20 de fevereiro de 2017

O Juventude do Zago e o que esperar do Inter a longo prazo

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Após um começo de temporada conturbado, o torcedor se pergunta o que pode esperar do treinador colorado. A resposta para essa pergunta é buscada através de uma análise sobre o Juventude, treinado por Zago em 2016.

SETORIZAÇÃO

O time da Serra, treinado pelo ex-zagueiro, setorizava-se em três blocos; defesa, meio e ataque. O bloco defensivo se postava em uma linha de quatro. Ao possuir um placar favorável e não conseguir ter a posse da bola, muitas vezes se tornava uma linha de cinco. As mudanças de esquema aconteciam muitas vezes dentro do mesmo jogo. Em frente a primeira linha, quando defendiam, postulavam-se dois volantes, ambos com funções de destruir e construir concomitantemente. O setor de meio-campo sempre estava em constante movimentação e quando tinha a posse da bola formava um losango. Durante o movimento de ataque, os três jogadores mais ofensivos do losango subiam em conjunto, gerando superioridade ao atacar. Fator de muitos gols. O último setor e mais ofensivo formavam-se por dois jogadores, um referência e outro extremo, no caso Roberson. Que atuava pelo lado esquerdo, mas possuía liberdade para descer e ajudar na construção.
Esquema e movimentações
CARACTERÍSTICAS DEFENSIVAS

O Juventude apresentava uma recomposição defensiva veloz e numerosa, porém muito bagunçada, fator que gerou diversas oportunidades de gol durante a Série C e Copa do Brasil. O pesadelo do Juventude era a bola aérea defensiva, aproximadamente 50% dos gols sofridos derivaram dessa jogada. O treinador variou durante a temporada o estilo de marcação, mista, homem-a-homem ou por zona durante os escanteios, mas não encontrou solução.

CARACTERÍSTICAS OFENSIVAS

O principal movimento ofensivo era o contra-ataque, a transição ofensiva muito numerosa aumentava as chances de sucesso. A troca de posições que ocorria entre extremo e meio-campo (Roberson e Wallacer), provocava confusão nos times adversários e criava espaços para infiltração. A subidas dos laterais e tabelamento com os volantes era uma jogada bastante usada, resultando em diversos cruzamentos para o referência. A bola alçada para o centroavante resultou em 15% dos gols feitos.
A marcação alta, pressing e o contra-pressing foram conceitos interessantes que ficaram bem evidentes no trabalho do Zago, a roubada de bola no campo de ataque chegou ao número de 9% das origens de gol.

NÚMEROS E ANÁLISE




Analisando os números, percebe-se que o Juventude tinha um leque de movimentos ofensivos, muito bem divididos entre contragolpe,  linha de fundo, bola alçada e tabelamento. A origem que mais se destacou foi o contra-ataque.
No gráfico dos minutos de gols feitos, os 31% , entre 45' e 60', demonstra um bom poder de leitura de jogo do atual treinador colorado. Enquanto os 9%, entre 75' e 90' podem refletir um cansaço da equipe.




O contra-ataque e o jogo aéreo foram o terror da Papada, somando 90% dos gols sofridos. A maioria dos gols tomados pelo Juventude, aconteceram nos últimos 15 minutos de jogo. O que destaca ainda mais o cansaço da equipe ao final das partidas.

INTERNACIONAL

Após sete jogos comandando o time rubro da capital gaúcha, muito do que foi visto na temporada 2016 se reflete no time de Zago em 2017. No setor defensivo, a zaga colorada vem sofrendo com os mesmos problemas do Juventude, contragolpes e bolas alçadas na área continuam causando calafrios. Positivamente, temos o conceito de pressing e contra-pressing, que já colhe alguns frutos nesta temporada. Dois gols surgiram de desarme no campo de ataque após a perda da bola. O contra-ataque é outro conceito que evoluiu no Internacional, até agora é o principal movimento ofensivo. A característica que mais vem saltando aos olhos do torcedor é a boa leitura de jogo do treinador, nesta temporada o clube sempre melhora após o intervalo.

O segredo é ter paciência com o treinador, todo processo leva tempo para madurar. Aliás, o Clube do Povo, como é chamado, estava há 450 dias com treinadores que pensavam outra sistematização de jogo. Provavelmente o que evoluirá em pouco tempo é o avanço dos laterais pela linha de fundo e a melhora de aproveitamento na bola aérea ofensiva. A dinâmica da metade do campo é um setor que aceitavelmente ganhará maior dinâmica com os treinamentos, o amadurecimento do pressing e contra-pressing também é de presumível progresso. O maior desafio de Zago é dar ao time a característica de propositor de jogo, algo que ele nunca realizou em sua carreira, essa será a maior provocação ao técnico colorado.

Por Bolívar Silveira - @BolivarSilveira

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