29 de maio de 2017

Imponente na primeira etapa, reativo na segunda: o Cruzeiro que bateu o Santos na Vila

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Dono de um dos elencos mais equilibrados e qualificados do Campeonato Brasileiro, o Cruzeiro mostrou neste domingo que tem um trabalho tático de qualidade e pode brigar pelas primeiras posições da competição. A vitória por 1x0 sobre o Santos, gol de Thiago Neves aos 36`da segunda etapa, premiou uma atuação que apresentou características distintas nos dois tempos de jogo e, a partir de uma mudança promovida por Mano Menezes, ganhou algo que fez falta em momentos da partida.
Voltando de lesão, Thiago Neves foi decisivo e fez o gol da vitória na Vila Belmiro
O Santos foi surpreendido no primeiro tempo com a marcação adiantada da equipe de Mano Menezes. Não conseguia impor o seu jogo de posse e movimentações inteligentes. Até por isso, foi uma equipe mais trivial, principalmente quando percebeu que poderia ser surpreendido com uma perda de posse ainda em seu campo. Acabou utilizando muitas bolas longas e só conseguia se sobressair quando encontrava Bruno Henrique em situação de mano a mano com o argentino Lucas Romero, mais uma vez improvisado na lateral.
Disposição tática inicial das equipes
O atacante foi responsável pelo melhor lance do primeiro tempo. Curiosamente a jogada partiu de um contra-ataque do mandante Santos dentro da Vila Belmiro, algo incomum, principalmente se levarmos em consideração as características da equipe de Dorival Junior. Fábio fez grande defesa. O treinador santista não dirigiu a equipe na beira do campo, o que coube a Lucas Silvestre, seu filho e auxiliar. Dorival mais uma vez escalou Vladimir Hernández na meia central, na vaga do lesionado Lucas Lima.
Como de praxe, o Santos bem compacto, mas em vários momentos acuado pela postura do Cruzeiro no primeiro tempo
O Cruzeiro de Mano Menezes conseguia ter a posse no campo adversário, sufocou o Peixe em alguns momentos, mas padecia de mais profundidade. Destaque para a dinâmica tática da equipe. No momento defensivo, abria Hudson pela direita e montava duas linhas de quatro com Arrascaeta e Rafael Marques à frente delas. Quando recuperava a posse, o desenho era o 4-3-2-1. Hudson, Henrique e Ariel Cabral participavam ativamente das ações, sempre próximos e alternando movimentos de profundidade e retorno.
Circulados em vermelho, Alisson e Arrascaeta flutuando pela faixa central. Circulado em amarelo, Rafael Marques. Faltou um pouco mais de profundidade. Méritos para a defesa santista, mas também falta de uma melhor coordenação do trio neste princípio
Em fase defensiva, as duas linhas de quatro do Cruzeiro. Hudson abria pela direita e Alisson fechava o lado esquerdo.
Tripé de volantes do Cruzeiro foram a base do jogo da equipe no primeiro tempo. Muito ativos. Os três possuem qualidade para marcar e jogar
Momento de pressão do Cruzeiro no campo de ataque, o que foi uma constante no primeiro tempo.Perceba os movimentos de pressão e compensação para fechar linhas de passe 
Arrascaeta e Alisson circulavam pela intermediária juntamente com Rafael Marques, algo que precisa ser mais bem coordenado caso sejam estes os jogadores nas próximas partidas. O ex-jogador do Palmeiras saía da referência e muitas vezes Arrascaeta ou Alisson não davam a profundidade necessária para as jogadas. A amplitude ficava a cargo dos laterais e o lado preferencial para trabalhar a bola foi o esquerdo, com as constantes chegadas de Diogo Barbosa.

O comportamento da linha defensiva santista também colaborou para que o Cruzeiro não criasse nenhuma chance clara de gol no primeiro tempo. O quarteto do Peixe esteve muito bem posicionado. O mesmo se aplica ao sistema defensivo cruzeirense, que teve Dedé e Léo muito ligados na partida. No intervalo, Dedé sentiu um incômodo muscular e o equatoriano Caicedo manteve o nível no setor.

A segunda etapa começou de forma diferente. Com o bloco de marcação celeste mais recuado, o Santos foi estabelecendo o seu jogo, mesmo sem o lateral Zeca, que saiu lesionado aos dois minutos. Copete entrou em seu lugar. A rotação de bola do alvinegro praiano era mais fluida e havia mais aproximação, principalmente pelos lados do campo.
Nesta imagem vemos algo que ajudou o Santos a melhorar na segunda etapa. Aproximação pelos lados, projeção dos laterais e movimentos de apoio(circulado em amarelo) para manutenção da posse e viradas de jogo
O cenário proporcionou mais participação de Thiago Maia e Renato, muito importantes para tirar a bola da zona de pressão e tentar espaços na fechada zaga cruzeirense. algo que só aconteceu quando Ricardo Oliveira recebeu em profundidade e acertou a rede pelo lado de fora. O centroavante mais uma vez teve atuação abaixo do que pode.

O Cruzeiro perdeu Arrascaeta lesionado e Thiago Neves entrou em campo. Dorival sacou Hernández e pôs Jean Motta. Já Mano, percebendo que sua equipe era dominada na segunda etapa, resolveu povoar mais o setor ofensivo e ganhar a profundidade necessária. Sacou Hudson e colocou Ábila, queimando sua última substituição e montando o time mineiro no 4-2-3-1. Não demorou para os visitantes melhorarem no jogo e voltarem a levar perigo.

Thiago Neves já havia perdido uma grande oportunidade em rápido contra-ataque aos 31 minutos, mas cinco minutos depois o decisivo meia não perdoou. Ariel Cabral, em grande atuação, enxergou o deslocamento em diagonal de Ábila e serviu o compatriota. O centroavante tirou Lucas Veríssimo da jogada e serviu o camisa 30. Dorival ainda tentou tornar a equipe mais ofensiva. Sacou Renato e deu alguns minutos para Kayke, mas era tarde, vitória cruzeirense na Vila Belmiro.
Como as equipes terminaram o jogo

O Santos mais uma vez não conseguiu se impor de forma natural dentro de casa. Por incrível que possa parecer, não jogou pior do que na semana passada, quando venceu o Coritiba, mas as recentes atuações ligam o sinal de alerta de Dorival e mostram a falta que Lucas Lima faz a sua equipe, algo muito natural. O Cruzeiro divide a liderança da competição com o Corinthians e vê o seu jogo coletivo crescer.

Por Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout     

 

        

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