28 de abril de 2017

Análise de Vitória 2 x 1 Bahia - Copa do Nordeste

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Pela semifinal da Copa do Nordeste, o Barradão recebeu a partida de ida entre Vitória e Bahia. Um jogo emocionante do início ao fim, com as duas equipes muito nervosas em campo, lutando por cada dividida na tentativa de não deixar o rival estabelecer sua proposta de jogo. Ambos tiveram momentos de controle, mas o alto número de transições foi a marca da partida. Sempre em busca da aceleração e com a tensão escancarada, várias chances foram criadas neste contexto, com os sistemas defensivos inseguros para executar as estratégias planificadas para a partida.

O Vitória veio com Uilian Farias e Bruno Ramires como dupla de volantes bem física e de imposição para liberar bem os pontas David e Euller, com liberdade de movimentação e escolhas. Patric também apoiava muito pela direita aproveitando deficiências de marcação de Pablo Armero. O Bahia escalou Allione e Edgar Junio nas pontas para recomporem e saírem em velocidade, principalmente nos corredores laterais. Régis municiava e Hernani era a referência para temporizar e fazer paredes.



Jogando em seus domínios e com apoio da torcida, o Vitória começou tentando colocar a bola no chão desde a saída, com os dois zagueiros contando com os apoios de Uilian Farias e Bruno Ramires. Os laterais Patric e Geferson ficavam bem abertos. alargando o campo e expandindo a defesa do Bahia. Desta forma, David e Euller (extremos) geravam jogo por dentro, seja em duelos individuais ou tentando acionar André Lima na referência para associações diretas. Cleiton Xavier não entrou no jogo, sendo passivo à marcação e pouco quebrando linhas em passes verticais.

Porém, com a bola, o time de Argel demonstrou dificuldades ao criar chances pela não ocupação racional do terreno de jogo. Quando a posse estava em poder dos volantes, estes tinham poucas opções de apoios verticais, pois tanto os extremos quanto o meia central afundavam praticamente juntos a André Lima, o que facilitava o trabalho defensivo tricolor, principalmente com Renê Júnior e Edson, interceptando muitas bolas e iniciando as transições ofensivas. Assim, o rubro-negro arriscava cruzamentos da zona de 3/4 com Patric, obtendo até alguma eficácia graças à insegurança da dupla de zaga adversária.

Mais reativo, com 1 x 0 no placar e com um jogador a menos, Guto Ferreira sacou Régis para a entrada de Zé Rafael, visando exatamente os problemas na construção do Vitória e aproveitando as costas de Patric e Geferson. A estratégia funcionou, pois o clube sempre chegava em superioridade posicional em relação à zaga rubro-negra após acelerar ao recuperar a posse de bola. Os erros ficavam por conta de más execuções técnicas dos atletas e de tomadas de decisões equivocadas para finalizar as jogadas.


O jogo extremamente transicional no primeiro tempo facilitava o Bahia, pois ganhava espaços mesmo com um jogador a menos. O Vitória sem uma construção eficiente, aliado ao nervosismo imperante no jogo, se precipitava nos passes ou forçava demais lances individuais, fazendo seu gol no único momento em que conseguiu triangular e acionar a referência. O grande destaque foi David, autossuficiente a partir do lado direito e bagunçando o sistema defensivo penetrando e/ou combinando com Patric.

A segunda linha de marcação do Bahia se postava na intermediária defensiva e basculava para o lado da bola. Se beneficiando da má colocação dos jogadores adversários, os tricolores facilmente interceptavam os passes, principalmente na zona central. A partir daí, Allione, Zé Rafael e Edgar Junio realizavam desmarques de ruptura em diagonal para desprevenir a retaguarda rubro-negra e permitir ocasiões aos tricolores.


Logo no início do segundo tempo, já com a virada concretizada, o Vitória conseguiu obter um pouco mais de controle das ações, pois já não enchia de jogadores no último terço. A distância vertical diminuiu e compactou ofensivamente, facilitando a troca de passes para criar espaços e cansar o adversário. Cleiton Xavier já se posicionava um pouco mais atrás, trocando passes com Euller e Bruno Ramires. A banda direita continuou sendo basicamente de ruptura e ataque aos espaços.

Devido ao desgaste natural, o Bahia já não levava tanto perigo nas transições ofensivas e suas coberturas já não eram eficientes. Edgar Junio ficava muito isolado, com Allione e Zé Rafael preocupados em defender as investidas dos mandantes. Porém, mesmo com o cenário um pouco mais tranquilo e com maior domínio do Vitória, o time de Argel ainda procurava muito os cruzamentos, já que vinha levando notória vantagem pelo alto. Paulinho e Dátolo entraram para garantir mais fôlego ao final, mas pouco acrescentaram ao desenvolvimento do jogo.


O triunfo por 2 x 1 para o Vitória acabou sendo justo, dadas as circunstâncias e o que foi apresentado em campo. A eliminatória continua aberta, com chances reais para os dois lados e a promessa de mais um Ba x Vi eletrizante na Fonte Nova. Os comandados de Guto Ferreira não contarão com Hernani e Gustavo, talvez tendo que alterar a configuração e o modo como atacam para reverter o resultado. Já o time de Argel Fucks terá que ocupar melhor os espaços e pressionar após a perda para não se expor tanto em território adversário. Euller e David serão suas maiores armas para brecar e construir pelos flancos.

O duelo da volta promete tanto quanto o primeiro jogo. Os ânimos exaltados também poderão ser a marca do duelo, redefinindo estratégias e norteando atuações. Impossível se prever ou fazer prognósticos com exatidão, dadas as nuances que envolverão tal partida, a única certeza é que nada está definido e que mais um grande jogo se aproxima entre os rivais baianos.

Por Caíque Silva - @remotatico

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