8 de maio de 2017

Título gaúcho consagra o ótimo trabalho coletivo do Novo Hamburgo

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Campeão gaúcho, o Novo Hamburgo foi histórico ao vencer um campeonato com uma diferença tão gritante entre 'ricos' e 'pobres'. Mas como isso foi possível com tão pouco dinheiro? Como um time que ganhou 1 milhão não perdeu, em SEIS confrontos, para dois que ganharam 12 milhões da Federação? Como diria o filósofo tupiniquim Muricy Ramalho, ''aqui é trabalho''. Nenhum treinador foi tão competente quanto o anilado Beto Campos. Conseguiu montar um time forte, com conceitos simples, mas bem aplicados e levou, justamente, o título gaúcho. 

Comemore, torcedor anilado! (Foto: Wesley Santos/Gazeta Press)
O Nóia, como o próprio Antônio Carlos Zago disse, é um time especialista em contra-ataques. Mas para recuperar a posse, um sistema defensivo sólido precisa ser construído, não é mesmo? Beto usou a marcação por zona e conseguiu tirar uma boa execução dos seus comandados. O time, com uma alta média de idade, buscou preencher espaços e não perseguir jogadores rivais. Aliás, o Novo Hamburgo prova aos clubes do Interior que não é preciso empilhar três ou quatro volantes defensivos para marcar bem. Jogando no 4-1-4-1, o Nóia teve Amaral, esse sim um volante destruidor, como 1 e mais a frente uma linha com Branquinho, Jardel, Preto e Juninho. Todos jogam e todos defendem é o mantra. 



Destaque também para o papel do centroavante João Paulo. Aos 31 anos, o carioca foi peça-chave na engrenagem do campeão gaúcho. Recebendo de costas para o gol adversário e temporizando as jogadas, ou seja, protegendo a posse de bola enquanto os meias avançam. A final contra o Internacional foi um grande exemplo de como a função do jogador foi importante durante o certame. Em momentos de pressão incessantes do Colorado, João Paulo conseguiu algumas boas faltas para deixar a equipe respirar. E, claro, foi o artilheiro do time. Deve conseguir um lugar na Série B do Brasileirão, mesmo visivelmente fora de forma. 

Outro ponto interessante da campanha do Anilado é a 'falta de destaques individuais'. Tanto é que provavelmente ninguém do time campeão jogará a Série A do Brasileirão. São jogadores que encontraram um ambiente que potencializou suas virtudes e escondeu seus defeitos, um grande mérito do ótimo treinador Beto Campos. O coletivo está cada vez mais acima do talento individual na balança. 

O Novo Hamburgo fez história, compreendendo suas qualidades e buscando ao máximo diminuir seus pontos fracos. Foi realmente um conjunto de jogadores. Fica de lição para os clubes pequenos não só do Rio Grande do Sul, como do Brasil inteiro. É difícil competir com orçamento cem vezes menor? Obviamente sim. Mas é possível. E essa é a mensagem que importa. 

Por Nicolas Müller - @_nicolasmuller

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