19 de abril de 2017

E agora, Zé? As opções do Flamengo para substituir Diego

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Há uma semana o torcedor do rubro-negro carioca não consegue ter paz. O problema não é o rendimento da equipe. Por mais que tenha feito quatro jogos ruins em sequência antes da ótima atuação e da vitória sob o Atlético/PR na última quarta-feira, a equipe respondeu no momento esperado. O motivo da insônia da maior torcida do Brasil atende pelo nome de Diego Ribas. Ou melhor, a ausência dele. Emergente desde o ótimo trabalho feito na temporada passada, o jovem técnico Zé Ricardo tem um teste e tanto para mostrar sua capacidade. Como resolver este problema?
Com lesão no joelho, Diego ficará de quatro a seis semanas fora do time do Flamengo. Só deve voltar nas oitavas da Libertadores, caso o rubro-negro se classifique. Foto: Staff Images/Divulgação 

Antes de mais nada é bom frisar a falha de planejamento da diretoria rubro-negra na montagem do elenco. O suplente direto de Diego em 2016 era o talentoso Alan Patrick. Por mais que seja um atleta irregular, o atual jogador do Shakhtar Donetsk servia muito bem quando acionado. Os números comprovam. Fez oito gols e deu seis assistências na temporada passada. Sem dinheiro para comprar os direitos do meia, a diretoria rubro-negra o ``substituiu`` por Dario Conca no elenco.
Prestes a completar um ano no comando técnico do Flamengo, Zé Ricardo pensa para resolver o seu maior desafio tático até o momento. Foto: Gilvan de Souza/CRF

O atleta argentino é conhecidamente mais talentoso e vencedor que Alan, mas ainda não está apto a jogar em virtude de uma lesão no joelho. O que sobra? Mancuello? Éderson? Gabriel? Os jovens Matheus Sávio e Lucas Paquetá? Será que todos os citados podem de fato fazer a função de Diego?

O cara do time

Meia central do 4-2-3-1 rubro-negro, Diego Ribas é a referência técnica e tática da equipe. Muito disposto a ser protagonista e extremamente dedicado em todos os sentidos desde que chegou, o atleta revelado pelo Santos é fator importante no plano de jogo do Flamengo. Movimenta-se intensamente se oferecendo como opção de passe nos dois momentos da fase ofensiva, troca de posição com os extremos, ``pisa`` na área para fazer companhia a Guerrero e comanda o primeiro combate da equipe sem bola. Encontrar alguém que execute tudo isso com a mesma capacidade de Diego não é nada fácil.
Flamengo joga no 4-2-3-1 e Diego é o meia central da equipe. Participa demais do jogo.
Nesta imagem, podemos observar dois dos comportamentos do meia quando o Flamengo está construindo o seu jogo. Em alguns momentos, recua para auxiliar no principio do momento ofensivo e em outros se junta a Guerrero mais à frente. Percebam que o rubro-negro utiliza na grande maioria das vezes a ``saída de três`` com Marcio Araújo entre os zagueiros. Pará se projeta pelo lado direito, Éverton mantém a amplitude pela esquerda e o peruano Trauco `pisa`muito na faixa central para auxiliar Diego e Arão nesta transição.
  
Em momento defensivo, Diego se alinha a Guerrero e dá o primeiro combate. Comanda a subida de linhas com intensidade. É importante também neste aspecto

Mancuello
Muitos o consideram o reserva natural de Diego, mas a grande maioria tem esta noção sem a devida observação e conhecimento sobre o histórico e as características do jogador. O argentino nunca atuou como meia central no 4-2-3-1. No Independiente jogou como ``meia interior`` pela esquerda em um 4-3-3 e partindo do flanco esquerdo em um 4-4-2 em linha. Mancu é ``ponta construtor`` nato. O que é isso? Um meia que parte do lado do campo e aproveita o espaço entrelinhas nas costas dos volantes adversários. É um jogador que precisa ser elemento surpresa na região central do campo. E não um atleta que parta de um posicionamento mais central. Não tem dinâmica de movimentação e possui dificuldades para jogar de costas para o marcador.
Na hipótese de Mancuello ser o escolhido esta seria a formatação tática mais indicada 

Se escalado de forma correta, como vem sendo desde o início deste ano por Zé Ricardo e em algumas ocasiões na temporada passada, oferece bons passes e um potente chute de fora da área. Para entrar na equipe, seria mais adequado uma mudança no desenho tático para o 4-1-4-1. No momento de recomposição, porém, não possui a leitura de espaços correta e necessária para manter a compactação e o bom sistema de coberturas. Nos números se destaca na quantidade de assistências dadas para finalização por jogo, algo que reflete o bom aproveitamento quando escalado na sua função: ``ponta construtor``.

