6 de novembro de 2016

Um jogo emblemático para interpretar os momentos de Flamengo e Botafogo

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De um lado um time que se aproximou da briga pelo título, mas fez apenas três dos últimos 12 pontos disputados. Do outro, uma equipe que continua a surpreender a todos baseado no ótimo trabalho de seu treinador e levou dois gols nas últimas sete partidas. Assim pode-se resumir o confronto entre Flamengo e Botafogo na tarde deste sábado no Maracanã. O empate em 0x0 refletiu perfeitamente o momento vivido pelos rivais. O rubro-negro oscilante na execução de seus conceitos de jogo. E o alvinegro utilizando a estratégia correta para o grupo de jogadores que tem.
Diego é cercado pela marcação alvinegra. A tônica do jogo. Foto: Gilvan de Souza/CRF

Inspirado pelo ótimo primeiro tempo que sua equipe fez diante do Atlético/MG, Zé Ricardo escalou o mesmo ‘’11’’ de Belo Horizonte, com Gabriel e Fernandinho pelos lados. O Flamengo dominou grande parte da primeira etapa. Como vem ocorrendo, alternou o rendimento e a movimentação necessária para que seu modelo de jogo funcione. Oscila porque quer? Óbvio que não! Além das dificuldades impostas pelos adversários, o Flamengo está exausto!
Disposição tática inicial das equipes. Camilo e Neilton funcionaram como uma dupla de ataque. Bruno Silva repetiu movimento de abrir para formar linha de quatro quando o time era atacado e fechar para o centro e abrir o corredor quando o alvinegro tinha a posse.

A conta do excesso de viagens em 2016, fruto da falta de um estádio para chamar de seu na cidade do Rio de Janeiro, chegou! E a equipe não consegue reagir bem quando passa por períodos intensos no jogo. O resultado é a falta de execução do básico para que o time funcione. A perna pesa, a movimentação rareia e a tomada de decisões é afetada.

E foi neste embalo que o Flamengo alternou momentos de pressão e incapacidade criativa perante um Botafogo muito bem ajustado. A movimentação dos pontas na faixa central do campo, o apoio e as infiltrações de Willian Arão, a projeção dos laterais – Jorge muitas vezes por dentro – vão e voltam de acordo com o momento físico dos jogadores na partida.
Linhas de quatro do Botafogo montadas. Fernandinho e Gabriel(circulados em vermelho) na faixa central, Jorge apoiando pela esquerda. Enquanto teve perna e cabeça, o Flamengo repetiu esses movimentos e conseguiu dominar a partida no Maracanã. Faltou uma tomada de decisões melhor no terço final do campo. O famoso ''passe final'', mas que nem sempre é um passe. Botafogo tem muitos méritos nisso também. Foi bem organizado mais uma vez.
Outro exemplo de quando a movimentação rubro-negra foi bem feita. Fernandinho tem a bola, Jorge(circulado em vermelho) dá opção por dentro. Diego(em amarelo) transita entra as linhas e Guerrero sai um pouco da referência para espaçar a defesa adversária. Este cenário, porém, não foi uma constante.

É bem verdade que o excelente trabalho defensivo alvinegro impediu que grandes chances fossem criadas. As melhores surgiram em raros contra-ataques, tendo sempre Diego como figura central. O camisa 35 se adaptou rapidamente ao futebol brasileiro e projeta a próxima temporada em um nível ainda melhor. Principalmente se não tiver lesões e conseguir cumprir uma pré-temporada com o restante do elenco. É de suma importância também a permanência de Zé Ricardo no comando técnico. As oscilações da equipe são naturais e muito em função do desgaste físico já citado.

O Botafogo foi montado por Jair Ventura para reagir aos estímulos do Flamengo, como é aliás a principal característica desta equipe. No primeiro tempo, conseguiu poucos contra-ataques, muito em virtude da escolha de Camilo e Neilton para revezarem-se na função de referência ofensiva. A dupla deu pouca profundidade e raramente buscou espaços atrás da linha defensiva do Flamengo. Faltou também em muitos momentos mais apoio por parte dos demais atletas.

Defensivamente uma partida praticamente irrepreensível. O Alvinegro se comportou muito bem diante de uma equipe que tem muito volume ofensivo. Compactou-se e posicionou-se de forma com que espaços não aparecessem. Na segunda etapa, melhorou! Acelerou menos as jogadas e aproveitou os espaços deixados pelo Flamengo. Foi bem melhor coletivamente e poderia ter saído com a vitória não fosse a má pontaria de Rodrigo Pimpão.

Percebendo a solidez de sua equipe e as transições defensivas deficitárias do Flamengo, Jair permitiu-se soltar um pouco mais o time de General Severiano. Sacou Airton e colocou Diogo Barbosa. O lateral entrou na função que lhe é original e liberou Victor Luis para o flanco esquerdo da linha de meias do 4-2-3-1 que se formaria. Victor já tinha cartão e Marcelo Cirino havia acabado de entrar em seu setor. Perspicácia do jovem treinador! Pôs também Sassá em campo, outro fator determinante para espaçar ainda mais o time do Flamengo.
Como as equipes ficaram na parte final do jogo.

Zé Ricardo trocou seus pontas. Fernandinho caiu de rendimento na segunda etapa e Gabriel foi mal, teve muitas dificuldades com a falta de espaços e o campo pesado pela chuva que caiu o sábado inteiro. Cirino e Sheik entraram. O primeiro apático mais uma vez, não deve permanecer no clube. O segundo foi bem, mas pouco para furar o forte bloqueio alvinegro. Leandro Damião foi a última cartada. Entrou na vaga de Arão e o time ficou praticamente num 4-2-4. A alternativa foi a bola cruzada e os lançamentos para empurrar o Glorioso pra trás. Não funcionou!
Retrato fiel do final do jogo. Sheik tem a bola, mas ninguém se aproxima para criar uma jogada mais trabalhada. Todos atacam a área esperando o cruzamento. O desgaste vem e a cabeça não pensa, busca estratégias mais simples, mas também mais fáceis de serem neutralizadas pelo adversário. Botafogo com todos os seus atletas em um pequeno espaço de campo. Compacto e intenso para marcar!

Com os resultados e o rendimento irregular dos últimos jogos, resta ao Flamengo tentar garantir uma vaga direta na Libertadores de 2017. Falar em título neste momento soa desonesto e irresponsável. Que a diretoria do clube saiba identificar exatamente os porquês desta queda de rendimento na reta final. Eles passam muito longe de uma troca no comando técnico. Zé Ricardo faz o melhor trabalho tático do Flamengo desta década

Já o Botafogo festeja um final de ano feliz e muito acima das expectativas iniciais. Comemora também o descobrimento de um técnico de muito potencial e um possível crescimento nas receitas com a iminente participação na Libertadores de 2017.



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