26 de dezembro de 2016

Tigres vence América em jogão e conquista o campeonato mexicano

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Em jogo eletrizante o Tigres sagrou-se campeão mexicano pela quinta vez em sua história. O adversário foi o tradicionalíssimo América, que buscava o décimo-quarto caneco na competição no ano de seu centenário. Conquista muito justa por tudo o que o Tigres demonstrou neste Apertura 2016 e por ter sido melhor no somatório das duas finais. O titulo coroa o técnico brasileiro Ricardo ``Tuca`` Ferreti, nome pouco badalado em solo tupiniquim, mas que levou para casa o seu quarto troféu de Campeonato Mexicano, o terceiro na equipe de Monterrey. O nervoso duelo foi definido nos penaltis e teve direito a prorrogação e quatro jogadores expulsos.
Jesus Dueñas comemora o gol marcado a dois minutos do fim. Lance levou a partida para os pênaltis

O Tigres espanta também um algoz muito presente no seu caminho nas últimas temporadas. Recentemente havia perdido duas finais para o rival desta noite. O América, porém, a exemplo do que aconteceu na última semana, mais uma vez sucumbe nas penalidades máximas. Vale lembrar que já havia perdido o terceiro lugar no Mundial de Clubes para o Atlético Nacional desta mesma forma.
Ricardo ``Tuca`` Ferreti é brasileiro e dirige o Tigres, mais uma vez campeão mexicano

O francês André Pierre-Gignac foi o grande nome da conquista da equipe amarela. Em sua segunda temporada no clube, o centroavante de 31 anos fez 11 gols em 20 jogos. O atleta é o produto final de uma equipe qualificada tecnicamente e que busca ser dominante nas partidas através da posse de bola e da troca rápida de passes, com muita movimentação no terço final do campo. Outro destaque é o meia-atacante Ismael Sosa. Capitão do time, o zagueiro Juninho, ex-Botafogo e São Paulo, é o representante brasileiro dentro das quatro linhas.  
Gignac fez a diferença para o Tigres neste Apertura

O Jogo


O primeiro tempo teve um caráter até certo ponto previsível. Jogando em casa e contando com uma atmosfera extremamente contagiante, o Tigres propôs o jogo, fazendo jus a seu estilo. A equipe comandada pelo brasileiro Ricardo ``Tuca`` Ferreti, que completou 1000 jogos como treinador na primeira divisão mexicana, demorou para conseguir colocar em prática sua boa rotação de bola e opções de jogadas próximas ao terço final. A postura do América também dificultou as coisas.

Montado mais uma vez no 5-3-2, a equipe da capital, que tem o lendário Ricardo La Volpe como treinador, demonstrou muita volúpia para pressionar o portador da bola adversário, principalmente nos primeiros 30 minutos, além de organização praticamente impecável em sua linha de cinco defensiva. A entrega americana e a aplicação de seus atletas impediram com o que o Tigres criasse chances claras. A única ocorreu em belíssimo chute acertado por Aquino no ângulo de Muñoz, o experiente goleiro fez uma linda defesa.
Disposição Inicial das eqipes

O Tigres pôde contar com seu principal jogador nesta campanha. O francês Gignac se recuperou quase que milagrosamente de uma preocupante lesão na clavícula, sofrida no jogo de ida da final. Ao lado dele no ataque, o argentino Sosa, fazendo interessante movimentação entrelinhas. Damm e Aquino nas extremidades, e Pizarro e Dueñas centralizados na linha de meio.

A dupla de volantes da equipe de Tuca Ferreti foi a responsável pela melhoria na metade final da primeira etapa. Enquanto Pizarro acelerava a saída de bola com passes precisos e inteligentes, Dueñas intensificava a movimentação e oferecia-se como opção para progredir com a bola no campo. Os espaços na intermediária do América foram aparecendo e o time da casa ganhando ainda mais terreno. Faltou, porém, mais estratégia próximo ao terço final. O Tigre insistiu em cruzamentos. Já o time de La Volpe não conseguia mais contra-atacar, fruto da boa reação adversária ao perder a bola e também de muita precipitação na transição ofensiva.

