1 de maio de 2017

Análise de Bahia 2 x 0 Vitória - Copa do Nordeste

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O jogo cumpriu com todas as expectativas que o cercavam. Mais uma vez a tensão esteve presente entre os atletas, bem como a intensidade, a entrega e a força mental. Tais fatores anímicos/psicológicos foram agregados às estratégias das duas equipes, produzindo disputas individuais e coletivas dignas de semifinal de Copa do Nordeste. Ao final deu Bahia, executando melhor seu plano tático para derrubar um Vitória que não soube como praticar as ideias que Argel Fucks planejou para o confronto.

As duas equipes mantiveram suas plataformas iniciais, ambas partindo do 4-2-3-1 e variando para 4-4-2/4-3-3 de acordo com o que o jogo pedia. O Bahia teve Edgar Junio funcionando como referência móvel, na tentativa de gerar dúvidas na dupla de zaga rival sobre sua movimentação. Este fator foi um dos mais importantes na construção da vitória tricolor. Já o Vitória foi praticamente o mesmo da partida de ida, apenas com Kieza no lugar de André Lima. A procura era por acionar Euller e David para que estes pudessem criar algo inventivo e eficaz a partir das bandas.


O Bahia, tendo que reverter o resultado, partiu para cima desde o primeiro minuto, adicionando muita vitalidade a cada disputa de bola e se impondo, primeiramente no fator anímico e, aos poucos, introduzindo melhor seus conceitos em organização ofensiva. Allione começou do lado esquerdo, se associando com Pablo Armero e fazendo dobras ofensivas em cima de Patric, muitas vezes desprotegido por falta de coberturas e/ou apoio de David na recomposição. Régis era outro que caía pelo setor para triangular e oferecer o passe agudo e diagonal.

Eduardo gerava amplitude pela direita, com Zé Rafael interiorizando para criar superioridade e atacar os espaços. O Bahia soube variar os lados dos ataques, com o esquerdo sendo o mais combinativo e o direito o de ruptura. Como os volantes avançavam metros para manter a compactação ofensiva, muitas vezes apenas a dupla de zaga ficava no campo de defesa, e mesmo assim posição alta. O perde-pressiona era tão agressivo que impedia qualquer saída qualificada em transição do Vitória. Não buscavam fechar linhas de passe, apenas atacavam ativamente o portador que este rapidamente se livrava da bola sem uma definição clara.


Quando escapava da pressão, o Vitória rapidamente procurava seus extremos. O caminho era claro e único, não havia outras alternativas, o que deixou o time previsível. Euller e David buscavam partir em velocidade em todos os instantes, balizando o jogo em duelos pessoais. Cleiton Xavier foi figura apagada na ida e na volta, pouco contribuindo em todas as fases do confronto. Com isso, o rubro-negro dependeu de inspiração dos seus atletas mais ativos, o que não aconteceu. Patric era outro que subia para ajudar em apoios exteriores, mas com muita imprecisão técnica e tomadas de decisões erradas não conseguiu ser fator determinante.

O Bahia montou duas linhas de quatro na fase defensiva, com encaixes e perseguições curtas no setor. Toda vez que os extremos visitantes tinham a posse, rapidamente o lateral, o volante e um dos atacantes fechavam o espaço, gerando superioridade e condicionando o jogo para trás, não correndo perigo e ainda cansando o Vitória mentalmente. A pouca frescura mental melhores escolhas e ainda impediu que Kieza participasse do jogo, o que tirou profundidade e facilitou o trabalho da dupla de zaga tricolor.


No segundo tempo, Argel percebeu que o time não demonstrava solidez defensiva nem criatividade com a bola. Sacou Geferson, recuou Euller para fazer a ala esquerda e pôs Gabriel Xavier. A intenção era ter mais controle a partir da posse e contundência com um extremo convertido em lateral. O time, teoricamente, queria pausar e combinar desde a esquerda para acionar a referência de Kieza e os desmarques em ruptura de David no lado direito. Claramente começava por um flanco para terminar em outro. Mas com a pouca conexão entre os atletas, o time não se integrou para levar a cabo suas ideias.

Aproveitando a fragilidade do rival e o nervosismo cada vez maior, o Bahia manteve a postura, desta vez com a dupla de volantes mais posicionada, já que a garantia do resultado propiciou maior segurança. Assim, e se apoiando na desestruturação defensiva, Allione, Zé Rafael, Edgar Junio e Régis se procuravam, centralizando na entrelinha e atacando velozmente os espaços às costas de Kanu e Alan Costa. Com a dupla de zaga e a dupla de volantes na retaguarda, os laterais também ganharam mais liberdade de saída, ocupando os corredores externos e permitindo o fluxo interior dos atacantes para causar danos ao rival.


Analisando os dois duelos, o Bahia foi merecedor da classificação por melhor executar seus princípios de jogo e interpretar adequadamente cada nuance oferecida pelo jogo. Chega forte à final, com um time encaixado, sabendo ser ativo e reativo, tendo na dinâmica seu fator mais imprevisível, pois altera o fluxo com que ataca de maneira absolutamente natural. Guto Ferreira faz um ótimo trabalho. O que ainda preocupa é o nervosismo e a pilha com que o elenco atua. Isso pode ser prejudicial em uma final onde os nervos frios poderão ser decisivos.

Ao Vitória fica a sensação de que o time preferiu duelar mentalmente no segundo jogo. Poucas ideias e um ritmo único deixaram a equipe "simples", pois a partir do momento em que seus pontas foram anulados pela marcação, pouco fez de diferente para alterar o rumo do embate. O trabalho de Argel Fucks não é de todo ruim, algumas ideias logo são percebidas, mas não pode ficar refém de velocidade sempre. Temporizar será necessário, até para acrescentar outros argumentos com a posse e desestruturar sistemas defensivos.


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