Lucas Paquetá
Promovido este ano aos profissionais, é um jogador muito talentoso. Meia central de fato! Canhoto, habilidoso e preciso nos passes finais, mas ainda inconstante. É capaz de fazer uma linda jogada em partida que vai mal e inverter a ordem também. Seria uma aposta, mas difícil de crer numa continuidade como titular. Joga também como ``meia interior`` no 4-1-4-1, o que o faria dividir a responsabilidade com Willian Arão. Talvez uma alternativa interessante para Zé Ricardo.

Nas estatísticas, se destaca no baixo número de bolas perdidas por jogo e também nos dribles. Chega bem perto de Diego nas finalizações certas e na média de gols. Um jovem de muito potencial!

Matheus Sávio
Tem a mesma idade de Paquetá, mas possui mais rodagem nos profissionais, tanto que substituiu Diego no segundo tempo conta o Atlético/PR e não comprometeu. Atua como meia central ou aberto pela esquerda, executando função parecida com a que Mancuello é especialista. Tem mais mobilidade que o meia argentino, porém, e também velocidade de raciocínio. Costuma arriscar bastante e se destaca no número de assistências que dá para a finalização. Parece um pouco na frente de Paquetá numa disputa individual entre os garotos, mas também é difícil imaginá-lo tendo sequencia entre os titulares.


Gabriel
No clube desde 2013, Gabriel é muito perseguido pela torcida rubro-negra. Isto deve-se pela enorme expectativa criada com a contratação do baiano, mas o pouco retorno mediante o cenário inicial. Gabriel é útil ao elenco! Está longe de ser um craque, um titular incontestável, mas um jogador capaz de executar razoavelmente todas as funções na linha de três meias. Tem como trunfo a habilidade e a intensa movimentação, algo muito importante para a função. Peca nas finalizações e na potência física.

Funciona muito mais como um segundo atacante do que um articulador. Partindo do centro, pode explorar bem as diagonais entre os zagueiros e laterais adversários, dá profundidade à equipe, mas seriam necessários dois volantes com maior poder de articulação caso fosse o camisa 17 o escolhido. Somente Willian Arão, sem Rômulo, Ronaldo ou Cuellar, sobrecarregaria o primeiro momento de construção de jogadas.

Trauco
Depois da bela atuação contra o Atlético/PR pela Libertadores, o peruano Trauco virou uma opção para o meio. Não que ele tenha feito a função de Diego ou possua características vitais para executá-la. Atuou pela esquerda na linha de três meias, mas tem poder de articulação e leitura de espaços acima da média. Pisa muito na faixa central mesmo atuando como lateral e tem um passe muito qualificado. Não é à toa que já deu quatro assistências para gol no Estadual e uma no torneio continental.

Poderia ser ``meia interior`` pela esquerda num possível 4-1-4-1, revezando o trabalho de articulação e infiltração com Willian Arão. A equipe ganharia também no momento defensivo, pois Trauco é lateral de ofício e tem bem assimilado os conceitos de recomposição. Tem ótimas estatísticas de drible e passe, acrescentaria talento ao setor.

Rômulo 
Contratado para ser titular da volância ao lado de Willian Arão, Rômulo não conseguiu oferecer o mesmo equilíbrio que Marcio Araújo dá ao time e acabou perdendo a condição de titular. Pode ter nova chance com a ausência de Diego. Zé Ricardo testou o ex-Vasco nos treinamentos no Ninho do Urubu formando um 4-1-4-1 como ``meia interior`` ao lado de Willian Arão. Não tem característica de movimentação para atuar ali. Seu estilo de jogo combina mais com a função mais recuada do meio, mas poderia fazer o time ganhar numa proposta de jogo mais reativa, o que pode ser a realidade do jogo contra o Atlético/PR no próximo dia 26 de abril pela Libertadores.


Conca e Éderson
Dois jogadores com características diferentes. Conca, não fosse o problema médico já citado, seria o substituto ideal para Diego. Em forma, possui muita qualidade técnica e de movimentação para o setor. Já Éderson, não! Tem técnica apurada e talento, mas não atua como meia central desde os tempos de Seleção Brasileira Sub-17. Fez a sua carreira atuando aberto pela esquerda, ajudando na articulação pelo centro como elemento surpresa e entrando bastante na área. A dinâmica de movimentação é outra, exige mais do atleta e, no caso de Éderson, há nove meses sem jogar uma partida oficial, a readaptação seria ainda mais complicada.
Tabela com estatísticas dos candidatos a vaga. Em vermelho os melhores números de cada fundamento, em verde os segundos melhores. Diego lidera quatro dos oito itens importantes para a função. Lucas Paquetá é o que mais se aproxima. Trauco e Matheus Sávio também vão bem. Os números são relativos ao Campeonato Carioca. Fonte: Footstats 

As ``cartas`` estão na mesa e Zé Ricardo tem uma gama de opções para escolher a melhor delas, a que vai oferecer menos prejuízo e aproximar a equipe do rendimento que é realidade quando Diego está em campo. E você? Já escolheu a sua?

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Edited by Douglas Menezes