3 de novembro de 2016

Grêmio impede profundidade ofensiva cruzeirense e volta a disputar um grande título

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Jogando com a vantagem de dois gols obtida em Belo Horizonte, o Grêmio fez uma partida sólida diante de um intenso Cruzeiro e conseguiu a vaga na final da Copa do Brasil de 2016 contra o Atlético/MG. O Imortal volta a uma final importante fora do âmbito estadual após nove anos da decisão da Libertadores. A chave para obter a vaga foi a ótima marcação que evitou que o Cruzeiro tivesse profundidade em sua produção ofensiva.  O empate sem gols acabou refletindo um duelo sem muitas chances criadas.
Kannemann desarma Willian, cena constante na partida. Linha de defesa do Grêmio foi muito bem. Foto: Grêmio FBPA

Tentando surpreender, Mano Menezes alterou um pouco sua escalação inicial. O esquema 4-2-3-1 foi mantido, mas com Lucas Romero atuando na lateral-direita, Ariel Cabral no meio, Alisson pela esquerda e Willian na referência. A ideia era ter uma equipe com mais mobilidade e iludir o sistema defensivo gremista.
Disposição Inicial das equipes

Renato Gaúcho repetiu a mesma escalação da vitória por 2x0 no Mineirão. O funcionamento da equipe também foi bem parecido. 4-2-3-1 com Luan como ‘’falso 9’’. O talentoso jogador merece menção especial pela qualidade com que desempenha a função. Talvez seja o melhor homem para este cargo no futebol brasileiro. Sabe muito bem a hora de ‘’desgarrar’’ da última linha e abrir espaços para infiltrações dos companheiros.
Nesta imagem, vemos as trocas de posições geradas a partir da movimentação de Luan(em amarelo)

A iniciativa do jogo acabou sendo do Cruzeiro, mas isso não quer dizer que o Grêmio tenha jogado na famigerada retranca. Marcou sim mais atrás, com muita intensidade por sinal. Quando recuperava a posse, porém, buscava um jogo de construção curta, aproximação e constantes apoios ao portador da bola. Do outro lado havia uma equipe que igualava a pegada na marcação e também dificultava as coisas.
Marcação do Grêmio em bloco baixo em determinado momento do primeiro tempo. Time se posiciona, mas persegue individualmente por um curto espaço.

A partida seguiu equilibrada até a metade da primeira etapa. A partir daí o Cruzeiro entendeu que não deveria insistir nas bolas enfiadas, algo que vinha ocorrendo até o momento e sendo bem neutralizado pelo tricolor. Passou a ter mais paciência na circulação, apoiada sempre numa boa saída de trás. Foi empurrando o Grêmio e assustou com chutes de fora da área.
E aqui os detalhes da movimentação ofensiva cruzeirense. Robinho(vermelho) saía da ponta pro meio. Arrascaeta(amarelo) encostava nos dois lados do campo. Alisson(azul) repetia o movimento de Robinho e Willian(laranja) saía da referência para a esquerda em diversos momentos. Não deu certo no terço final. Faltou profundidade.

Faltou aos mineiros adiantar um pouco mais a marcação. O time era compacto, mas Arrascaeta e Willian pecavam em alguns momentos no posicionamento e davam liberdade para Walace e Maicon saírem jogando. Na segunda etapa o jogo ficou um pouco mais aberto e a feição para o Grêmio, que foi mais perigoso.

Pedro Rocha perdeu grande chance em contra-ataque, Ramiro e Geromel também assustaram. Mano tentou deixar a equipe celeste mais ofensiva. Colocou Sobis e Ábilla em campo, o time ficou mais insinuante, mas não foi páreo para a atenta e aplicada linha defensiva gremista.
Saída de bola do Cruzeiro sempre apoiada e com aproximação. Neste frame, é Robinho que se aproxima dos zagueiros. Ele tem três opções de passe bem claras. Circulados em laranja, volantes compensam movimentação do meia, dão opção mais à frente.

Do desanimo total com a saída do ótimo Roger Machado à final da Copa do Brasil. O Grêmio tinha um Renato Portaluppi desacreditado assumindo o comando de uma equipe sem confiança, mas vai conseguindo frustrar as previsões negativas com bom desempenho e resultados. Se os conceitos não são tão modernos, a execução do modelo de jogo vem sendo feita na base de muita entrega. A história pode coroar essa equipe com um título esperado pela torcida há 15 anos.

No lado cruzeirense, Mano tem uma equipe em formação. Possui alguns conceitos bem executados, outros nem tanto, mas é um trabalho que merece continuidade e ser observado com atenção para 2017.


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Edited by Douglas Menezes