16 de junho de 2017

Prancheta Histórica - Copa América 1997 - `Fator Denilson` faz Leonardo crescer e Brasil virar sobre o México

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Na segunda análise da série que comemora os 20 anos da conquista da Copa América de 1997 pelo Brasil, o Linha Alta conta como a Seleção bateu o México por 3x2, no dia 16 de junho daquele ano, mais uma vez no Estádio Ramon Tahuichi Aguilera, em Santa Cruz de la Sierra. O jogo foi válido pela segunda rodada da fase de grupos e a vitória classificou o Brasil de forma antecipada para as quartas de final. Aldair, Romário e Leonardo marcaram para a equipe canarinho, que melhorou muito após a entrada de Denilson. Hernández, duas vezes, fez para os mexicanos na chuvosa noite boliviana.

Confira como foi a estreia do Brasil na Copa América 1997

Ronaldo sofreu com a marcação mexicana, mas melhorou na segunda etapa
O México também havia ganho na estreia. Bateu a seleção colombiana por 2x1, mais dois gols do endiabrado Luis Hernández, que terminaria como artilheiro daquela Copa América com seis tentos anotados. Brasileiros e mexicanos já tinham se enfrentado em 1997. Dois meses antes da competição, em amistoso realizado em Miami, os comandados de Zagallo enfiaram 4x0 no time do folclórico técnico sérvio Bora Milutinovic.

Já em 1996, com uma equipe que tinha idade olímpica, o Brasil perdeu para o México a final da Copa Ouro. Dos convocados para a Copa América, apenas Zé Roberto, Zé Maria e Flávio Conceição jogaram a competição em solo norte-americano  

O adversário

Traumatizado com a acachapante derrota já relatada, Milutinovic resolveu mexer no esquema tático da sua equipe e reforçar o sistema defensivo. Montou uma linha com três zagueiros para ter superioridade numérica frente a Ronaldo e Romário. À frente, uma linha de cinco jogadores: Pardo na ala direita, Romero na ala esquerda, e Villa, Lara e Ramirez na região central. A proposta era isolar a letal dupla de ataque brasileira do restante da equipe, algo que foi alcançado no primeiro tempo.

`El Matador`Luis Hernández atuava na época pelo Boca Juniors e era o melhor jogador mexicano
Quando retomava a bola, o México acionava os velozes e habilidosos Hernández e Palencia, posicionados um pouco mais à frente. A marcação obedecia a um sistema de encaixes e perseguições, mas as coberturas eram muito bem coordenadas para que espaços não aparecessem. Havia muita intensidade na abordagem de marcação também.

O Brasil 

Em comparação com o jogo contra a Costa Rica, apenas uma mexida. A volta de Célio Silva ao miolo de zaga ao lado de Aldair. O então zagueiro do Corinthians foi muito criticado pelo seu desempenho no Torneio de Paris, mas mesmo assim Zagallo quis prestigiar o atleta. O 4-3-1-2 estava mantido, assim como alguns problemas táticos, principalmente no aspecto defensivo.

O jogo

Mais habituado ao gramado irregular, o Brasil começou o jogo contra o México com um trabalho de posse de bola superior ao demonstrado contra a Costa Rica. Isso acontecia em virtude também da movimentação mais dinâmica de Leonardo, Flávio Conceição e Djalminha. Exploraram mais os lados do campo, associando-se a Cafu e Roberto Carlos.O problema era a marcação adversária, muito intensa e organizada.
Ultrapassagem de Conceição pela direita, dando apoio a Cafu. Este tipo de movimentação foi mais frequente 
O mesmo fazia Leonardo com Roberto Carlos no outro lado do campo. E também com o apoio de Djalminha por dentro.
Faltou mais paciência ao Brasil para escolher de forma correta o momento de verticalizar o jogo. Acabava fazendo isso de forma precipitada e isolando Romário e Ronaldo em uma multidão de jogadores de verde. A coisa piorou quando Aldair falhou na marcação individual da bola parada e Hernández finalizou para abrir o placar aos 12 minutos.

