28 de maio de 2017

`Macaca híbrida` e `Galo Doido` pelo resultado. Os detalhes do empate entre Atlético e Ponte

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Atlético/MG e Ponte Preta fizeram um jogo muito movimentado no estádio Independência na manhã deste domingo. O empate em 2x2 acabou sendo injusto com o time de Campinas, que foi coletivamente superior e apresentou formas diferentes de jogar, mas pecou nas finalizações, principalmente na reta final do jogo. O Galo teve algumas dificuldades ofensivas e defensivas, mas conseguiu arrancar o empate praticamente ``a força`` na reta final da partida. Robinho e Rafael Moura marcaram para o time da casa. Lucca, duas vezes, anotou para a equipe campineira, que chega a quatro pontos. O Atlético tem apenas dois em três jogos.
Flagra dos buracos na defesa do Galo na origem do segundo gol da Ponte. Felipe Santana sai para dar combate, ninguém compensa e Lins(seta amarela) entra em diagonal para cruzar pra Lins

Roger Machado repetiu a escalação no 4-2-3-1 com Elias, Robinho e Cazares na linha de meias. O funcionamento foi exatamente o mesmo das últimas partidas. Elias saía da direita e flutuava pela faixa central. Cazares e Robinho se alternavam entre a faixa esquerda e o centro do campo, fazendo companhia também a Fred em cima da linha defensiva da Ponte Preta.
Disposição tática inicial das equipes

Montada por Gilson Kleina em um 5-3-2, a Macaca surpreendeu o Galo. Bloqueou de forma muito contundente os donos da casa apresentando intensidade e coordenação impressionante nas coberturas e compensações. O volante Naldo se integrou à linha defensiva e a proposta era clara: reagir e sair em velocidade para o contra-ataque.
Macaca no 5-3-2 inicialmente na partida. Defendeu-se muito bem neste período do jogo

Como esperado a posse de bola foi maciçamente do Atlético, em alguns momentos chegou a beirar os 80% . O Galo, porém, começou um pouco ansioso. Na tentativa de fazer a bola chegar ao terço final e encontrar seus atacantes acabou forçando muito as jogadas nos minutos iniciais, período em que só assustou em uma cabeçada de Fred, após cobrança de falta de Cazares.

Com o passar dos minutos o time foi se acalmando e buscando mais a aproximação, o jogo apoiado, principalmente pelo lado esquerdo, com associações entre Robinho, Cazares e Fabio Santos. A nova postura provocou o aumento de faltas por parte da Ponte e dois cartões amarelos para o time de Campinas, que não conseguia encaixar os contra-ataques pretendidos, muito em virtude da boa postura dos mineiros, pressionando o adversário logo após a perda da posse e muito ligado para evitar inferioridade numérica nos contra-golpes.
Flagra de Elias na região central do campo, constante no plano de jogo do Galo
Rafael Carioca tem a bola e quatro opções para trocar passes. Galo foi melhorando neste aspecto no primeiro tempo, mas nem isso foi suficiente para criar mais chances diante de um sistema defensivo muito sólido. Faltou abrir mais a defesa adversária jogando pelos dois lados 
Ao contrário do jogo contra o Fluminense, Galo se defendeu muito bem dos contra-ataques da Ponte

Diante de um oponente tão fechado, o gol só poderia sair de algo raro na primeira etapa, um contra-ataque do Galo. Após escanteio cobrado pela Ponte, Cazares pegou o rebote e mostrou toda a sua qualidade ao se livrar do primeiro marcador e lançar Marcos Rocha. O lateral encontrou Robinho dentro da área e o camisa 7 não perdoou. Uma aula de contra-golpe, velocidade, técnica e poder de definição aos 35 minutos de jogo.
Cazares, circulado em vermelho, na origem da jogada do gol, enxerga a projeção de Marcos Rocha pela direita e Robinho por dentro (setas amarelas) 

Com a desvantagem no placar, Gilson Kleina remontou sua equipe e redefiniu a estratégia. Armou novamente o time no 4-1-4-1, com Naldo entre as linhas e Ravanelli como ``falso nove``, mesma formatação de alguns jogos do Campeonato Paulista e do jogo contra o Botafogo. A ideia é tentar os passes em profundidade para os deslocamentos em diagonal de Lins e Lucca.      
Ponte já com a mudança após o gol.
No intervalo, Gilson Kleina sacou o apagado Ravanelli para a estreia de Léo Arthur, meia que se destacou no Paulistão atuando com a camisa do Audax. Manteve o desenho do final do primeiro tempo, mas colocou Lucca na referência e abriu Elton pela direita, deixando o estreante na faixa central, ao lado de Wendel. Lins veio para o lado esquerdo. As mexidas foram determinantes para a virada da Ponte Preta.

Mais solto e confiante, o time da casa teve duas boas chances no primeiro minuto do segundo tempo, mas não aproveitou e viu a sua vantagem ruir em menos de quatro minutos. A atenção para marcar a Ponte Preta  ficou no vestiário e a Macaca aproveitou a principal deficiência do sistema defensivo do Galo: o lado direito. Em duas belas jogadas de Lins, Wendel e Léo Arthur, a bola encontrou Lucca completamente livre dentro da área para marcar duas vezes e virar o jogo. Méritos da Ponte, que já mostrava um bom jogo de aproximação desde o primeiro tempo, mas falhas clamorosas defensivas dos anfitriões.

Roger resolveu sacar Adilson para a entrada de Maicosuel, trazendo Elias novamente para jogar como volante. Pouco depois errou ao sacar Cazares, um dos melhores do Atlético, para a entrada de Rafael Moura. A mexida distanciou os setores tanto no aspecto ofensivo quanto no defensivo. A equipe passou a ter dificuldades para reduzir espaços da Ponte e começou a levantar muitas bolas na área para Fred e Moura. Algo que vai de encontro à filosofia de trabalho de Roger. Era a busca pelo resultado sem tanto comprometimento em ser fiel a sua forma de  atuar.

O time visitante teve três ótimas chances para ampliar. João Lucas e Lucca obrigaram Victor a fazer boas defesas e Lins tirou tinta da trave em um chute de fora da área. A partida parecia controlada pela Macaca, mas Kleina resolver reforçar o seu sistema defensivo. Também errou ao tirar Wendel, que vinha dando muita dinâmica ao meio-campo, e colocar o experiente zagueiro Rodrigo. Remontou a linha de cinco atrás. Sacou Lins e pôs Claudinho. A Ponte perdeu força no contra-ataque e o Galo aumentou novamente a posse no campo adversário.

O Atlético pressionou e chegou ao gol de empate com Rafael Moura. Após escanteio cobrado da direita, Felipe Santana ganhou a primeira bola e o centroavante aproveitou a falha de posicionamento da zaga da Macaca para marcar. A Ponte ainda teve duas ótimas chances para ficar a frente do placar, mas desperdiçou com Lucca e Nino Paraíba.  

O empate deixou claro que Roger Machado precisa trabalhar o Atlético para conseguir ser mais criativo diante de sistemas defensivos bem fechados e, acima de tudo, consertar os problemas defensivos do lado direito da defesa. Dos cinco gols levados pelo Galo no Brasileirão, quatro foram articulados pelo setor. Já a Ponte mostra que será competitiva mais uma vez. Ciente de suas limitações e da reconstrução com as perdas de Clayson e Pottker, poderia ter vencido o jogo. Executou suas estratégias de forma superior e soube o momento de alterná-las. Kleina faz um grande trabalho!

Por Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout   

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