22 de janeiro de 2017

Os números impressionam, mas Cavani ainda não impacta o jogo do PSG

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É um ano um pouco diferente no futebol francês. Após o vencer a Ligue 1 por quatro temporadas seguidas, com extremo absolutismo, o Paris Saint-Germain não tem conseguido monopolizar, em 2016/2017, o futebol na terra da Torre Eiffel. A equipe da capital vê o surpreendente Nice, de Lucien Favre, e o poderosíssimo ataque do Monaco, de Leonardo Jardim, dividirem consigo o pelotão de frente da liga nacional.

Nessa temporada, o PSG precisa conviver com duas mudanças radicais no clube. A primeira, a mudança de treinador. Laurent Blanc deixou o comando técnico da equipe, depois de três temporadas, dando espaço para a chegada do espanhol Unai Emery, de enorme sucesso no Sevilla, da Espanha. A outra mudança, foi a saída do maior pilar da nova fase do clube: Zlatan Ibrahimović. O sueco foi símbolo, dentro e fora de campo, do processo de potencialização mundial do Paris Saint-Germain. Ibra (agora no Manchester United), em quatro temporadas, se tornou o maior artilheiro da história do clube e virou peça crucial no desenvolvimento tático da equipe, em campo. Uma perda dolorosa.

Esses dois fatos estão totalmente ligados e explicam boa parte dos problemas do PSG em 16/17. Já atingimos a metade da temporada, e Unai Emery ainda não conseguiu dar uma coesão altamente suficiente ao coletivo da sua equipe. E muito dessa dificuldade se dá pela perda de Zlatan. Obviamente, o tempo de trabalho é curto e cobranças mais rígidas sobre o técnico espanhol seriam injustas, mas há noção de que as amostras parisienses em jogo poderiam ser mais agradáveis.

Em meio a essa dificuldade de conjunto, um jogador tem se destacado: Edinson Cavani. Contratado em 2013, junto ao Napoli, da Itália, o uruguaio, finalmente, vive seu melhor momento individual na França. São 20 gols em 19 aparições na Ligue 1 e mais 6 tentos em 6 participações na UEFA Champions League. Nem Messi, nem Cristiano Ronaldo. Ninguém marcou mais gols, nessa temporada, nas 5 maiores ligas europeias, do que Cavani. Números muito expressivos.

Cavani é o principal nome do PSG em 2016/2017. (Foto: AFP)


Desde sua chegada a Paris, até o início dessa temporada, Cavani era um sacrificado em campo. Jogava como extremo esquerdo, justamente porque a posição de centroavante era do intocável Ibrahimović. E até que o uruguaio fazia um bom papel pelo lado campo. Tinha agressividade para atacar e sua grande dedicação durante o jogo não o deixava comprometer a fase defensiva. Entretanto, era visível que ali não era seu habitat de preferência.

Com a fatídica saída de Ibra, El Matador virou  "9" fixo. E, na frieza das estatísticas, tem correspondido. Mas não é o suficiente. É inevitável sua comparação com Ibra e, nesse contexto de ausência de padrão de jogo no PSG, também é justificável. O sueco, além de empilhar gols, impactava todo o sistema parisiense. Era responsável por boa parte da fluidez e criação ofensiva. Era o jogador que tirava o time de canários adversos e colocava em favoráveis. Mudava panoramas. Cavani, apesar de ser um excelente garimpador de espaços e que leva boa vantagem sobre os defensores oponentes, não consegue ser isso. Não consegue oferecer um leque tão grande de vertentes.

Além disso, outro velho problema tem atrapalhado Cavani: a sua dificuldade na conclusão a gol. Mesmo com 26 gols na temporada, o uruguaio perde muitas oportunidades de marcar. Nos dois empates contra o Arsenal, pela fase de grupos da Liga dos Campeões, por exemplo, Edinson marcou nas duas ocasiões. Contudo, perdeu algumas chances claras de dar a vitória a sua equipe. No final das contas, o PSG terminou em 2º na sua chave e agora enfrenta o Barcelona nas oitavas de final.

Cavani se tornou a engrenagem mais importante da instável locomotiva de Unai Emery, mas não consegue a ser peça determinante, indispensável. Colocá-lo lado a lado de Zlatan pode ser até injusto com o uruguaio. Mesmo no auge dos seus 35 anos, Ibra ainda está na elite dos atacantes do planeta. Cavani provavelmente nunca conseguirá eliminar toda a saudade que o sueco deixou nos torcedores parisienses, mas, ao menos, carrega o peso de justificar os quase 70 milhões de euros pagos por ele, em 2013. Até agora, tem falhado.


Por Ismael Pereira - @IsmaelJPereira

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