O México se retraiu ainda mais e procurava trabalhar a posse com qualidade e velocidade quando retomava a bola. Os mesmos problemas defensivos apresentados na estreia apareceram na segunda rodada. O funcionamento defensivo de Romário, Ronaldo, Djalminha, Flávio Conceição e Leonardo era indefinido, sem padrão, o que obrigava Cafu e Roberto Carlos a se distanciarem muito da linha defensiva. No caso do México, que tinha alas e não pontas, mais ainda!
Vejam onde Cafu vinha dar combate ao ala mexicano, na intermediária ofensiva. Muito espaço ás suas costas e elementos distantes no sistema defensivo. Falha individual? Não! Ausência de organização coletiva gera decisões erradas individuais. 
O mesmo acontecia do outro lado, com Roberto Carlos
Num segundo momento deste erro, vemos os espaços abertos

A genialidade de Romário apareceu um minuto depois do gol sofrido pelo Brasil. Ele transformou um ``abacaxi em morango`` ao receber passe torto e deixar Ronaldo na cara da meta com um passe de ``chaleira``. O camisa 9 chutou em cima de Rios e desperdiçou grande chance.

Além dos problemas coletivos, o Brasil tinha a sua dupla de zaga em uma péssima noite no aspecto individual. Aldair errou feio mais uma vez aos 16 minutos e Hernández obrigou Taffarel e fazer boa defesa. Pouco depois, foi a vez de Célio Silva errar grotescamente. Ele furou dentro da área e o atacante mexicano marcou o seu segundo gol após ganhar disputa de bola com Aldair.

Dunga, Leonardo e Roberto Carlos ainda assustariam em chutes de fora da área, mas o placar do primeiro tempo seguiu adverso. Em síntese, era uma equipe que tinha os seus jogadores contribuindo em todas as fases do jogo, contra outra bem desequilibrada neste aspecto.

Zagallo percebeu que precisava mudar para transformar o cenário. Sacou Djalminha e colocou Denilson. Com 19 anos na época, o então atacante do São Paulo entrou no posicionamento de Leonardo e empurrou o camisa 10 para ser o vértice mais adiantado do losango de meio do Brasil. A alteração surtiu efeito pelo comportamento de Denilson dentro do campo. Atacante na essência, ele abria para o flanco esquerdo quando o time canarinho tinha a bola.A movimentação atraiu a atenção de Villa e abriu espaços para Leonardo e Conceição jogarem.
Desenho das equipes na metade do segundo tempo. Denilson no Brasil e Blanco no México
Denilson bem aberto pela esquerda. `Espaçou` a defesa mexicana.
O estado anímico da equipe cresceu com a melhora tática: havia aproximação e pressão na bola logo após a perda da posse. O Brasil passou a sufocar os mexicanos, principalmente após a cabeçada de Aldair para o fundo da rede de Rios aos três minutos da segunda etapa. 11 minutos depois, Dunga ``quebrou`` a linha de meio mexicana com um passe para Leonardo entre os volantes e zagueiros adversários. O então atleta do PSG serviu Romário e o Baixinho se livrou do zagueiro para chutar cruzado. A bola sairia, mas o ala-esquerdo Romero se precipitou e empurrou de carrinho pro fundo do gol.
Leonardo entre zagueiros e volantes do México. Passe de Dunga foi primordial no início da jogada
Com o empate o Brasil reduziu um pouco ritmo, mas seguiu melhor. Até então tímido em campo, Ronaldo fez duas boas jogadas, mas parou em Rios. O México também assustou. Ainda mais exposto, o Brasil viu Blanco e Hernández saírem cara a cara com Taffarel, mas o goleiro brasileiro fez milagre. Os zagueiros e Cafu seguiam mal em campo, mas também ``vendidos`` pela tática até certo ponto ``kamikaze`` de Zagallo.

A entrega brasileira foi premiada com um gol que representou bem como a vitória foi conseguida. Leonardo evitou a saída de bola e ganhou na vontade de Romero, invadiu a área, driblou Garcia e fez um lindo gol. Bola no angulo de Rios e triunfo brasileiro garantido. Após a virada, Leonardo saiu para a entrada de Zé Roberto e a recomposição mais eficaz do meio-campo. O resultado veio, mas o desempenho foi mais uma vez inconstante, além da repetição de alguns erros. O Brasil fecharia a primeira fase contra a Colômbia três dias depois e segunda-feira você confere aqui no Linha Alta.

Por Rodrigo Cout - @RodrigoCout     

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