Nos primeiros 20 minutos o que se viu foi um América mais consciente em campo. Tinha Guerrero se desgarrando da linha de cinco e participando das ações ofensivas. Contava também com a movimentação de Arroyo, saindo do meio para a esquerda e buscando o confronto com o lateral Estrada. Sambueza e Samudio revezavam-se na infiltração. O brasileiro William era o destaque na saída de bola, encostava na primeira linha e fazia a bola sair de trás com qualidade e velocidade. Faltou mais constância ao América na execução destes princípios.
Circulado em vermelho, Guerrero saía da linha de zaga e vinha se oferecer como ``apoio`` na fase ofensiva

Na segunda etapa, os comandados de La Volpe voltaram a equilibrar a partida. O treinador argentino montou uma linha de quatro no meio-campo, fixou Arroyo pela esquerda, Ibarra pela direita e melhorou a ocupação de espaços, o que consequentemente proporcionou mais opções de contra-golpe. Ibarra chegou três vezes com perigo e Peralta perdeu gol dentro da pequena área, a grande maioria das chances criadas na reatividade, aproveitando falhas na saída do Tigres.
Novo posicionamento do América em campo na segunda etapa. Time cresceu e conseguiu deixar o jogo equilibrado por mais tempo

A equipe da casa reagiu após a entrada de Damián Alvarez no lugar do lesionado Aquino. O habilidoso jogador começou a fazer a diferença pelo setor esquerdo de ataque e criou pelo menos duas ótimas chances. O Tigres voltou pro jogo e viu Gignac acertar um lindo chute no travessão. Pouco antes foi a vez do zagueiro brasileiro Juninho obrigar Muñoz a mais uma grande defesa e Dueñas também acertar o travessão.

O Tigres voltava a sufocar o América, mas um lance mudaria o cenário do jogo. Já com um cartão amarelo, o lateral Torres Nilo fez falta grosseira em Ibarra e freou um contra-ataque americano. Acabou expulso corretamente e deixou o time da casa com 10 em campo. Ferreti sacou Sosa e recompôs a lateral-esquerda com Rivas. Os 180 minutos não foram suficientes para a definição do campeão e a prorrogação chegou.

Em superioridade numérica, o América finalmente precisou tomar a iniciativa em campo. E demorou apenas quatro minutos para tirar o zero do placar. Pouco antes, La Volpe havia colocado em campo o jovem e talentoso Alvarez. O defensor aproveitou desvio no primeiro pau e marcou de cabeça para o América.

O Tigres não se entregou e quase empatou o jogo, mesmo tendo um a menos em campo. Muñoz fez outra boa defesa. Minutos depois foi a vez de Sambueza receber o segundo amarelo e ir para o chuveiro mais cedo. O lance renovou as esperanças dos donos da casa, mas uma grande confusão ocorrida após uma discussão entre La Volpe e Gignac resultou na expulsão de Goltz(América) e Rivas(Tigres). Naquele momento cada equipe tinha dois jogadores a menos.

No segundo tempo da prorrogação o time de Monterrey pressionou e os deuses de futebol resolveram colocar um pouco de justiça no resultado final da batalha, Dueñas, que ainda  não havia marcado na temporada, balançou as redes de Muñoz faltando apenas dois minutos para o fim da partida. A esta altura do jogo não havia mais plano tático. Era entrega e muita dedicação de ambas as partes.

Nas penalidades máximas brilhou a estrela do goleiro argentino Guzman, ele defendeu as três cobranças desferidas pelo adversário, uma delas efetuada pelo brasileiro William. Final justíssimo pela maior regularidade demonstrada pelo Tigres ao longo da competição e superioridade nos dois jogos das finais

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Edited by Douglas Menezes