17 de novembro de 2016

São Paulo joga (bem) ao estilo Ricardo Gomes, mas empata com o Grêmio

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Domínio não significa bola na rede e tampouco o resultado ao final da partida. Te aproxima, mas para por aí. São Paulo e Grêmio empataram por 1-1 no Morumbi e tivemos mais um bom exemplo de como o futebol é eficiência. Gremistas jogaram mal, mas fizeram um gol na única oportunidade que tiveram, paulistas dominaram com ampla superioridade na primeira etapa, mas economizaram nos gols. Ao fim, tudo igual ali no placar.


O São Paulo de Ricardo Gomes faz um campeonato extremamente instável e comprovou isso dentro do próprio jogo. Primeiro tempo quase perfeito e praticamente nada na segunda parte do jogo. Postado em um 4-2-3-1 reativo, os paulistas tiveram na pressão coordenada o seu trunfo. Com muita intensidade, puderam atrapalhar o rival e jogar a parte disso, nos contragolpes com seu quarteto de ataque bastante móvel. A estratégia foi facilitada pelo gol do argentino Andrés Chávez no início da partida.


O Grêmio no mesmo 4-2-3-1 e até então neutro em relação à postura (de reagir ou propor) foi engolido pela intensidade são-paulina. Maicon e Walace eram pressionados a todo momento e a equipe recorria muito às ligações diretas. Sem um centroavante de referência, pouquíssimas vezes a estratégia teve êxito.

A ressaltar o papel do peruano Christian Cueva: fez de tudo um pouco. Foi ativo nos contra-ataques, buscou a bola nos momentos em que o São Paulo buscou ter a bola, pressionou e incomodou muito sem o domínio da pelota. O peruano com toda a certeza adentra 2017 com status de dono do time. E justamente.


O São Paulo teve inúmeras dificuldades na saída de bola (até por isso Cueva recuava para ajudar). João Schmidt era o responsável por ligar a defesa ao ataque, enquanto Thiago Mendes dava opção de passe na frente. Fica nítido na imagem acima a diferença de ''função'' entre os dois volantes do São Paulo, que optou muito pela ligação direta.


Ramiro centralizando (na imagem está, inclusive, do lado oposto ao seu habitual). Movimento que Giuliano fazia muito. Luan, destacado em laranja, na ponta, abrindo espaço como falso nove. 
 Além da boa partida do adversário, o Grêmio contou com sua própria incompetência na primeira etapa. Luan fez o papel de falso nove, mas a falta de fluidez do time tornou isso um problema. Nunca houve alguém para receber entre os zagueiros e fazer pivô ou segurar a bola. O Grêmio não funcionou na primeira etapa. Até porque foi forçado a não funcionar. Mas quando pôde, não conseguiu exercer seu estilo de jogo. Foi mal e atuação (junto com a do jogo vs. Sport) preocupa para as finais da Copa do Brasil, contra o Atlético Mineiro.

^São Paulo marcando coordenadamente a saída de bola gremista, diminuindo os espaços e ''isolando'' os jogadores para pressionar e recuperar. 
Quando recuperava, saia em velocidade com seus atacantes velozes e condutores. Principalmente Cueva.
A primeira etapa teve dono. E a segunda começou do mesmo modo, mas um lance (belo lance, diga-se) isolado fez com que Ramiro empatasse a partida. Passe vertical perfeito de Douglas e finalização precisa do polivalente meia gremista, cada vez mais consolidado na função. O Grêmio, que jogava pouco e criava menos ainda, tirou um coelho da cartola. O empate atingiu em cheio o emocional do São Paulo e a igualdade no placar tirou toda a pressão de propor o jogo do Grêmio. A partir daí, gremistas foram superiores, mas não chegaram perto de ter o controle que o São Paulo obteve no primeiro tempo.

São Paulo foi perfeito ao dominar a partida sem a posse, mas como o futebol é futebol, ficou com um amargo empate em casa. A eficiência que faltou de um lado, esteve presente no outro. E enquanto esse esporte se decidir por bolas dentro da rede adversária, coisas assim acontecerão. O melhor nem sempre vence e jogar bem não lhe garante a vitória. O São Paulo foi a vítima da vez.

@_nicolasmuller






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Edited by Douglas Menezes