23 de julho de 2017

Lucas Lima protagonista, Bruno Henrique letal e espaço entrelinhas: a combinação que fez o Santos bater o Bahia

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Com atuação decisiva do seu camisa 10 no primeiro tempo, o Santos venceu o Bahia por 3x0 na manhã deste domingo em um lotado Pacaembu. Bruno Henrique desencantou no Campeonato Brasileiro e marcou os gols do triunfo santista. Após um início complicado, os comandados de Levir Culpi conseguiram aproveitar os espaços entre a linha de defesa e de meio do time de Salvador e passaram a dominar.
Daniel Guedes tem toda a liberdade do mundo para cruzar e Bruno Henrique marcar o terceiro dele e do Santos do jogo. Bahia pressionou no início da segunda etapa, mas foi se entregando a medida que não conseguia diminuir o placar.
Sem Renato mais uma vez no meio-campo, Lucas Veríssimo na zaga e Victor Ferraz na lateral-direita, Levir Culpi escalou novamente Vecchio ao lado de Yuri na primeira linha de meio do 4-2-3-1 santista. Noguera ganhou chance no miolo da defesa e Daniel Guedes prosseguiu pelo flanco direito. Já o Bahia teve o retorno de Allione entre os titulares e também foi montado por Jorginho no 4-2-3-1 com João Paulo mais uma vez na referência.
Disposições táticas iniciais
O Bahia foi melhor nos 20 minutos iniciais. As duas equipes adiantavam a marcação e conseguiam impor dificuldades ao rival na saída de bola. O Tricolor usava a ligação direta buscando Zé Rafael no lado direito e mantinha a posse após contar com a aproximação dos demais jogadores e ganhar as ``segundas bolas``, muito em virtude de ter uma equipe mais forte fisicamente. O Peixe tentava sair de forma curta, mas faltava movimentação aos volantes e calma aos zagueiros. Errava e irritava a torcida que compareceu em ótimo número. Zé Rafael quase surpreendeu Vanderlei aos cinco minutos, mas o melhor do goleiro do Brasil atualmente fez grande defesa.
Bahia adiantava a marcação no início do jogo e impedia eficiência do Santos
O Santos fazia a mesma coisa, mas o Bahia respondia com uma ligação direta que funcionou naquele momento
Bahia conseguia ficar com a bola no campo de ataque, tinha aproximação para gerar jogo, mas pouca profundidade. Defesa santista fez um bom trabalho: compacta e coordenada
Os visitantes recuaram um pouco o bloco de marcação e perderam o protagonismo inicial. Lucas Lima passou a participar mais da construção ofensiva, dividindo responsabilidades e alternando posicionamentos com Yuri e Vecchio. As tentativas de passes mais verticais não rendiam ao Santos o domínio idealizado, mas equilibravam o cenário e começaram a expor os erros coletivos do sistema defensivo baiano.
Lucas Lima(circulado em amarelo) participando muito da construção inicial. Vinha na mesma linha e por vezes trocava o posicionamento com Vecchio e Yuri, circulados em vermelho
Havia muito espaço entre a linha de defesa e a de meio da equipe de Salvador. O Santos foi crescendo em campo e aproveitou as lacunas. Aos 28 minutos, Kayke se colocou nesta região, teve liberdade, e chutou no canto do bom goleiro Jean. O rebote caiu nos pés de Bruno Henrique e ele abriu o placar marcando o seu primeiro gol no Brasileirão.
No detalhe, Kayke recebe entre as linhas do Bahia após passe longo buscando Copete. Time baiano se espaçava demais neste ponto do campo, algo que foi determinante para o Santos começar a dominar.
O Bahia teve que se soltar um pouco mais, mas esbarrava no bom funcionamento defensivo santista. Não conseguia ter profundidade. Trocava passes no campo ofensivo, mas sem qualquer penetração, fruto também da manhã pouco inspirada do trio de meias tricolores. Os erros de passe passaram a ser mais frequentes e o Peixe ampliou a vantagem no contra-ataque.

Lucas Lima já havia criado uma ótima aos 39`, mas seis minutos a linda jogada do camisa 10 foi finalizada de forma fatal mais uma vez por Bruno Henrique. No intervalo Jorginho foi obrigado a sacar Eduardo e colocar o zagueiro/volante Eder. O lateral vinha tendo muitas dificuldades para marcar Bruno Henrique e já tinha cartão amarelo. Mendoza também entrou na vaga do inoperante João Paulo. Já Levir precisou sacar Kayke, com dores musculares, para a entrada de Thiago Ribeiro.

Mendoza passou a jogar aberto pela esquerda e Zé Rafael foi atuar na referência ofensiva. Jorginho buscava mais profundidade e um jogador mais agudo pelo lado do campo. O colombiano fez bela jogada individual aos sete minutos e cruzou para a finalização de letra de Vinícius. Vanderlei fez outra grande defesa. O Santos recuou ainda mais a marcação, se compactou melhor e claramente ``deu`` a bola ao Bahia para tentar o contra-ataque.

O problema foi a falta de movimentação somada a precipitação na troca de passes para conseguir encaixar bons contra-golpes. O Tricolor de Aço chegou a quase 60% da posse de bola nos 20 minutos iniciais da segunda etapa. Vinícius e Juninho quase diminuíram o placar em chutes de fora da área e Jorginho fez a sua última mexida. O jovem atacante Junior Brumado entrou no lugar do apagado Allione e Zé Rafael voltou ao lado direito do campo.
Como o Santos se posicionou após a entrada de Alisson. Veccho e Lucas Lima mais adiantados mas sem dar profundidade, procurando manter a posse na região central do campo.
Como o sufoco inicial não surtiu efeito no placar, o Bahia foi se enfraquecendo psicologicamente e o Santos cresceu de novo. Vecchio em boa atuação,  e Lucas Lima se aproximaram na faixa central e manipularam a posse do time da casa. Alisson entrou na vaga de Copete para fechar ainda mais a defesa. Aos 32 minutos, Daniel Guedes teve toda a liberdade do mundo para cruzar no segundo pau, Bruno Henrique pegou o rebote e finalizou com muita classe para ``fechar o caixão`` baiano.

O resultado faz o Santos recuperar a terceira colocação no campeonato, perdida momentaneamente após a vitória do Flamengo sobre o Coritiba. O time da Vila chega aos 30 pontos e o Bahia permanece com 19, exatamente no meio do caminho entre o G6 e o Z4. O Peixe mostrou competência para aproveitar os erros cometidos pelo tricolor, que vinha de cinco jogos sem perder, mas pecou demais defensivamente contra um time mais talentoso e foi ineficiente ofensivamente.

Por Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout

 

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