30 de janeiro de 2017

Os problemas crônicos do Internacional

Compartilhe nas redes sociais

O futebol brasileiro retomou suas atividades após o período de férias e a maior parte dos grandes clubes já voltaram a atuar oficialmente. No Sul, o Internacional estreou no Gauchão sob comando de Antônio Carlos Zago e com algumas novidades táticas e individuais, mas com problemas que atravessam gerações.

Rodrigo Dourado marcou o gol colorado entrando na área rival. (Foto: Ricardo Duarte/S. C. Internacional)
Obviamente é cedo para fazer qualquer análise profunda em relação ao time, mas me deixa curioso como o Inter não consegue resolver aspectos do jogo com tantos treinadores diferentes passando pelo Beira-Rio. O time joga do mesmo jeito desde a chegada de Argel Fucks e a saída do chileno Charles Aránguiz: rigidez ofensiva e lateralização de todas as jogadas. Ontem, contra o Veranópolis, o Inter novamente apresentou os defeitos crônicos de sempre, além de boas doses de desatenções defensivas. Visando que o clube deve propor o jogo na maior parte dos jogos em 2017, é importante que Zago possa, enfim, modificar e dar opções ao jogo do time.

A rigidez ofensiva passa muito pelos modelos de jogo adotados pelos treinadores que o Inter teve em 2015-2016. Argel Fucks e Celso Roth passam longe de serem treinadores cujo a construção de jogo é a maior virtude, muito pelo contrário. Mas há um fator que sempre me chama a atenção: o posicionamento fixo dos volantes colorados. O futebol está cada vez mais físico e tático, o adversário normalmente te estuda bastante. Ter alternativas diferentes e elementos-surpresa é essencial para um ataque imprevisível.

O Inter, até pelas características dos volantes que contratou nos últimos tempos, sofre com a engessada linha de meio-campistas que tem. Rodrigo Dourado, Fernando Bob, Anselmo, Fabinho. Dos quatro mais utilizados em 2016, nenhum tem características ofensivas muito fortes. Dourado é quem mais busca (e tem competência) para ser um segundo volante (termo que saiu de moda, mas facilita a compreensão) e até fez o gol colorado entrando na área rival. Resumindo, o Inter encheu o elenco de volantes destruidores e/ou passadores. Aránguiz não tem um substituto, no sentido de característica mesmo, até hoje. Dificilmente o Inter acharia alguém com tamanha qualidade, mas poderia ter se ligado na construção do elenco já em 2015, quando perdeu o chileno.

O futebol moderno cobra a participação ativa dos volantes na construção de jogo, pela falta dos espaços e por times cada vez mais compactos. Rodrigo Dourado tenta ir além da sua característica para ajudar o conjunto, mas é difícil que se cobre isso dele em todos os jogos do ano. O Inter tem volantes estáticos e a construção ofensiva se torna rígida e linear, sempre buscando a lateralização das jogadas.

A tônica do Inter rebaixado foi essa. Saída de bola pelos laterais, combinações para atingir a linha de fundo e cruzar bolas. Não ao acaso foi o time que mais cruzamentos fez no último Campeonato Brasileiro. Com poucos jogadores na área é difícil que dê resultados. A equipe se torna previsível e precisa até da sorte para fazer algo acontecer.

O Inter de Zago iniciou a temporada no mesmo pique: um 4-4-2 extremamente estático, com D'Alessandro e o jovem Diego nas pontas precisando tirar coelhos da cartola porque os volantes e os atacantes pouco se aproximavam. A tendência, pelo que mostrou no Juventude, é de melhora e até de transformação, mas a estreia colorada demonstrou os mesmos problemas que a equipe tem desde 2015 (!!!).

Nicolas Müller - @_nicolasmuller

Siga-nos no Twitter: @linhaalta

Deixe um comentário

Todos os comentários postados são de responsabilidade de seus autores. É necessário estar logado no facebook para comentar.

 

Bem-vindo ao Linha Alta. Site com conteúdo futebolístico.

© Linha Alta 2016

Edited by Douglas Menezes