1 de dezembro de 2016

O que esperar de Roger Machado no Atlético Mineiro?

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Roger Machado foi oficializado como treinador do Atlético Mineiro para a temporada de 2017. Após um boníssimo trabalho comandando o Grêmio, Roger assume o Galo com mais responsabilidade, com outro status e com outras expectativas em relação ao seu trabalho. No quarto clube da carreira, espera-se que o jovem treinador consiga fazer um trabalho inovador e moderno em Minas Gerais, como fez em Porto Alegre.


(Foto: Eduardo Moura/GloboEsporte.com)
Paciência é a palavra

É sempre conveniente lembrar que Roger Machado foi contratado após a demissão de Luiz Felipe Scolari, em 2015 e teve impacto imenso logo de cara. Com um elenco mediano pra baixo, conseguiu fazer um time extremamente competitivo e vistoso, além de aliar desempenho e resultados positivos. A vaga na Libertadores, com um elenco montado para permanecer na elite, foi um grande feito. O Grêmio de 2015 não foi montado para vencer e mesmo assim Roger Machado conseguiu dar competitividade a equipe, uma rara exceção de trabalho com impacto imediato. O ponto é que no Galo, com um elenco estelar, as expectativas em torno dos resultados serão imensas. O desespero ganancioso por resultados imediatos fez Diego Aguirre ser demitido e pode atrapalhar a vida do novo treinador, que tem um metodologia complexa e normalmente se exige tempo para que os jogadores entendam as propostas.

O estilo Roger Machado 

Roger não transformou o Grêmio em um time fortíssimo por nada, ao acaso. Há muito trabalho por trás de tudo isso. Desde conceituar como o time deve jogar até colocar isso em prática em forma de metodologia de trabalho. Roger tem conceitos e metodologias bastante modernas e mostrou isso no Grêmio. Em geral, é um treinador que não divide sua equipe em atacantes e defensores. Busca a formação de um coletivo unido, homogêneo, que ataque e defenda junto. ''Meu primeiro atacante é o goleiro e meu primeiro defensor é o centroavante''. A frase de Johan Cruyff, que Roger faz questão de repetir nas suas entrevistas, é uma boa forma de conceituar seu modo de ver futebol.

No Grêmio, Roger utilizou o 4-2-3-1, o 4-4-2 (variação natural do 4-2-3-1) e o 4-3-1-2, com predomínio absoluto do primeiro, que foi o esquema base de todo o trabalho. Ora com falso nove, ora com centroavante de referência. Uma coisa importante a se ressaltar também é a maneira como o treinador trabalha com os diferentes períodos do jogo. O Grêmio sempre foi um time 'camaleão'. Sabia construir seu jogo (o famigerado ataque posicional), mas também sempre foi um exemplo de time perigosíssimo no contra-ataque. O próprio Galo foi uma vítima dos contra-ataques gremistas.

Roger é um treinador com gosto por volantes que sabem jogar. Na Arena, pôde comandar Walace e Maicon e fazer da dupla um termômetro do time. Comandantes também. Controlavam a circulação da bola, faziam a saída de jogo, construíam, infiltravam na área, abriam para jogar com os extremos ou laterais. Sem a bola avançavam para pressionar (um dos conceitos que Roger tem) a última linha rival e ligavam contra-ataques de forma rápida e eficiente.

Se quiseres saber detalhadamente como o Grêmio de Roger Machado jogava, sugiro esse texto aqui

Saída do Grêmio e os problemas que o treinador ainda enfrenta 

A torcida gremista fazia planos de ter o treinador por muitos e muitos anos, mas no Brasil uma série de resultados negativos pode mudar tudo. Embora o ótimo trabalho, Roger não teve só acertos, é evidente. Talvez sua exagerada convicção em algumas coisas o tenham tirado do cargo (ele pediu demissão, mas por pressão externa). A bola aérea defensiva gremista foi um problema durante o ano inteiro. Roger utiliza marcação por zona e individual (nos três homens mais perigosos do rival). Inúmeros pontos e derrotas no caminho pela incompetência nessas ocasiões, onde a exagerada convicção (vulgo teimosia) fez Roger insistir em algo que realmente não estava dando certo. O uso de Luan como extremo podendo tê-lo como falso nove era quase que incompreensível, ainda mais pela falta de um centroavante de ofício.

Além disso, Roger é um treinador que não mede tanto os riscos. Com Walace e Maicon produzindo o jogo gremista e indo pra lá e pra cá, normalmente a defesa ficava completamente exposta em contra-ataques rivais. São dois problemas (bola aérea defensiva e o equilíbrio ataque-defesa) que o Renato Portaluppi conseguiu resolver e o Grêmio está na final da Copa do Brasil exatamente por isso. Renato pegou um time pronto e com defeitos, soube ler o que estava errado e corrigir. Levou Luan de volta à posição onde rende mais e como passe de mágica o jogador voltou a render. Simples, não?

Roger Machado é um treinador em formação, vai para seu quarto clube na carreira. Esperar que seja um profissional pronto e perfeito é impossível, mas é um treinador e tanto. Se se tornar menos teimoso, aprender com seus erros e melhorar a gestão do vestiário, o Atlético Mineiro tem tudo para brilhar em 2017, ainda mais com o poderoso elenco que deixa à disposição do seu novo treinador.

@_nicolasmuller

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