22 de abril de 2017

Ofensividade, talento, velocidade e Wellington Silva: Fluminense trucida o Vasco no Maracanã

Compartilhe nas redes sociais

Quando Abel Braga foi confirmado como treinador do Fluminense muita gente ``torceu o nariz``, mas a atuação tricolor na semifinal do Campeonato Carioca corrobora algo que já era perceptível antes: o experiente treinador montou um time diferente de tudo aquilo que havia feito na carreira. Exalando criatividade, juventude e rapidez, o time das Laranjeiras fez 3x0 no Vasco e está classificado para a final. Richarlison, Wellington Silva (em grande atuação) e Léo balançaram as redes cruzmaltinas, construindo um resultado que  acabou ficando barato.
Vejam na imagem o retângulo vermelho que mostra o espaço entre os dois zagueiros vascaínos. Rodrigo saiu na cobertura e Rafael Marques não acompanhou para compensar a movimentação. Circulado em amarelo, Wellington Silva se infiiltrou para marcar o segundo gol tricolor.

O primeiro tempo do Fluminense é emblemático para que um balanço do time na temporada seja feito. Os comandados de Abel Braga apresentam conceitos claros e bem executados para produzir ofensivamente. ``Saída de três`` com Orejuela entre os zagueiros, Wendel e Sornoza se movimentando incessantemente. Laterais espetados, quase como pontas. E extremos se movendo bastante no terço final do campo, buscando o enfrentamento individual. Outro princípio do jogo tricolor é a pressão-pós perda, muito bem feita na primeira metade da etapa inicial. E, mais neste jogo especificamente, a marcação bem intensa e adiantada, dificultando a saída de bola rival
Disposição Tática inicial das equipes. Aos 25 minutos, Milton Mendes inverteu Guilherme e Pikachu de lado

Ao mesmo tempo, porém, o Fluminense sofre demais com a bola aérea adversária e os erros individuais de sua dupla de zaga no posicionamento em jogadas básicas. Peca também no número de decisões equivocadas tomadas perto do gol oponente. Faz parte do ``pacote``. Ao mesmo tempo que a juventude traz velocidade de raciocínio e de ação, proporciona precipitação em alguns lances. Todo esse cenário mostrou um Tricolor superior no primeiro tempo, mas que ofereceu ao Vasco as três melhores chances dos 45 minutos iniciais.
Como o Fluminense sai jogando na maioria das vezes. Orejuela, dono de ótimo passe e movimentação, se infiltra entre os zagueiros. Laterais, fora da imagem, bem adiantados. Wendel e Sornoza se oferecendo  como opções de passe para começar a progredir no campo.
Aqui já no segundo momento de criação. Laterais praticamente como pontas, formam uma linha de cinco jogadores no terço final do campo. Por dentro, Wendel, jogador de muito talento e versatilidade, chega como apoio. 
Neste momento o Vasco havia acabado de recuperar a posse, mas reparem quantos jogadores do Fluminense se aproximam da bola e sufocam o volante Douglas. Ao mesmo tempo, Orejuela (linha branca) fecha linha de passe para Guilherme. É a tão decantada pressão pós-perda. O Fluminense evolui neste aspecto

Antes disso, Lucas, Sornoza, Richarlison e Pedro tiveram boas chances de inaugurar o marcador. O Vasco foi crescendo ao longo do primeiro tempo, muito em virtude dos erros defensivos do Tricolor. Coletivamente, foi uma primeira etapa pobre do cruzmaltino. Optou por um bloco de marcação mais baixo, mesmo precisando da vitória para chegar a final. O problema foi a intensidade com que esta marcação foi feita. Muito abaixo da necessária para neutralizar um adversário com tanto repertório ofensivo.

Quando conseguia recuperar a bola, demorava a mudar de atitude. Tinha pouca movimentação para gerar linhas de passe e a rotação da bola era lenta. A saída muitas vezes foi a bola longa para Luis Fabiano. Em uma dela, o camisa 9 ``raspou`` e deixou Nenê na cara de Cavalieri, O arqueiro tricolor botou para escanteio. A bola aérea foi outra arma para o time da colina. Luis Fabiano perdeu grande chance aos 37 minutos.      
Aqui um flagra da movimentação de Douglas (círculo vermelho), que acabou expulso no segundo tempo, mas enquanto esteve em campo foi o único jogador de movimentação mais intensa no Vasco. Neste lance ele aparece na lateral do campo. O camisa 8 sempre busca dar apoio ao portador da bola e tenta infiltrações na defesa rival


No segundo tempo, o Fluminense conseguiu abrir o marcador com apenas cinco minutos. Richarlison, que não vinha jogando tão bem como no restante da temporada, finalizou duas vezes para marcar o seu oitavo gol no campeonato. Precisando do empate, o Vasco se lançou a frente e desorganizou-se defensivamente. Lucas fez grande jogada e enxergou a infiltração de Wellington Silva entre os zagueiros vascaínos. Jogada construída pelos dois melhores jogadores em campo e gol de letra do camisa 11 tricolor.

Precisando de três gols para se classificar, o Vasco se destemperou e Douglas foi expulso ao fazer falta sem bola em Wellington Silva aos 15 minutos. Onze minutos depois, a vitória tricolor ficou ainda mais elástica. Sornoza bateu falta na cabeça do lateral Léo e ele marcou o terceiro. Até o apito final, o Fluminense teve espaços e só não fez mais gols porque teve muito preciosismo no momento de definição.

Foi a primeira derrota de Milton Mendes no comando do Vasco. O trabalho do promissor treinador mostra evoluções neste princípio, mas ficou claro,diante de um adversário de nível técnico superior e igualmente motivado,a distância para se ter certeza de um Brasileirão tranquilo. Milton terá cerca de 20 dias de trabalho e precisará de reforços para elevar o nível de seu time.

Já o Fluminense pode ter certeza que possui um time com alto poder de fogo e muito criativo. É a equipe da Série A que mais fez gols nesta temporada. Obviamente o Brasileirão traz uma realidade diferente e Abel, assim como Milton, também precisará de reforços, sobretudo para o sistema defensivo.

Por Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout

Deixe um comentário

Todos os comentários postados são de responsabilidade de seus autores. É necessário estar logado no facebook para comentar.

 

Bem-vindo ao Linha Alta. Site com conteúdo futebolístico.

© Linha Alta 2016

Edited by Douglas Menezes