12 de maio de 2017

[Guia do Brasileirão 2017] - Grêmio

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Aos trancos e barrancos, o Grêmio chega ao Brasileirão buscando construir novamente um padrão de atuações para disputar o topo da tabela. De praxe nesse início de ano Tricolor somente as oscilações de desempenho, as dúvidas em relação ao trabalho do treinador Renato Portaluppi, marcado por muitos erros estratégicos, e o rendimento do elenco na temporada. Com um modelo de jogo definido, mas ainda em adaptação, o Grêmio chega ao Brasileirão como um dos bons times do certame, mesclando a base vencedora da Copa do Brasil em 2016 com algumas contratações pontuais, a se destacar o argentino naturalizado paraguaio Lucas Barrios, de impacto quase que imediato no sistema ofensivo gremista.

Luan continua sendo a estrela da companhia. (FOTO: Fernando Gomes/Agência RBS)
RECAPITULANDO

O Grêmio teve um ótimo 2016, visto que foi campeão da Copa do Brasil, quebrando um jejum de títulos importantes de mais de 15 anos. De um início turbulento, mas promissor com Roger Machado a um fim memorável com Renato Portaluppi. O fato é que a equipe mantém uma identidade desde a chegada de Roger Machado lá em 2015. Muitos conceitos sofreram alterações e a qualidade na execução do modelo de jogo teve grandes oscilações, mas podemos afirmar que há uma identidade de jogo por trás desse Grêmio. É um time que prioriza a posse de bola, gosta de trocar passes e envolver todos os seus jogadores, mas também se sente confortável defendendo com os 11 jogadores no seu campo. É uma equipe camaleão, que se adapta às diferentes situações de jogo.


O início de 2017 no Grêmio tem sido de mudanças, por incrível que pareça. Renato Portaluppi tem colocado seus conceitos mais a fundo nos seus comandados e algumas características de jogo da época de Roger Machado já estão se perdendo, como a marcação por zona. É uma equipe que naturalmente sofreria mutações e o processo, também naturalmente, teria percalços e seria questionado, como tem sido. 

MODELO DE JOGO

Essencialmente este Grêmio gosta de ter a bola e verticalizar as jogadas. Naturalmente erra mais e geralmente encontra dificuldades contra equipes com um bom sistema defensivo. O 4-2-3-1 é o esquema tático utilizado como base, variando para um 4-4-2 em linha quando a equipe não tem a bola. Essa variação é um movimento que praticamente todos os times que utilizam o 4-2-3-1 fazem. O 4-1-4-1 também foi utilizado em algumas situações esporádicas, mas provavelmente não será uma opção rotineira durante o Brasileirão.


O 4-2-3-1 gremista com os atuais titulares. (Imagem: Tactical Pad)


Com a saída de Walace no início do ano, o Grêmio perdeu uma das suas peças mais importantes do elenco. O campeão olímpico, juntamente com Maicon, dava equilíbrio ao time, ao mesmo tempo que comandava as ações. A saída do jovem culminou em uma mudança no preparo das jogadas no Grêmio: a dupla de volantes não é mais o ponto central de tudo que acontece quando a equipe tem a bola. Hoje, até pelos grandes períodos sem Maicon, é bem normal ver a saída de bola gremista monopolizada pelas laterais, com as dobradinhas entre laterais e extremos. Os volantes obviamente ainda são participativos, mas o setor já não é mais o controlador das ações.

A variação para as duas linhas de quatro quando a equipe não tem a posse de bola. (Imagem: Tactical Pad)

Postado no campo adversário, o Grêmio geralmente avança um dos laterais e um dos volantes (no lado onde a bola está). O avanço simultâneo dos volantes foi barrado pelo treinador Renato Portaluppi, já que o conceito tornava o time exposto demasiadamente aos contra-ataques rivais. A circulação da bola é prejudicada, mas, na balança, Renato vê a equipe mais equilibrada dessa forma. Sem o auxílio dos dois volantes, cresce ainda mais a responsabilidade do lateral apoiador, geralmente o do lado direito (Edílson ou Léo Moura).


Renato também optou por praticamente abolir a pressão na saída de bola com os dois volantes. É um conceito que exige passar por riscos, já que o adversário pode ultrapassar a zona de pressão e ter muito espaço pra avançar com a bola. O Grêmio continua pressionando a saída de bola rival, mas raramente avança tanto as linhas como avançava com Roger Machado. E também tem um volante a menos na pressão, que geralmente fica na sua posição pra dar cobertura em caso de insucesso do plano.


