7 de dezembro de 2016

Grêmio 'controla sem a bola' joga com o regulamento e é pentacampeão da Copa do Brasil

Compartilhe nas redes sociais

Demonstrando um rendimento defensivo muito próximo da perfeição, o Grêmio fez valer a vantagem obtida no jogo de ida da final da Copa do Brasil e levantou o quinto título de sua história na competição. A vitória por 3x1 sobre o Atlético/MG no Mineirão, há 15 dias, soma-se ao empate por 1x1  na noite desta quarta na Arena e garante a vaga gremista na Libertadores de 2017. Título merecido! Conquistado por uma equipe que soube se reequilibrar ao longo da competição. Miller Bolaños saiu do banco de reservas para fazer o gol que sacramentou a conquista já nos minutos finais. E Cazares fez um golaço empatando a partida nos acréscimos.
Jogadores do Grêmio comemoram junto com a torcida, que esperou 15 anos por um título desta importância
Disposição inicial das equipes

Quem estava acostumado a acompanhar os últimos jogos do Galo, se surpreendeu com a organização atleticana nos minutos iniciais. Há pouco menos de 15 dias sob o comando do interino Diogo Giacomini, formou num 4-3-2-1 com marcação zonal a partir de seus jogadores de meio-campo e fez com que Robinho e Luan não tivessem que acompanhar os laterais adversários. A dupla atuou mais pela faixa central, seja na fase ofensiva ou na defensiva.
Luan e Robinho na faixa central. Amplitude era com os laterais

Desta forma, o trio de volantes: Rafael Carioca, Junior Urso e Leandro Donizete ``balançava`` a linha de marcação de acordo com o posicionamento da bola. Detalhe para a coordenação do trio e as boas coberturas, mesmo com pouco tempo de treino e modelo de marcação completamente diferente ao utilizado com Marcelo Oliveira.
Trio de volantes do Galo se posicionava de acordo com posicionamento da bola e dava combate aos laterais gremistas, deixando Luan e Robinho sem tanta obrigação defensiva

Precisando do resultado, o Galo propôs o jogo, teve a bola, mas faltou na maioria das vezes mais profundidade. Robinho conseguiu amenizar o problema a partir da metade do primeiro tempo. Buscava a última linha defensiva gremista e saia para aproveitar o espaço entrelinhas no momento certo. O time atleticano teve duas boas chegadas, mas nenhuma chance clara de gol.

O mesmo não pode se dizer do Grêmio. O jovem Everton, que substituía o igualmente jovem e suspenso Pedro Rocha, recebeu um lindo passe de Douglas, mas desperdiçou diante de Victor a melhor chance da primeira etapa. Posicionado em um 4-4-2 na fase defensiva e 4-2-3-1 com a bola, o Imortal teve mais uma vez na movimentação de Luan como ``falso 9`` um importante trunfo.

Renato Portaluppi e as mudanças que fizeram o Grêmio campeão da Copa do Brasil

Ainda presa aos encaixes individuais e perseguições utilizados sob o comando de Marcelo Oliveira, a linha defensiva alvinegra se confundia com as investidas do campeão olímpico e dava espaços. O Grêmio, porém, aproveitou pouco. Muito em virtude da precipitação causada pela visível ordem de acelerar sempre as jogadas para aproveitar o posicionamento adiantado da zaga mineira, mas também pela boa atitude de marcação do Galo, abordando sempre com muita pressão o portador da bola.

Utilizando um bloco de marcação mais baixo que o comum, o time da casa também apresentou intensidade para tirar espaços do adversário que tinha a bola e organização no balanço das linhas para fechar as opções de passe e evitar buracos. Tanto que pouco permitiu ao Galo entrar em sua área.
Exemplo do bloco baixo de marcacao gremista. Time controlou o jogo sem a posse de bola

O Atlético voltou para a segunda etapa com Maicosuel no lugar de Junior Urso. Alteração equivocada de Diogo Giacomini. Urso vinha bem em campo, melhor que Leandro Donizete, que permaneceu na cancha. Com isso, o Galo se posicionou em um 4-2-3-1, com Luan à direita e Maicosuel à esquerda de Robinho.

O time mineiro seguiu tendo mais a bola, mas persistiu com pouca estratégia para penetrar e ser decisivo no terço final do campo. Seguiu a orientação de os meias buscarem a faixa central para a equipe ter superioridade numérica no setor, mas muito pouco para que desenvolvesse boas jogadas diante da marcação gremista.
Equipes após a volta para o segundo tempo

A segunda etapa do pentacampeão da Copa do Brasil foi praticamente perfeita no ponto de vista defensivo. A organização e a abordagem agressiva na marcação somaram-se a uma execução muito eficaz do conceito de pressionar o adversário assim que se perde a bola. Faltava mais calma para finalizar com precisão as ótimas oportunidades de contra-ataque que surgiram. Mas a angústia do time da casa acabou já nos minutos finais. Miller Bolaños, que havia acabado de entrar, recebeu na área e balançou a rede mineira.

Se o equatoriano do Grêmio marcou, o compatriota do time mineiro não ficou atrás. Cazares fez um lindo gol por cobertura em Marcelo Grohe, batendo ainda do campo de defesa do Atlético.

O título gremista coroa o acréscimo de características dado por Renato Gaúcho ao tricolor. O Imortal tem um time com a boa rotação de bola e as movimentações da ``Era Roger Machado``, mas é também uma equipe mais agressiva sem a bola e segura defensivamente, principalmente nas bolas paradas. Méritos para um dos maiores ídolos do clube, que vai construindo uma bela história também na beira do campo.

O Galo conseguiu o mínimo de evolução sob o comando de Diogo Giacomini. Tem um ótimo elenco, o melhor do Brasil, não o mais equilibrado, falta mais opção para o miolo de zaga, mas com Roger Machado todo o potencial ofensivo pode render um grande ano em 2017. Pagou o preço por insistir em um trabalho deficitário feito por Marcelo Oliveira ao longo da temporada.


Deixe um comentário

Todos os comentários postados são de responsabilidade de seus autores. É necessário estar logado no facebook para comentar.

 

Bem-vindo ao Linha Alta. Site com conteúdo futebolístico.

© Linha Alta 2016

Edited by Douglas Menezes