4 de julho de 2017

Grêmio molda seu jogo, se impõe e sofre, mas bate o Godoy Cruz em Mendoza

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Debaixo de muito frio e chuva intensa o Grêmio deu um importante passo para garantir a sua vaga nas quartas de final da Libertadores da América. Venceu o Godoy Cruz por 1x0 na noite desta terça-feira em Mendoza e tem uma boa vantagem para decidir em casa no início de agosto. O principal mérito gremista foi se adequar a realidade da partida e do gramado. Na impossibilidade de uma saída curta mais qualificada, utilizou mais passes longos que de costume e fez o gol da vitória exatamente numa jogada assim. Ramiro foi o autor!
Circulado em vermelho, Pedro Rocha se projeta para aproveitar a ``raspada`` de Barrios(circulado em amarelo). Pelo meio, circulado em azul, Ramiro se prepara para entrar na área e marcar. Jogada ensaiada e adequada ao estado do gramado em Mendoza.
Escalado sem surpresas por Renato Gaucho, o Grêmio foi a campo no seu 4-2-3-1 habitual com Arthur e Michel como volantes. Luan centralizado, Barrios na referência, e Ramiro e Pedro Rocha partindo dos lados. O Godoy Cruz, de Lucas Bernardi, também repetiu o seu usual 4-4-2, tendo a bola direta para o terço final do campo e o jogo físico como premissas de sua estratégia.
Disposição tática inicial das equipes
Antes mesmo da primeira volta do ponteiro no relógio o time brasileiro já pulava na frente do placar. Em bola longa de Kannemann para Barrios, Pedro Rocha aproveitou a ``raspada`` do centroavante para ganhar ás costas da última linha defensiva adversária e cruzar para Ramiro completar de primeira. Gol marcado em uma jogada nitidamente planejada. Não só pela perfeição nos movimentos, mas também pelo número de vezes que foi repetida ao longo do jogo.

Não que o Grêmio tenha mudado a sua forma de jogar. Baseada no jogo de aproximação e a troca curta de passes para progredir no campo, a cartilha tricolor passou por uma adaptação em virtude do encharcado e irregular gramado do Estádio Malvinas Argentinas. Não foram poucas as batidas mais longas buscando Barrios e a posterior aproximação entre as pecas no campo de ataque. Antes dos 30 minutos da segunda etapa o número de lançamentos já era maior que a média da equipe nos demais jogos da Libertadores

O Tricolor Gaucho se impôs em Mendoza. Neste segundo momento de construção já conseguia desfilar o seu vistoso futebol e tinha o trio Luan, Pedro Rocha e Ramiro apresentando muita mobilidade. O Godoy Cruz apresentava problemas de compactação e coordenação em seu sistema defensivo. Se tivesse um pouco mais de capricho no momento do último passe o Grêmio fatalmente teria ampliado ainda na primeira etapa.
Luan muito móvel, sempre aproximando da bola e tendo muitas opções de passe
A equipe da casa cresceu nos últimos 15 minutos. Após um erro de passe Michel na saída de bola, Javier Correa recebeu de Garro e obrigou Marcelo Grohe a fazer bela defesa. Sete minutos depois foi a vez do próprio Garro cabecear com perigo. ``La Tomba`` utilizava sempre os meias pelos lados bem avançados, tentando preencher o último terço do campo e abrir a defesa gremista. O caminho para a bola chegar até lá, porém, era sempre truncado, muito ``jogo direto`` para os fortes Garcia e Javier Correa.
Cena comum do time do Godoy Cruz no ataque. Circulados em vermelho, meias abertos pelos lados sempre muito espetados. Circulados em amarelo, os dois atacantes centrais. Tentativa de anular ``sobra`` do Grêmio e abrir defesa brasileira. 
No final do primeiro tempo o Grêmio conseguiu se estabelecer no campo de ataque mais uma vez. Foi tirando a velocidade do jogo, demorando a repor a bola em jogo e arrefeceu o animo do time local. Cortez ainda fez bela jogada pela esquerda e cruzou para Ramiro quase ampliar em bela cabeçada.
Última linha do Godoy Cruz facilmente se ``quebrava`` quando o Grêmio conseguia executar o seu jogo no campo de ataque. Faltou um pouco mais de eficiência no último momento de preparação para criar chances mais claras. Estado do gramado também prejudicou.
No início da segunda etapa o panorama do jogo não se alterou. O Godoy Cruz seguia tentando chegar na sua estratégia: bola longa, aérea e jogo físico. Teve períodos de pressão. Antes dos dez minutos chegou com perigo em duas ocasiões, sempre com Javier Correa e Garro, os dois jogadores mais perigosos de ``La Tomba``. Mas o Grêmio logo retomava o controle e impunha o seu jogo de posse e qualidade técnica no campo adversário. Faltava, porém, ser mais contundente na tomada de decisão final. O estado do gramado também prejudicava em alguns momentos.

Na metade da etapa final, Renato já tinha uma equipe mais leve para explorar os espaços que passaram a ser ainda maiores. Pôs Everton e Fernandinho em campo para as saídas de Barrios e Pedro Rocha. O jogo de muito desgaste físico foi pesando e o Grêmio passou a perder intensidade na abordagem de marcação. Recuou e viu Marcelo Grohe fazer grande defesa em cabeçada de Garcia aos 33 minutos.
Como as equipes terminaram o jogo
Renato Gaucho sacou Arthur e aumentou o poder de marcação do meio-campo com a entrada de Jailson. O Godoy seguiu alçando bolas na área, mas a dupla de zaga gremista e Marcelo Grohe coroaram a grande atuação que tiveram com a meta intransponível e garantiram o excelente resultado.

O time brasileiro mostrou inteligência e capacidade para voltar da Argentina com o triunfo. Vitória madura de uma equipe que mostra entender como se deve jogar determinados jogos de Libertadores. Já ``La Tomba`` fez o que pôde e usou as armas que tinha. Vai ter que tentar a improvável classificação na Arena do Grêmio.

Por Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout

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