Além disso, o 4-2-3-1 gremista que levou a Copa do Brasil de 2016 tinha Ramiro como extremo pela direita. Um jogador que naturalmente centraliza bastante, liberando o corredor para a passagem dos laterais. A utilização do jogador na direita seguiu no começo do ano, mas a falta de alternativas para montar a dupla de volantes fez com que ele fosse recuado. Mesmo assim, a entrada de Luan ou Léo Moura por ali não alteram a característica. Pelo lado esquerdo, com Pedro Rocha, o movimento se repete, mas com a diferença que Pedro busca mais a infiltração, enquanto Ramiro/Luan/Léo Moura são mais influentes na circulação da bola e na criação de jogadas.

Uma das grandes críticas ao jogo gremista é o distanciamentos dos setores em algumas partidas. E, sim. acontece muitas vezes. Sem Douglas, lesionado, Miller Bolaños assumiu a posição, mas o time ainda não conseguiu se adaptar 100% a um jogador com outra característica. Muitas vezes Miller aprofunda entre os zagueiros adversários e ninguém busca a bola com os volantes, menos produtivos do que no ano passado. O que gera um Luan solitário tentando fazer a transição e a criação de jogadas ao mesmo tempo, o que tem lhe rendido uma boa queda de rendimento. O equatoriano é o artilheiro da equipe na temporada, mas ainda precisa ser mais participativo na construção das jogadas. Precisa ser mais associativo, ainda mais quando atuar ao lado de Lucas Barrios. 

Um aspecto claro e importante no Grêmio de Renato em relação ao de Roger é o estilo de marcação. Antes, marcação por zona. Hoje, por encaixes de setor. E nas bolas paradas também houve mudança, saindo de marcação por zona para marcação homem-a-homem. Criticadíssimo em 2016 por conta dos inúmeros gols sofridos em bolas alçadas na área, Roger não conseguiu fazer a execução do conceito da resultado. Renato, com um conceito 'menos moderno', conseguiu estancar a sangria e foi fator para o título da Copa do Brasil e que segue na atual temporada, onde a equipe começa a ter problemas na bola aérea defensiva. A questão é o nível de execução e não propriamente o conceito. A pressão pós-perda ainda é um conceito utilizado, principalmente com o avanço dos volantes. 



FALSO NOVE x CENTROAVANTE

O Grêmio joga com a figura do falso nove desde 2015, mas de tempos em tempos surge a dúvida sobre a falta de poder de fogo do time. A direção gremista então buscou uma solução para o problema e Lucas Barrios desembarcou em Porto Alegre, após uma passagem ruim pelo Palmeiras. O paraguaio chegou com grande pompa e, na ausência de Miller Bolaños, foi essencial para a equipe, deslocando Luan para a linha de três meias.

Barrios tem uma média bem bonitinha de gols por minuto no Grêmio e está se adaptando a forma de jogo da equipe, mas historicamente Luan cai de produção fora da função de falso nove. E, aliás, não poderá nem ser o meia atrás do centroavante, posto já ocupado (e muito bem, diga-se) pelo equatoriano Miller Bolaños. Então há uma grande dúvida ainda em relação ao time titular, que deve ainda mudar bastante até o fim do ano. Em 2016, Bobô iniciou o Brasileirão tentando ser o centroavante 'que faltava' ao time, mas naufragou e Luan retomou o posto na referência. Claro que não existe comparação de nível entre Bobô e Lucas Barrios, mas as coisas ainda não são definitivas. O fato é que, se continuar na média de gols, Barrios será titular. Mas ainda teremos um belo debate entre as opções acima.



A grande questão para o Grêmio nesse início do Brasileirão é voltar a ter um padrão de atuações, como o próprio presidente Romildo Bolzan Jr. deixou claro em entrevista coletiva recente. O clube não entra como um candidato ao título justamente pela grande oscilação que enfrenta, mas provou que pode sim brigar pelas primeiras posições. Há um modelo de jogo e um elenco capaz de oferecer opções boas a Renato Portaluppi, que talvez seja a grande incógnita da temporada tricolor. Não há duvidas que o Homem Gol faz bom trabalho, mas até quando? A oscilação recente é natural ou tem relação com o trabalho do treinador? Questões que devem ser respondidas no decorrer do Campeonato Brasileiro.

Por Nicolas Müller - @_nicolasmuller

*Obs: O Guia do Brasileirão do Linha Alta será feito de forma diferente neste ano. Pelas demissões precoces de alguns treinadores, resolvemos analisar a maioria dos clubes no decorrer do campeonato, para evitar que o trabalho fique obsoleto rapidamente, como aconteceu no ano passado. Sabemos que o futebol brasileiro é caótico e vamos nos adaptar a isso. Queremos publicar as 20 análises dos clubes da Série A até a sexta ou sétima rodada do Brasileirão, onde equipes como Vitória e Palmeiras já terão algo a mostrar, no mínimo, no campo conceitual. Um grandíssimo abraço, caro leitor. Att. Equipe Linha Alta.

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