18 de junho de 2017

Prancheta Histórica - Copa América 1997 - Mudança de esquema, defesa sólida e inconstância ofensiva: o terceiro passo do Brasil

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Depois de vencer Costa Rica e México, a Seleção Brasileira chegou ao terceiro jogo da primeira fase da Copa América de 1997 já classificada. A Colômbia era o desafio da vez, e a vitória por 2x0 sobre os comandados de Hernán Darío Gomez, demonstrou mais uma vez um time brasileiro irregular. Os problemas coletivos persistiam, apesar dos 100% de aproveitamento. Dunga, de falta, e Edmundo marcaram os gols canarinhos no lotado Estádio Ramon Tahuichi Aguilera.
Edmundo saiu do banco para marcar o gol que aliviou o Brasil na partida.
A Colômbia vivia uma fase de renovação e tinha alguns remanescentes da geração talentosa, mas que decepcionou na Copa de 1994. No ano de 97, até o jogo contra o Brasil, havia vencido apenas dois dos sete jogos disputados. O zagueiro Bermudez do Benfica e os atacantes Aristzabal e Asprilla eram os principais atletas. Faustino Asprilla, porém, não chegou a jogar naquela Copa América em virtude de uma lesão. O plantel colombiano tinha o então jovem e promissor zagueiro Ivan Córdoba, jogador que se notabilizou com a camisa da Internazionale de Milão.

Confira a matéria da vitória sobre a Costa Rica na estreia

Confira a matéria da vitória sobre o México pela segunda rodada

Após perder por 2x1 na estreia para o México e vencer a Costa Rica por 4x1, a Colômbia acabou se classificando como um dos melhores terceiros colocados. Assim como o Uruguai, terceiro do Grupo B, ficou com saldo zero, mas a goleada contra os costarriquenhos foi determinante, já que o time de Aristzabal e companhia marcou cinco gols, contra dois dos ``charrua``. O Paraguai, outro terceiro colocado classificado, fez quatro pontos, contra três de colombianos e uruguaios.

O adversário

Montada num 4-2-3-1 por Hernán Dario Gomez, a Colômbia era um time bem técnico. Os volantes Cabrera e Perez tinham qualidade no passe e dificilmente forçavam jogadas. Pacheco e Morantes eram meias de muita movimentação e habilidade. Aristzabal era o centroavante e Bonilla atuava aberto pela direita. Faltava, porém, mais profundidade. Era um time que circulava bem a bola, escolhia as jogadas com paciência, mas finalizava pouco e tinha pouca entrada no terço final do campo.
Velho conhecido do futebol brasileiro, Aristzabal era o destaque colombiano em 1997
Defensivamente era organizado e intenso na abordagem de marcação, apresentava compactação acima da média na época, mas faltava mais força física, era um time frágil neste aspecto.

O Brasil

Buscando o melhor encaixe da equipe, Zagallo fez novas alterações, algumas no aspecto tático e outras por precaução. Na defesa, a má atuação de Célio Silva contra os mexicanos foi primordial para o retorno de Gonçalves. Pendurado com um cartão, Roberto Carlos deu lugar a Zé Roberto.

No meio, a maior mexida. O 4-3-1-2 foi deixado de lado pelo menos momentaneamente para o tradicional 4-2-2-2 da década de 90 entrar em cena. Flávio Conceição, também poupado em virtude de estar pendurado com um cartão amarelo, viu Mauro Silva entrar em seu lugar e fortalecer o sistema de cobertura brasileiro.
Disposição tática inicial das equipes
Dunga e Mauro Silva lado a lado e os colombianos diminuindo o espaço na marcação 
Flagra do quadrado de meio do Brasil para o jogo contra a Colômbia
Denílson foi outro a ganhar chance. A boa atuação na rodada anterior o garantiu entre os titulares e Djalminha foi para o banco.

O jogo

Foi o melhor início de jogo do Brasil até o momento na competição. Bem posicionada, a equipe rodava bem a bola antes de definir o passe de entrada no terço final do campo. Antes dos 10 minutos, duas chances de perigo já haviam sido criadas. Dunga em cobrança de falta e Romário finalizando por cima quase marcaram, mas o capitão balançou as redes aos 11`. Ele bateu com força no canto esquerdo de Calero e coroou o bom início brasileiro.

A Seleção seguia com dificuldades de encaixe de marcação pelo lado do campo. Denilson e Leonardo oscilavam no fechamento dos espaços à frente de Zé Roberto e Cafu respectivamente, o que mais uma vez fazia com que os laterais se afastassem demais da linha defensiva para dar combate. As presenças de Mauro Silva e Dunga, porém, faziam com que as coberturas fossem feitas de forma praticamente perfeita. Aldair e Gonçalves enfim viviam uma partida mais tranquila e menos exposta.
Dobradinhas pelos lados: Zé Roberto e Denilson na esquerda
Leonardo e Cafu na direita.
Com a vantagem e a classificação assegurada, o Brasil foi abaixando o nível de concentração no jogo e perdeu o domínio que tinha. A posse foi controlada pelos colombianos em grande parte do primeiro tempo, mas faltava mais profundidade ao adversário. A Seleção fazia a sua parte também, isolando o time de Hernán Darío Gómez de sua área. A única chance de perigo foi finalizada por Aristzabal aos 36 minutos, em contra-ataque puxado por Morantes.

O Brasil passou a errar muitos passes e o jogo não fluía. Foram 27 passes errados no primeiro tempo e apenas mais uma chance criada após o gol. Zé Roberto deu lindo passe para Leonardo chutar por cima. Cafu ainda levaria um cartão amarelo e ficaria suspenso para as quartas de final.
Quando Leonardo e Denilson conseguiam recompor a linha de meio o Brasil era ainda mais seguro contra a Colômbia.
No intervalo, Hernán Darío Gomez sacou Bonilla para a entrada de mais um centroavante. Ricard passou a fazer companhia a Aristzabal no comando de ataque, e Morantes e Pacheco formaram a dupla de meias no 4-2-2-2 da segunda etapa. O nível do futebol brasileiro não mudou e a Colômbia assustou com Cabrera, Santa e Aristzabal.

Zagallo percebeu que precisava ``criar um fato novo`` na partida. Colocou Edmundo em campo. O então atacante do Vasco era o melhor jogador do futebol brasileiro naquele momento e não era titular porque disputava posição ``somente`` com Ronaldo e Romário. O camisa 9 do Brasil vivia ás voltas naquela semana com a transferência do Barcelona para a Inter de Milão e fazia a sua segunda partida abaixo do que podia. Escolhido para sair, Ronaldo demonstrou insatisfação ao ir direto para o vestiário.

Oito minutos depois da entrada do ``Animal``, o Brasil ampliou o placar. Leonardo lançou Romário dentro da área, o Baixinho chutou em cima de Bermúdez e a bola se ofereceu a Edmundo no rebote. Calero foi batido mais uma vez e a Seleção ficava ainda mais relaxada em campo com a vantagem. Àquela altura os colombianos se preocuparam mais em não levar o terceiro gol e serem eliminados da competição. Se resguardaram na defesa e a partida ficou monótona até o apito final.

O experiente treinador brasileiro ainda aproveitou para dar ritmo a Zé Maria e César Sampaio, que entraram nos lugares de Cafu e Dunga. O que começou com um rendimento promissor, acabou se revelando mais um jogo em que o Brasil oscilou e não conseguiu repetir padrões coletivos, apesar da grande melhora defensiva.

Por Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout

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