A escalação de Angel Mena tenta equilibrar um pouco o ritmo da equipe, mas até aqui fez pouco efeito.

A melhor estratégia para o Brasil talvez não seja adiantar a marcação. Oferecer espaço às costas da última linha de defesa é tudo o que o Equador quer para buscar os passes em profundidade e utilizar a velocidade dos seus homens de frente. Não há nenhum pudor em utilizar a ligação direta.

Transição Defensiva

Assim como várias equipes ao redor do mundo, o Equador tem como conceito a pressão pós-perda na sua transição defensiva. Assim que perde a bola, o jogador mais próximo já diminui o espaço do adversário com agressividade, tentando retomar a bola. Os homens mais próximos acompanham o movimento para fechar as linhas de passe, mas para que isso seja eficaz é necessário a conscientização de todos os atletas para compensarem os espaços que aparecem, o que nem sempre acontece.

Pelo talento individual e o famoso “jogo apoiado” citado por Tite, o Brasil tem todas as condições de sair dessa estratégia adversária. Tem qualidade para ser “inventivo” e improvisar, além de muita movimentação dos demais jogadores.

Fase Defensiva

O Equador marca por zona e na grande maioria das vezes é muito intenso no combate ao adversário que tem a posse. Tem muita compactação entre as linhas na região central do campo, mas peca na recomposição dos extremos, que muitas vezes parecem não entender o conceito de defender o espaço que é premissa na marcação zonal. Colam nos laterais adversários e, caso eles não subam ao ataque, os extremos não recompõem na linha de meio.

O cenário pode ser ideal para o Brasil no caso de 1x1 de Willian e Neymar contra os laterais equatorianos. Muitas vezes não há dobra na marcação e aí fica complicado pará-los no mano a mano.

Transição Ofensiva

Velocidade, verticalidade e intensidade. A ideia é acelerar sempre os contra-ataques para tirar proveito das características dos homens de frente equatorianos. Esta é a fase do jogo mais perigosa do Equador. Brasil precisa ter muita atenção para não ser surpreendido. Em poucos segundos eles chegam à área adversária.

Bola aérea

Na bola aérea defensiva o Equador marca de forma individual nos escanteios e faltas na lateral da grande área. Nas faltas da intermediária a marcação é por zona. A execução é bem irregular nos dois aspectos. Na bola aérea ofensiva chama a atenção o grande número de cobranças “curtas”. Dificilmente um escanteio é cobrado de forma direta. Quando é feito desta forma, geralmente a bola é alçada no segundo pau.

Por Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout

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