26 de julho de 2017

Porquê é tão difícil fazer gol no Corinthians

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São apenas 23 gols sofridos em 43 jogos no ano, sete em 16 partidas do Brasileirão 2017. Os números defensivos do Corinthians impressionam e falam por si só sobre a organização da equipe dirigida por Fabio Carille desde janeiro deste ano. O treinador, quando era auxiliar de Tite e Mano Menezes, sempre trabalhou os conceitos e sub-conceitos defensivos do Timão e é o principal responsável pelo atual estágio de trabalho. Fruto da repetição de um modelo de defender e que se fortalece cada vez mais. O Linha Alta esmiúça nas linhas abaixo os padrões de comportamento alvinegros no momento defensivo e ajuda a explicar o motivo do rendimento.
Sabe qual é o segredo defensivo do Timão de Carille? Muito treino. repetição e aplicação de conceitos e subconceitos de jogo
Mais do que qualidades individuais, o sistema defensivo do Corinthians é um azeitado conjunto de movimentos e funções pré-designadas nos momentos de transição e de fases mais estabelecidas da partida, como a bola parada por exemplo. Há um padrão de comportamento para cada função e isso é seguido pelos atletas, sejam eles titulares ou reservas. Até mesmo quando há improvisações estes padrões não se dispersam, como aconteceu com o volante Paulo Roberto, que atuou como lateral-direito neste mesmo Campeonato Brasileiro.

Obviamente a atitude individual dos jogadores é primordial, mas ela é condicionada ao funcionamento desta coletividade, e até as contratações feitas para o setor obedecem às características desejadas.

Marcação Zonal  e Pressão no Portador da Bola

Este é um conceito que vem desde a época de Tite, teve uma quebra na qualidade de execução com Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira, mas retornou com todo o gás com Fabio Carille. A marcação por zona tem como premissa o controle do espaço e faz com que cada jogador ``guarde`` o seu setor. Desta forma vemos as linhas bem posicionadas e dispostas de um modo que iniba o avanço do adversário no campo de jogo.

De acordo com o posicionamento da bola, essas linhas ``balançam`` de um lado a outro e pra frente ou pra trás. Sempre buscando superioridade numérica no setor da jogada e o bloqueio das linhas de passe. Em entrevista recente ao ótimo Data Espn, Fabio Carille afirmou que tenta sempre manter a sua última linha a 30 metros no máximo da bola. Isso faz com que sua equipe controle a profundidade adversária e esteja sempre próximo, facilitando o sistema de coberturas também.
Nesta imagem podemos ver um exemplo claro disso. Maycon(circulado em amarelo) já se posiciona para dar superioridade numérica no setor da bola, fechar uma linha de passe e estar perto no caso da necessidade de uma cobertura. Ao mesmo tempo, Gabriel, atrás dele, já fecha a entrada da área e acompanha o movimento do companheiro de volância. Dentro da área, os zagueiros e Fágner fazem movimentos no mesmo sentido. Sincronia é a chave. 
Percebam onde está a bola e onde está a última linha de defesa do Corinthians. Posicionamento mata o espaço para a linha de meio e ``encaixota`` os jogadores do Palmeiras que poderiam receber a bola. Ao mesmo tempo, Rodriguinho, homem mais próximo da bola, ``aperta`` Tchê Tchê, e Romero busca fechar as linhas de passe.
Aqui os mesmos conceitos, mas numa região mais avançada do campo contra o Grêmio. O controle do espaço impede com que os atletas se desgastem excessivamente com perseguições individuais
Para o funcionamento pleno disso, é primordial que o jogador mais próximo da bola seja intenso no combate ao adversário, mas sem se afastar da sua área de atuação. Imediatamente os companheiros  mais próximos a ele fazem movimentos de apoio, tentando compensar qualquer espaço deixado ou bloquear as linhas de passe.

Posicionamento Corporal nas ``Bolas Descobertas``

O sistema defensivo do Corinthians é imune a qualidade tática e técnica dos adversários? Não! O futebol é uma batalha de estratégias e potencialidades. Então este primeiro momento de pressão pode ser vencido. E quando isso acontece o Timão busca se precaver através do posicionamento corporal dos homens de sua última linha defensiva. Carille fala muito sobre ``bola descoberta``, mas o que é isso? Exatamente quando um adversário consegue se desvencilhar do primeiro combate e tem liberdade para fazer um passe em profundidade, cruzamento ou chute.
Avaí rompe a linha de meio do Corinthians e perceba o posicionamento corporal de Pablo e Balbuena.

Nessas ocasiões, os defensores alvinegros se posicionam de forma lateral para a bola, prontos para o passe que pode ter como destino as costas da zaga. Esse posicionamento possibilita mais mobilidade e velocidade de reação. Ficar de frente para a bola ou de costas aumenta a chance de ser batido em velocidade.

Povoamento da última linha em momentos de pressão

Um outro comportamento padronizado do Corinthians é a inserção de um quinto elemento na última linha defensiva quando o Timão é empurrado para o seu terço do campo mais recuado. Os meias do lado contrário da jogada fazem a ``cobertura`` do lateral e impedem uma virada de jogo mais perigosa do adversário. Na grande maioria das vezes, Jadson e Romero cumprem este papel com muita competência, preenchendo uma região perigosa.

Em outras equipes que se defendem com duas linhas de quatro, é comum ver os atletas que jogam nesta função fechando ``por dentro`` a linha de meio. Rodriguinho ou quem estiver atuando na meia central faz essa compensação para não sobrar espaço na faixa central.

Equilíbrio e Balanco Defensivo

Muitos treinadores já falaram a frase: ``Atacar já preparados para defender``. Isto significa equilibrar a equipe para não ser surpreendida por contra-ataques adversários. Como em tudo no futebol, não existe o certo e o errado neste ponto, mas a definição de quantos jogadores vão atacar e defender precisa ser coerente com o modelo de jogo. No Corinthians há esta preocupação. Raramente o time tem mais de seis jogadores à frente da linha da bola quando está no campo ofensivo. O balanco defensivo é sempre feito por um volante e pelo lateral do lado contrário ao que a jogada se desenvolve.

Nesta imagem é muito claro que Fagner e Maycon(circulados em vermelho) fazem o balanço defensivo, enquanto Moisés e Gabriel participam mais ativamente da ação ofensiva. Equilibrar este aspecto é importante para atacar protegendo-se. Veja também o vídeo abaixo

Esses quatro jogadores destacados são os responsáveis pelo balanço defensivo

É bom constatar que estes quatro jogadores não são inúteis no momento ofensivo, mas se oferecem apenas como opção de passe de retorno para mudar o jogo de lado ou como opção de inversão, no caso do lateral.

Bola Parada Defensiva - Participação de Todos e Estratégia


O Corinthians utiliza um modelo bem compacto também na bola parada defensiva. Em faltas laterais, monta uma linha na altura da grande área e tenta ter uma coordenação eficaz no ato da batida da bola. Somente se movimenta após a cobrança. Nos escanteios a marcação é mista, sempre com a participação de todos os jogadores de linha perto da área.

Por Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout

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