7 de janeiro de 2017

O Bonde da História

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A gente projeta coisas no futebol brasileiro de acordo com as lendas que os nossos antepassados futebolísticos nos moldam. “Todo time precisa de um dez”, “toca no craque que ele resolve'', ''alguém marca por ele, craque ão precisa marcar” e por aí vai. E tem um jogador que se encaixa nisso: Paulo Henrique de Chagas Lima, o Ganso. Ganso subiu junto com o gigantesco Neymar em um Santos envolvente, “a cara do futebol brasileiro” e nos deixou com os olhos brilhando.

(Foto: Getty Images)
Técnico, inteligente, com recursos infinitos naquele pé esquerdo e cérebro privilegiado. Ganso estourou o joelho no Olímpico em uma partida contra o Grêmio e isso o colocou numa redoma de incerteza. Ele nunca mais foi o mesmo, infelizmente, mas o seu pouco, no futebol brasileiro, é muito. Ganso foi sensacional no São Paulo do Muricy com Kaká e Alexandre Pato. Foi ótimo no time de Profe Osorio, camisa dez e pilar técnico daquele time. Depois Ganso foi além, foi liderança no time de Bauza, que eliminou o ótimo Galo em dois jogos eletrizantes na Libertadores.

Ganso voou. Chegou no Sevilla de Jorge Sampaoli, eis um contrassenso, o Sampaoli é 220 volts, Ganso é 110. Mas a gente teve a salvaguarda mental pensando “Sampaoli ama a bola, Ganso também. A gente vai ver um namoro interessante”. E não, nem perto, nem flerte virou. O instável Samir Nasri chegou lá barbarizando e jogando uma bola que parecia adormecida desde o Arsenal, Mudo Vázquez segue sendo o jogador enorme que é desde o Palermo, quando fazia dupla com o sensacional Dybala. Ganso entra volta e meia, sem dez por cento do brilho. Dá uns pifes de calcanhar, a gente compartilha os gif’s e jogadas pensando “nossa, o Ganso é um gênio da bola”. E não é. Desde Rivaldo a seleção “não tem um dez”, não aquele dez que fica no imaginário do Tostão, aquele dez que precisa de um toque, uma bola na vertical pro atacante fazer o gol e ganhar o jogo. Ganso é ótimo, tem muito talento, mas o futebol atual precisa de mais. Precisa da técnica e intensidade, ele tem só o primeiro. Precisa querer, mas ele aparenta não querer.

Se ele tivesse nascido em 1960 e fosse jogador na década de 80, seria craque. Não me venham dizendo que ele seria ótimo volante, não façam cenários. Vejam Ganso como ele deveria ser visto: um ótimo jogador na época errada.

Por Mairon Rodrigues - @maiiron_

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