15 de abril de 2017

O Internacional encontrou um padrão de jogo sob comando de Antônio Carlos Zago

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De antemão, aviso que considero o 'padrão de jogo' uma série de conceitos que o time tenta repetir dentro das partidas. O desempenho, o nível da execução pode variar, mas o padrão (o JEITO que o time joga e busca seu objetivo dentro da partida) deve seguir uma linha. Então, sim, o Internacional encontrou um padrão de jogo. Ainda falta elevar o nível da execução e conseguir estar dentro da partida durante os 90', mas depois de um longo período na base do bumba-meu-boi, é notável a evolução colorada.

Rodrigo Dourado, em ótima fase, foi o autor do gol da vitória colorada. (Foto: Ricardo Duarte/SC Internacional)
Contra um organizado, mas pouquíssimo inspirado Caxias, o Inter saiu vencedor no primeiro confronto das semifinais do Campeonato Gaúcho, com um gol solitário de Rodrigo Dourado. Edenílson, baixa de última fora, deu lugar a Roberson na escalação colorada, o que alterou um pouco o desenho tático da equipe. O esquema com o atacante é o 4-3-2-1, a famosa árvore de natal. É uma alternativa bastante utilizada pelo treinador, então não houve uma grande mudança. Nem mesmo o deslocamento de D'Alessandro para o tripé de meio-campistas foi novidade.

Mesmo em um esquema diferente, a equipe buscou fazer as mesmas coisas que faz jogando com o argentino de enganche, já que possui alguns conceitos já bem consolidados, como a saída de três, a amplitude com os laterais, a participação ativa dos volantes e D'Alessandro na construção do jogo, a movimentação dos atacantes e o perde-pressiona.


O começo da construção colorada, que é basicamente sempre por baixo, tem como base a saída de três com os dois zagueiros abrindo e Rodrigo Dourado recuando. Além de gerar superioridade numérica contra os atacantes adversários, ter três homens atrás permite que os laterais avancem simultaneamente, como vemos na imagem abaixo. Os laterais afundam e 'pisam' na linha lateral, o que gera a amplitude, expressão que já está no linguajar de todos. Com o time 'alargando' o campo, o trabalho dos meias e dos atacantes fica menos difícil, já que a equipe adversária precisa se espaçar pra marcar de perto os laterais, fazendo com que espaços apareçam para uma movimentação, uma infiltração ou um passe. O plano colorado tem sido esse, embora nem sempre dê certo.



Uma mudança bastante perceptível na comparação dos dois esquemas é a diferença com que o Inter se retrai quando o adversário tem a bola e busca construir. No 4-3-1-2 habitual, há uma tentativa de 4-4-2 com o retorno de Nico López pela direita e a movimentação de Uendel pela esquerda, mas o uruguaio ainda é bastante instável na parte tática, então na maior parte do tempo a equipe se fecha com os três volantes e D'Ale e os dois atacantes buscam pressionar. No 4-3-2-1, com Roberson no ataque, a equipe conseguiu montar um 4-4-2 com maior facilidade, mas o desempenho defensivo não foi muito superior ao normal.

Ainda há muitas coisas para corrigir e muito trabalho para ser feito - o segundo tempo em ritmo baixo evidencia isso -, mas o Inter tem um padrão de jogo nesse momento. Os jogadores sabem o que precisam fazer e porquê precisam fazer. Depois da bagunça que foi 2016, ter um time que saiba o que fazer em campo já é um alento para a torcida colorada.


Por Nicolas Müller - @_nicolasmuller

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