24 de julho de 2017

Quando a transpiração iguala a organização. São Paulo e Grêmio empatam no Morumbi

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O São Paulo conseguiu quatro dos últimos seis pontos disputados no Brasileirão. Os 66% de aproveitamento nesta semana estão bem acima do restante da campanha da equipe, mas ainda não significam um time mais organizado. Dominado até fazer o gol do empate em 1x1 com o Grêmio na noite desta segunda no Morumbi, o tricolor mostra que na base da superação pode vencer o péssimo momento e sair da zona de rebaixamento. Para o Grêmio o resultado foi frustrante. Faltou mais constância na parte ofensiva e o Corinthians agradece, abre para oito pontos a diferença entre as equipes mais bem colocadas no Brasileirão.
Cercado por gremistas, Lucas Fernandes foi importante para o empate do São Paulo. Marcou o gol e intensificou a movimentação ofensiva
Com a exceção de Wellington Nem, fora em virtude uma lesão no ombro, Dorival Junior optou pela continuidade. Mandou a campo a mesma equipe que venceu o Vasco por 1x0 na última semana. Marcinho foi o escolhido para atuar no 4-2-3-1 e ser o homem mais agudo da linha de meias, ora pela direita, ora pela esquerda. Renato Gaúcho preferiu dar mais capacidade de reter a bola ao seu time. Ao invés de Fernandinho, escalou Maicon, montando um 4-1-4-1 com Michel e Arthur fazendo companhia ao camisa 8 na faixa central.
Disposições táticas iniciais. Gómez e Marcinho trocavam constantemente de lado. 
Empurrado por mais de 50 mil torcedores, o São Paulo tentou tomar a iniciativa do jogo. Buscou ser intenso com e sem a bola, além de imprimir velocidade na sua troca de passes, um estilo de jogo bem agudo nos dez minutos iniciais, mas sucumbiu diante da organização bem maior do oponente. O Tricolor mantinha sua última linha bem adiantada, tentando matar os espaços e compactar a equipe, mas faltou mais coordenação, principalmente nos momentos de transição defensiva, como no gol gremista.
São Paulo defendendo no 4-4-2. Pratto e Cueva à frente das linhas e tentando ter compactação, com a última bem ``alta``
Aqui vemos o Grêmio no 4-1-4-1 com Maicon entre as linhas e Luan como ``falso 9``.
Depois de um balanço defensivo muito mal feito pelo São Paulo, os gaúchos perceberam o time da casa extremamente exposto e aceleraram o ataque. Luan, novamente como ``falso 9``, se desgarrou do seu setor no momento certo e serviu Pedro Rocha em velocidade. O camisa 32 ganhou de Arboleda na corrida, cortou pra dentro e abriu o placar aos 19 minutos. Antes disso, o próprio Pedro Rocha já havia servido Luan, mas o campeão olímpico chutou em cima do arqueiro são-paulino.

A desvantagem deixou o time da casa ainda mais nervoso e ansioso em campo. Ao contrário do imaginado, o Imortal aumentou a sua posse nos minutos seguintes ao tento. Passou a desfilar o seu jogo de aproximação, qualidade técnica, tabelas e triangulações na faixa central do campo. Do outro lado, o time do Morumbi ia se desorganizando cada vez mais e saiu no lucro em não levar o segundo gol nos 45 minutos iniciais. Luan e Maicon quase marcaram em belíssimas jogadas coletivas.
Luan, circulado de vermelho, saindo da referência, aparece aberto, e Ramiro(de amarelo) variando para a faixa central em vários momentos.
Aqui ele sai da profundidade e aproveita a desmantelada linha de meio do São Paulo. Pedro Rocha, circulado em vermelho, entra em diagonal
Ofensivamente o São Paulo foi um time com atitude, mas muito longe de ser organizado. Gomez e Marcinho alternavam o lado a todo momento e o argentino buscava quase sempre a parte central do gramado. Jucilei e Petros não conseguiam encaixar bons passes verticais, fruto da boa marcação gremista, mas também de uma movimentação ofensiva bem caótica. Cueva tentava tirar o time do lugar comum, sempre se aproximando da bola e sendo participativo, mas não teve sucesso. Bruno errava tudo, Pratto lutava e Edimar não se omitia.
Gómez variando para a faixa central. Foi inoperante em campo 
No intervalo, Dorival tentou alterar o panorama com as entradas de Cícero e Lucas Fernandes nas vagas de Jucilei e Gómez. Cueva foi deslocado para o lado esquerdo, mas o cenário pouco se alterou inicialmente. A distância tática, técnica e psicológica entre as equipes era evidente naquele momento. O São Paulo seguia tendo mais a bola, mas faltava repertório coletivo e individual para criar jogadas. Do outro lado os visitantes mantinham a organização defensiva, compactação, mas diminuíram demais o ímpeto ofensivo, o que chamou o tricampeão mundial ainda mais pro seu campo.

Em um raro momento de aproximação e paciência, o São Paulo teve a transpiração recompensada e chegou ao gol. Edimar fez a ultrapassagem pela esquerda, recebeu de Cueva e cruzou para a primeira finalização de Pratto no jogo. Grohe rebateu mal e o jovem Lucas Fernandes empatou aos 18 minutos.

Renato Gaúcho sacou Arthur, em mais uma ótima atuação, para a entrada de Fernandinho. Ramiro foi deslocado. Dorival Junior atendeu aos pedidos da torcida e colocou Gilberto no lugar de Bruno passando Marcinho para a lateral. O Grêmio voltou a melhorar a produção ofensiva, tentar ocupar a sua maneira o campo de ataque, mas já tinha pela frente um adversário com o estado anímico bem mais elevado.
Como as equipes terminaram o jogo

A partida ficou equilibrada até o final. Fernandinho, Edilson e Ramiro quase ampliaram para os visitantes, Arboleda tentou do meio-campo e quase surpreendeu Grohe, Gilberto perdeu boa chance, mas o empate permaneceu e manteve as esperanças da torcida são-paulinas renovadas.

Por Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout

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