30 de março de 2017

Contratação de Dahoud denota a força da identidade do Borussia Dortmund

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O futebol no seu mais alto escalão está cada vez mais banhado em dinheiro. Valores de jogadores cresceram, salários no mesmo pique, receitas idem. O mais natural é que o talento fique limitado a alguns clubes ou em algumas regiões. Mas existem exceções. Nem sempre a oferta mais alta é a melhor. O Borussia Dortmund prova isso com seu projeto forte de scouting e desenvolvimento de jovens jogadores.


O clube alemão anunciou hoje pela manhã a contratação do volante Mahmoud Dahoud, atualmente no Borussia Mönchegladbach. Imigrante sírio na Alemanha, Dahoud é um dos volantes mais promissores do futebol mundial e, com seus 21 anos, o alemão já é destaque da Bundesliga na posição. Um jogador moderno e muito talentoso e que deve encaixar muito bem no clube de Dortmund, que realmente necessitava de um jogador constante para a função. Ao lado de Weigl ou centralizado em uma linha de quatro, é um ótimo reforço para a próxima temporada.

O custo da transação? Módicos 12 milhões de euros. Para o nível de investimento do futebol europeu, um troco de bala. M'Gladbach via o contrato do jogador encerrando e optou por vender sua joia por um valor bem menor do que esperava receber. Mas o que chama a atenção é a opção de Dahoud pelo clube aurinegro. É um jogador cobiçado pela Europa inteira, que teria melhores propostas financeiras na abertura da janela. Deve ter pesado na decisão a identidade que o Borussia Dortmund construiu nos últimos anos. O clube se tornou um exemplo de prospecção e trabalho para amadurecer e lapidar talentos. Exemplos não faltam. A primeira grande demonstração da força desse aspecto foi na contratação de Ousmane Dembélé, futura estrela e já um dos melhores jogadores na Alemanha. Aleksander Isak, o 'novo Ibrahimovic', é outro bom exemplo. Jogadores que optaram por ter espaço e atenção em detrimento a holofotes e grana mais alta em outros lugares.

Jogadores querem ir para o Dortmund porque sabem que terão minutos, jogarão em um time competitivo e provavelmente se tornarão melhores atletas. Com um orçamento razoavelmente grande, mas muito inferior aos ricaços da Europa, Tuchel e companhia precisam ser criativos para criarem suas próprias estrelas. É um processo muito mais difícil e demorado do que simplesmente contratar grandes jogadores prontos. As dificuldades vividas pelo Dortmund nos últimos anos deram uma mexida nas estratégias dentro do mercado. Ao que parece, o clube está satisfeito com a posição de ser um comprador de jovens jogadores. É a identidade e a bala na agulha permite. Os olhos devem ficar bem atentos a Dortmund no próximo mercado de transferências, inclusive. A tendência é que cheguem mais jogadores desse naipe.

Para uma visão geral, o clube reuniu um bom núcleo de jogadores sub-23 e agora precisa trabalhá-los. Se conseguir explorar a margem de crescimentos de caras como Ousmane Dembélé, o Dortmund fará todo o processo valer a pena. Christian Pulisic, Emre Mor, Mikel Merino, Felix Passlack (esse das categorias de base), Julian Weigl, Aleksander Isak e, agora, Mahmoud Dahoud. Um grupo de jogadores com capacidade para fazer o Dortmund voltar ao topo da Europa, como atingiu há alguns anos. O projeto está aí e precisa de tempo e trabalho para render frutos.

@_nicolasmuller
@linhaalta

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