19 de abril de 2017

O equilíbrio que desequilibra: os detalhes da classificação da Juventus no Camp Nou

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O histórico era desafiador: segurar uma vantagem, mesmo que de três gols, contra o ataque mais poderoso do Mundo e diante de um adversário com retrospecto favorável neste tipo de confronto. Mas a Juventus passou! Segurou o empate sem gols com o Barcelona no Camp Nou e está classificada para as semifinais da Champions League. Triunfo conseguido a base de muita organização defensiva e estratégia para inutilizar as principais armas blaugranas.
Chiellini, um dos símbolos da forte Juventus, desarma o craque Messi. Foto: JuventusFC


Confira como foi o jogo de ida

Escalada da mesma forma da partida de ida, quando venceu por 3x0 em Turin, a Juventus fez um primeiro tempo perfeito no Camp Nou. Não se retraiu desnecessariamente, subia suas linhas a medida que o time culé tentava executar a sua saída curta com os zagueiros, demonstrou intensidade na marcação e muita coordenação para fechar espaços e realizar coberturas. Com a bola, procurou tirar a velocidade do jogo quando conseguia vencer a pressão pós-perda dos catalães e foi perigoso com Higuain em duas ocasiões.
Disposição Tática inicial das equipes

Destaque para Pjanic, tirando a bola da pressão barcelonista em alguns momentos. Khedira, subindo a marcação com muita força e matando a saída com Busquets. Mandzukic, centroavante de ofício, mas demonstrando leitura tática impressionante ao compensar o espaço deixado por Khedira na subida de marcação, totalmente adaptado ao flanco esquerdo do campo. Cuadrado, Higuain e Dybala, referências para a manutenção da posse no campo ofensivo. Além da sempre organizadíssima linha defensiva, liderada pelos ótimos Bonucci e Chiellini.
Flagra da subida de marcação da  Juve: Khedira, circulado em vermelho, sempre tirando o espaço de Busquets. Circulado em branco, o ``centroavante`` Mandzukic, que prova como é possível se adaptar a uma nova função mesmo sendo um atleta experiente. Quando o alemão se adiantava, o croata compensava, fechando o espaço no meio e abrindo quando a bola ia para o seu setor, leitura perfeita!  
Aqui já defendendo em seu campo. Circulados em vermelho, Cuadrado e Mandzukic praticamente se alinham ao quarteto defensivo, montando uma linha de seis e impedindo qualquer penetração do Barcelona. À frente do sexteto, Pjanic e Khedira demonstrando ótima coordenação, assim como Dybala e Higuain.  

O Barcelona, novamente com linha de quatro atrás, passou a ter mais a posse de bola após os 15 minutos. Mais uma vez Luis Enrique trouxe Messi para a região central, formando uma espécie de losango no meio-campo e deixando a amplitude pela direita a cargo de Sergi Roberto. A ideia era manter a posse com aproximação por dentro, encurralar a Juve e fazer a bola chegar aos lados no terço final do campo.
Messi, circulado de branco, novamente na faixa central, formando uma espécie de losango para que os blaugranas tivessem aproximação no setor . Faltou mais peso no jogo pelas pontas e infiltração. 
Para preservar Messi(circulado em branco), Rakitic (circulado em vermelho) abria pela direita no momento defensivo e montava uma linha de quatro no meio. O argentino teve poucas obrigações defensivas novamente

Do outro lado, porém, havia uma equipe que se defendia muito bem também quando via-se pressionada. Cuadrado e Mandzukic praticamente formavam uma linha de seis ao juntarem-se ao quarteto defensivo. Muito complicado entrar na melhor defesa da Champions League. Chance clara mesmo, o time da casa só teve uma, desperdiçada por Messi aos 18 minutos. A dificuldade para criar foi irritando os culés, e o árbitro Bjorn Kuipers passou a ser alvo de seguidas reclamações. Neymar, sofrendo com o cenário, deu ênfase ao nervosismo ao levar amarelo por falta sem bola em Pjanic.

Na segunda etapa, o panorama não se alterou muito, exceto por um pouco mais de espaço encontrado por Messi entre as linhas italianas. Marcar com a mesma intensidade e concentração durante os 90 minutos não é tão fácil, principalmente para Pjanic e Khedira, dupla que se notabiliza muito mais pela construção de jogadas do que pelo combate. O argentino conseguiu três finalizações perigosas de média distância, mas a Juventus respondeu com dois contra-ataques assustadores com Cuadrado.

Luis Enrique sacou Rakitic e colocou Paco Alcácer para Luis Suárez, muito apagado, ter mais companhia. Posteriormente tirou Sergi Roberto e pôs Neymar aberto pela direita, formando praticamente uma linha de cinco ``atacantes``, já que Pique virou centroavante na metade final da segunda etapa. Massimiliano Allegri respondeu ao botar Barzagli e montar uma linha de cinco na defesa. Asamoah e Lemina também foram utilizados para manter a solidez defensiva alvinegra.
Este foi o panorama na reta final do jogo.

A classificação da equipe de Turin é justíssima por toda a competição feita e pela organização demonstrada nos 180 minutos do duelo, bem superior a do Barcelona. Allegri, em sua terceira temporada na ``Velha Senhora``, pode sonhar acordado com o tricampeonato da Champions para a Juventus.      

Por Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout

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