29 de março de 2017

O homem que o Brasil precisava

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O Brasil vai à Rússia. E não como um convidado de luxo. Vai pensando em ganhar. Após uma vexatória campanha em 2014, a Seleção volta a animar e, mesmo com as Eliminatórias ainda rolando, se põe como uma das favoritas na terra dos czares. Tudo isso é mérito de Tite e sua comissão técnica, que conseguiram resgatar a essência do futebol brasileiro e ao mesmo tempo imprimir modernidade e trabalho para fazer as coisas acontecerem. 

(Foto: VANDERLEI ALMEID/AAFP/Getty Images)
A boa fase da Canarinho gera debate, uma das coisas necessárias para a evolução. Por que essa Seleção joga bem? Por que os 'chineses' Paulinho e Renato Augusto são titulares e jogam bem? Por que o Philippe Coutinho do Liverpool apareceu na Seleção? Perguntas são importantes para tentarmos entender melhor como funciona o jogo, embora nunca cheguemos a um consenso. 

O rendimento fantástico e os resultados expressivos são fruto de decisões corretas. Nas primeiras convocações, Tite levou muitos jogadores questionáveis, mas sempre houve um propósito por trás: com pouco tempo pra treinar, é melhor convocar jogadores cujas características já são entendidas para formar um time mais rapidamente. Isso, creio, foi um dos fatores para o impacto imediato. Tite convocou muitos jogadores com quais já trabalhou, o que facilitou a adaptação do elenco a um modelo de jogo bem diferente do anterior. Paulinho e Renato Augusto estão no futebol chinês, mas são jogadores cujas habilidades e funções casam exatamente com o que Tite queria para ser seus dois interiores. Um especialista em infiltrações e outro mais controlador. Não foram convocados por bruxismo, foram convocados porque fazia sentido. Com o futebol de seleções cada vez mais nivelado por baixo pela falta de tempo para trabalhar, é mais preponderante ter um coletivo coeso do que muitas individualidades. 

E que coletivo, senhores! O elenco assimilou rapidamente a proposta, o que facilitou mais ainda. Os conceitos e métodos estão próximos dos que os jogadores estão acostumados a ver na Europa. Bola no chão, marcação zonal, flutuação dos pontas, centroavante móvel e a busca pelo controle do jogo. Melhor ainda é ter o craque do time na melhor fase da carreira. Neymar se torna cada vez mais completo e espetacular. Está visivelmente mais maduro. E, como já virou ditado aqui no Linha, um coletivo forte ressalta as individualidades. Já um coletivo fraco, depende das individualidades...

Né, Argentina? Tem em Edgardo Bauza um treinador completamente diferente do perfil que o poderio ofensivo argentino pede. Não adianta ter Ángel Di María, Lionel Messi, Gonzalo Higuaín e Sergio Agüero se não há um sistema para favorecê-los. O talento desses caras resolve alguns jogos, mas o futebol é coletivo. Até o melhor do mundo tem dias ruins. Sem Messi, suspenso inacreditavelmente por quatro jogos, os hermanos passarão por uma prova de fogo para ir à Rússia.

Não sei se o Brasil será hexacampeão, mas sei que Tite ajudará muito o futebol brasileiro de modo geral. Enquanto a CBF faz as suas falcatruas, estamos evoluindo na forma de olhar o esporte. A presença do Seu Adenor respinga em todo mundo. É uma esperança. Estamos falando mais de futebol, mesmo que ainda muito pouco para o 'País do Futebol'. Tite, com sua dose de vodka na mão, sorri. 

@_nicolasmuller
@linhaalta

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