28 de abril de 2017

Grêmio 4-1 Guarani: o bom trabalho de Renato Portaluppi e as mudanças de 2017

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Cada vez mais 'Renato', o Grêmio segue mantendo um ótimo nível de competitividade, mas começa a ter maiores diferenças em relação ao time deixado por Roger Machado. Mais vertical e cauteloso, menos controlador. A equipe que já tinha um bom jogo sem a bola mesmo antes da chegada do atual treinador, se sente ainda mais confortável agora nesse estilo de jogo, enquanto, com a posse, reserva mais segurança defensiva e dá menos passes (usa muito mais o jogo direto), mas continua na média de finalizações e chances de gol criadas.

O paraguaio Lucas Barrios marcou um hat-trick na vitória tricolor sobre o Guarani. (FOTO: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)
Ainda em 2016, Renato fez grandes modificações no modelo de jogo gremista. Mudou a forma de marcação (antes zona, agora com encaixes) com bola rolando e em bolas paradas, barrou o apoio simultâneo dos laterais e volantes e adaptou um time essencialmente controlador a jogar mais sem a bola. O título da Copa do Brasil comprova que as mudanças deram um belíssimo resultado, mas e agora nessa nova temporada? 



Bom, o Grêmio continua na mesma toada do final de 2016, mas tendo que propor mais o jogo pelos adversários enfrentados nesse início de temporada. É um time que não tem tanta desenvoltura pra controlar a partida como tinha com Roger Machado, até pela saída de Walace e as lesões consecutivas de Maicon. Mas também por mudanças na forma de jogar. Não há mais a busca incessante pelo controle da partida com ou sem a bola, mas sim um time maleável e que sabe se comportar em praticamente todas as situações de jogo, com maior competência em algumas, é claro. 



Se perde flexibilidade ofensiva sem o avanço dos volantes e laterais ao mesmo tempo, o Grêmio ganha com segurança defensiva. Futebol, acredito eu, é um jogo de opções. Não existe muitas coisas certas ou erradas no meio, mas sim opções. O Portaluppismo opta por cautela, enquanto Roger Machado vai pelo outro lado. São gostos, estilos diferentes. Por isso a comparação surge a todo momento e é necessário entender o que está acontecendo. Há muito do ex-treinador, mas o trabalho do Renato Portaluppi é muito bom. É um estilo diferente do seu antecessor, mas não deixa de ser moderno. Não há mais a amplitude com os laterais, não há mais os volantes dominantes, nem saída de três e talvez não vejamos mais Luan Guilherme como falso 9, mas há muita coisa positiva no trabalho, inclusive coisas que Roger Machado não foi capaz de implementar. 

As coisas podem desandar completamente em um mês - como aconteceu com Roger -, mas não há motivos para a aversão de muitos com o trabalho que está sendo feito, que está longe de ser perfeito, mas igualmente longe de ser ruim. O perfil anti-moderno de Renato Portaluppi não pode abalar o que de fato deve ser analisado: o futebol, o trabalho dentro do campo.


O Grêmio está tendo facilidades na Libertadores por estar em um grupo com três times que defendem bastante mal. No Gauchão sofreu com boas defesas como a do finalista Novo Hamburgo, então a temporada ainda precisa dizer se os problemas ofensivos do Tricolor são tão grandes assim. A dificuldade na criação de jogadas contra defesas bem postadas não é de hoje também, é um defeito crônico da equipe, embora seja um dos melhores times com a bola no pé do Brasil.

Aliás, o Tricolor finalmente tem um elenco realmente bom. A joia Arthur, que entrou no lugar do Miller Bolaños, pede passagem, assim como Lucas Barrios. Mas Pedro Rocha é importantíssimo taticamente e Luan Guilherme é o craque do time. De falta de talento à disposição Renato não poderá reclamar quando precisar suprir problemas ofensivos.

Por Nicolas Müller - @_nicolasmuller

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