22 de junho de 2017

Chape encara, mas qualidade técnica faz a diferença e Flamengo `passeia` na Ilha do Urubu

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O Flamengo desencantou na noite desta quinta-feira na Ilha do Urubu. Com atuações de gala de Guerrero e Diego, o rubro-negro goleou a Chapecoense por 5x1 e chegou a 14 pontos, ocupando a oitava colocação no campeonato. O resultado foi construído na base da qualidade técnica do time carioca, mas também na ativação de alguns conceitos táticos da equipe que andavam escondidos em virtude da brusca queda de confiança recente. O peruano marcou três gols em um único jogo com a camisa rubro-negra pela primeira vez. Diego fez os outros dois e Victor Ramos descontou para a valente e intensa Chapecoense.
Guerrero comemora com Diego e Berrío mais um gol na goleada. Foto: Gilvan de Souza/CRF
Baseado no bom segundo tempo feito por Willian Arão contra o Fluminense, Zé Ricardo deu nova chance ao camisa 5 entre os titulares. Cuellar, que teve duas boas atuações em sequencia, voltou para o banco de reservas e o contestado Marcio Araújo seguiu como titular. A ideia de Zé Ricardo era manter a velocidade nas coberturas, principalmente pelo lado esquerdo da defesa, e também nas transições defensivas. Berrío ganhou a posição do jovem Vinícius Jr pelo lado direito do ataque e Juan seguiu na zaga, mesmo com a sombra do recém-contratado Rhodolfo no banco de reservas. Era o 4-2-3-1 tradicional do Flamengo de Zé Ricardo, que com as infiltrações de Arão torna-se um 4-1-4-1 em muitos momentos.
Disposição Tática inicial das equipes
Circulado em azul, Marcio Araújo em movimento que fez muito no jogo, cobrindo o lado esquerdo e ajudando Trauco contra o forte lado direito da Chapecoense.
Pelo lado da Chapecoense, Vagner Mancini contou com o retorno do atacante Rossi aberto pelo lado direito e barrou o zagueiro Luiz Otávio, que falhou contra o Botafogo na última rodada. Douglas Grolli foi o escolhido para atuar ao lado de Victor Ramos. O time do oeste de Santa Catarina foi bem superior nos primeiros dez minutos. Mais intenso sem a bola e vertical com a posse, chegou a incríveis 66% de domínio da bola mesmo numa atmosfera bem contrária.

O Flamengo parecia ser aquele time pós-eliminação na Libertadores novamente: passivo no momento defensivo, lento nas transições, inseguro e espaçado para construir jogadas. A marcação adiantada do adversário piorava o cenário. Antes dos 10 minutos foram três finalizações da Chape  e apenas uma do Mais Querido, mas no primeiro momento em que os visitantes recuaram as suas linhas os anfitriões conseguiram se sobressair.

Aos 13 minutos, Rever encaixou passe longo para Guerrero fazer o pivô e encontrar Diego na entrada da área. O meia abriu para Rodinei no lado direito e o rebote do cruzamento do lateral encontrou o próprio Diego na altura da meia-lua. Ele teve liberdade para chutar com força e marcar um lindo gol. A vantagem reativou o Flamengo mais próximo de seu rendimento ideal e o segundo não demoraria a sair.
No detalhe a Chape com as linhas de marcação mais recuadas momentos antes do gol do Flamengo.
A Chape seguia em cima, tentando dominar as ações, mas o Flamengo já era um outro time. Diego se posicionou inteligentemente nas costas de Apodí para puxar o contra-ataque e receber pelo passe de Willian Arão. Ele arrancou e esperou a chegada de Guerrero na área para deixar o peruano na cara do gol. Bastou um leve toque do camisa 9 na bola para vencer Jandrei e ampliar o placar.
Momento da puxada de contra-ataque do Flamengo. Quatro contra dois neste momento. Ciirculado em vermelho, Diego buscando as costas de Apodí
Anímicamente mais forte, o rubro-negro conseguiu ser superior até o final da primeira etapa. Por mais que do outro lado tenha encontrado uma equipe corajosa e buscando executar de forma fiel a sua estratégia de jogo, conseguiu ter mais aproximação e a  movimentação inteligente vista em muitos momentos sob o comando de Zé Ricardo: Trauco entrando em diagonal, Everton dando amplitude pela esquerda, Diego móvel entre as linhas do adversário e chegando na área para finaliizar, Arão participativo, e muita força pelo lado direito com Rodinei e Berrío.

Guerrero ainda perdeu grande chance aos 39`, Trauco e Rodinei obrigaram Jandrei e trabalhar e Marcio Araújo chutou por cima após contra-ataque. No intervalo, Vagner Mancini deixou o apagado Seijas no banco e colocou o atacante Perotti em campo. Mudou o esquema tático para o 4-4-2 tentando preencher mais o terço final do campo e de quebra aumentou ainda mais a estatura da equipe.
No detalhe em amarelo, os dois atacantes da Chape pela faixa central. Com as chegadas de Rossi e Arthur Caíke, em vermelho, Chape praticamente com quatro atacantes constantemente no terço final do campo. Estratégia inteligente de Mancini para anular superioridade numérica do Flamengo no setor.
O Flamengo começou o segundo tempo da mesma maneira que terminou o primeiro. Solto, conseguiu três finalizações perigosas antes dos cinco minutos. Guerrero duas vezes e Trauco quase ampliaram, mas foi a Chapecoense que marcou. Em jogada clássica da equipe, Reinaldo bateu o lateral dentro da área, Thiago saiu mal e Victor Ramos completou para o gol vazio.

Os visitantes cresceram no jogo e pressionaram, levando muito perigo em bolas paradas, sempre tendo o lateral Reinaldo como figura central. Réver saiu lesionado e Rhodolfo fez a sua estreia. Aos poucos o Flamengo foi saindo do sufoco e aproveitando os espaços que apareceram com uma Chapecoense mais aberta. Manteve os princípios que apresentou no primeiro tempo e foi muito forte pelo lado direito.
No momento de maior pressão da Chapecoense, Flamengo não recuou, manteve padrões ofensivos e construiu a goleada. Muitas jogadas pelo lado direito como no exemplo acima.
Aos 28 minutos Guerrero quase marcou em bela finalização de fora da área  Prenúncio do que aconteceria na próxima volta do ponteiro. O centroavante aproveitou rebote de cabeçada de Arão na trave e marcou. A Chape se abriu ainda mais e o Flamengo construiu a goleada. O peruano deu belo passe para Diego e o meia marcou o quarto do rubro-negro aos 33`. Em noite inspirada, Guerrero marcou mais um. Everton foi no fundo e o atacante ganhou de Victor Ramos no alto para anotar o terceiro dele no jogo.

O resultado e a atuação eram tudo o que o Flamengo precisava. Parece ter enfim recuperado a confiança e poderá nos próximos jogos confirmar e reiniciar a evolução coletiva. A Chapecoense pagou o preço de ter se lançado de forma muito ofensiva e viu a fragilidade de seu miolo de zaga diante de um ataque de alto nível técnico.

Por Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout   

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