29 de abril de 2017

Análise de Sport 1 x 2 Santa Cruz - Copa do Nordeste

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Do outro lado da chave semifinal da Copa do Nordeste, foi a vez dos rivais pernambucanos Sport e Santa Cruz se enfrentarem na Ilha do Retiro pela partida de ida da fase. Como de praxe na fase aguda da competição, as duas equipes nos brindaram com um jogo emocionante, nervoso, repleto de nuances e ingredientes que compõem a cultura do futebol nordestino. Ao final do jogo, vitória do Santa Cruz por 1 x 2, mas que ainda deixa o confronto totalmente aberto para mais um grande embate na volta no Arruda.

O Sport foi escalado por Ney Franco com um trio na frente formado por Juninho, Diego Souza e André, garantindo imposição física, presença de área e bom jogo aéreo. Ritchely, Ronaldo e Fabrício vinham logo atrás dando sustentação à zaga e suporte para a movimentação do trio, sempre trocando de peça na referência para confundir o setor defensivo rival. O Santa Cruz escalou uma boa dupla de volantes para tentar brecar o passe vertical e trabalhar a bola mais pausadamente quando em posse. Léo Costa e Tomás armavam a partir dos corredores laterais em 3/4, sempre centralizando no momento de escolher qual caminho seguir.


Desde o início o Leão da Ilha buscava se impor a partir do físico na frente, tendo em Diego Souza seu vértice para a temporização, duelos individuais e posterior definição das jogadas, seja finalizando ou servindo algum companheiro. Porém, aos poucos o sistema defensivo tricolor foi neutralizando, de certa forma, tal jogada a partir da cadência na troca de passes, evitando precipitações que pudessem expor sua zaga às rápidas transições ofensivas dos mandantes. Destaque para Elicarlos e Davi, muito conscientes na lateralização do jogo.

Quando chegavam ao campo de ataque, buscavam Léo Costa ou Tomás para que estes pudessem ser o elo criativo que acionasse Halef Pitbull e Pereira. Ambos faziam a diagonal interna, provocando com bola, atraindo os encaixes e liberando os laterais, principalmente Tiago Costa pela esquerda. Quando um dos meias era o portador, o outro fazia desmarque em ruptura para a área, garantindo densidade e superioridade perante os zagueiros. Assim, suportados pelos dois volantes como retornos, o Santa se pôs à frente no marcador.


Após o primeiro gol, os visitantes baixaram o bloco, em proposta um pouco mais reativa, cedendo terreno para que o Sport se colocasse em campo rival. O Leão passou a utilizar mais os flancos, principalmente o direito, com o apoio constante de Samuel Xavier, amparado por Ritchely e Diego Souza, que caíam para as triangulações e dobras ofensivas sobre Tiago Costa. A intensidade rubro-negra aumentou, com a equipe pressionando mais com e sem a bola, diminuindo o tempo de reação após a perda.

Com esta movimentação, Juninho e André atacavam a área para empurrar a última linha e gerarem profundidade ao time. Destaque também para as paredes que André e Diego Souza realizavam, sempre trazendo consigo alguém da linha de trás. Assim o Sport cresceu no jogo e começou a empilhar chances, geralmente a partir da direita e terminando no outro lado. Porém, após o pênalti convertido em gol, a equipe pecou nas finalizações, dando sobrevida ao Santa Cruz.


No segundo tempo o panorama foi mais ou menos o mesmo do final do primeiro. O Santa se retraiu mais na primeira metade da etapa complementar, tapando melhor suas deficiências advindas de alguns encaixes equivocados e fechando melhor os espaços. Lênis entrou para desafogar o lado direito em velocidade, passando Diego Souza ainda mais para o centro em companhia a André. Isso tirou a fluidez que a equipe vinha tendo nas associações, deixando a cargo de Ritchely e Fabrício os passes que deveriam quebrar as linhas rivais, o que não se mostrou a estratégia mais acertada para a ocasião.

Após a entrada de André Luís no lugar de Pereira, porém, o tricolor passou a ter uma válvula de escape para as transições ofensivas. Com os mandantes avançando linhas, o atacante entrou para ativar diagonais a partir da esquerda em jogadas individuais, servindo o centroavante e aliviando a pressão rubro-negra. A cada vez que portava a bola, o Santa levava algum perigo à meta de Magrão. Em uma dessas arrancadas desarrumando todo o sistema defensivo rival, o Santa Cruz voltou a frente no placar com Halef  Pitbull, sacramentando o resultado.


O Santa Cruz sai vencedor pela efetividade na execução de sua estratégia. Soube ser inteligente nos momentos oportunos para frear o ímpeto rival, seja trocando passes pausadamente ou acelerando no final. Vinícius Eutrópio soube ler corretamente o que a partida impôs, fazendo exatamente o necessário para vencer. A tranquilidade e a inteligência para pôr em prática o que era pedido chamou a atenção. fator preponderante na hora de converter as chances.

Ao Sport fica a lição de não desperdiçar chances contra um rival em um mata-mata. Seguiu seu modelo e realizou conceitos interessantes, notadamente na organização ofensiva, mas pecou na execução técnica dos lances, o que custa caro nestas situações. Porém, segue vivo na briga e tendo chances de conseguir a classificação. O Arruda receberá mais um grande clássico, digno da tradição nordestina em oferecer duelos absolutamente imprevisíveis.

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Edited by Douglas Menezes