7 de novembro de 2016

Grandes talentos, mas um time ainda sem cara! Saiba como a Argentina joga

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Dia 15 de junho de 2016, Tite é confirmado como técnico da seleção brasileira. Primeiro dia de agosto, Edgardo Bauza anuncia que deixará o São Paulo para assumir o comando da seleção argentina. Os 45 dias poderiam supor um tempo determinante para explicar a diferença de rendimento entre Brasil e Argentina sob os comandos de Tite e Patón, mas não é bem por aí. Como de praxe no Linha Alta, nós dissecamos a Argentina, próximo adversário do Brasil nas Eliminatórias. Conheça nos parágrafos abaixo os detalhes da equipe de Messi e companhia, um time ainda sem conceitos claros de jogo.
Mascherano trava Lucas Lima no empate do primeiro turno em Buenos Aires. Foto:AFA

Citar a qualidade técnica da seleção argentina é ``chover no molhado``. Elencando os atletas convocados para esta partida, nossos arquirrivais têm Lionel Messi, Sergio Agüero, Angel Di Maria e Javier Mascherano, só para citar a ``primeira prateleira``. A questão é como fazer para potencializar coletivamente todos esses atletas bem acima da média. São poucos jogos, apenas quatro, mas Bauza sofre com a inegável comparação com o trabalho de Tite no Brasil. Com as mesmas quatro partidas, o time canarinho conseguiu resultado e rendimento.

Comandada por Edgardo Bauza, a Argentina venceu o Uruguai e perdeu para o Paraguai em casa. Já com o mando do adversário, empatou com as seleções de Peru e Venezuela. Em todas as partidas o time oscilou bastante e demonstrou escassez de repetição de padrões, o que dificulta a evolução, mas é bem natural diante de todo o contexto. Contou também com o desfalque de Lionel Messi em três dos quatro jogos. A situação atual é delicada. A Argentina está em sexto na classificação com 16 pontos, fora até da zona da repescagem.

O comandante
Paton tem a carreira muito vitoriosa e quer repetir isso na seleção argentina 

Edgardo Bauza é um velho conhecido da  torcida brasileira. Primeiro por ter treinado a LDU de Quito, campeã da Libertadores de 2008 em cima do Fluminense em pleno Maracanã, segundo por ter ganho novamente o torneio continental com o San Lorenzo em 2014, e terceiro por ter treinado o São Paulo no primeiro semestre e alcançado a semifinal da Libertadores. O argentino iniciou sua carreira de treinador no final da década de 90, no Rosario Central, clube em que se notabilizou também como atleta. Tem 10 títulos na currículo.

O time

Bauza vem montando a Argentina em um 4-2-3-1, como faz sempre com a maioria de suas equipes. Mas há uma probabilidade forte de montar um 4-4-2 com linhas mais bem definidas para este jogo. Gosta de utilizar um jogador com características mais próximas a um atacante na função central da linha de meias. Neste caso, Messi ou Aguero. Para o jogo contra o Brasil tem o desfalque do lateral-esquerdo titular Marco Rojo, além de Pablo Dybala e Nico Gaitán, que disputariam posição. Enzo Perez voltou a ser convocado e deve ganhar uma chance. Na lateral, Emmanuel Más e Mercado são as opções mais prováveis para substituir Rojo.
Provável Argentina que começará jogando contra o Brasil

A tendência é que volte a utilizar Lucas Biglia ao lado de Mascherano à frente da zaga.  No comando do ataque, Higuain e Aguero duelam pelo posto no 11 inicial.

Fase Ofensiva

Mesmo que tenha dificuldades para repetir os padrões, foi possível observar que a seleção argentina busca sempre uma saída mais curta e aproximada para construir suas jogadas. Mascherano é o ponto chave no princípio da transição. É ele quem se infiltra ou se aproxima dos zagueiros, que abrem ao lado da grande área para receber o passe do goleiro Sergio Romero. O outro volante, geralmente Lucas Biglia se aproxima já num segundo momento e a saída é feita quase sempre pela região central.
Mascherano(circulado em vermelho) se aproxima da dupla de zaga(em amarelo). Perceba no alto da imagem, Lucas Biglia(em azul) já buscando a aproximação e o lateral-esquerdo(em branco) também
Aqui um novo exemplo do que está citado acima, mas já com os laterais bem projetados


Os laterais se projetam e os extremos buscam a faixa central para fazer companhia a Messi e se oferecer como opções de passe(veja animação acima) . O problema é a frequência com que isso é feito. Nem sempre os movimentos são bem coordenados ou repetidos e não é incomum ver a equipe com pouca profundidade, já que o centroavante, percebendo a dificuldade para que a bola chegue até o terço final também busca a aproximação.
Meias em amarelo por dentro, laterais(em branco) bem projetados. Mascherano(em vermelho) ainda próximo dos zagueiros
Aqui um flagra de um momento de profundidade nula da Argentina.

Também é possível perceber com certa frequência a divisão do time em dois blocos. Isto ocorre quando o trio de meias não se aproxima da primeira linha de criação e o adversário marca em bloco um pouco mais avançado utilizando bastante pressão na abordagem para diminuir espaços. O Paraguai e o Peru fizeram isso muito bem. Quando se depara com esta situação, a opção quase sempre é a bola longa. Até por isso é provável que Higuain comece jogando, já que o Brasil provavelmente vai adiantar seu posicionamento.
Volantes(em amarelo) entrincheirados pela marcação do Paraguai. Repare no retângulo vermelho, ninguém se aproxima para dar continuidade. Aí gera o erro de passe ou a ligação direta sem critério

Os zagueiros argentinos têm bom nível na abordagem de marcação e noção correta de posicionamento, mas pecam muito ao precisarem de um passe mais elaborado para sair jogando. Quando veem suas opções mais comuns bloqueadas, costumam errar nas escolhas e oferecer contra-ataques.

Quando consegue instalar-se com a posse no campo adversário há uma variação interessante. Existe sempre a preocupação em ``espaçar`` a defesa adversária, seja com o extremo ou lateral ao lado oposto da jogada bem aberto. A preparação final para a finalização é quase sempre feita na região central e baseada na aproximação dos talentosos atletas de frente, principalmente Messi.

Os laterais se projetam bastante já neste último estágio. E há uma opção utilizada contra equipes que buscam congestionar o meio: lançamentos de média distância tentando encontrar os laterais nas costas da defesa oponente. Messi e Mascherano são os responsáveis por esses passes. Como os extremos abrem o corredor, os laterais têm espaço para passar.

Em transição ofensiva a partir da metade do campo, a Argentina aposta muito na individualidade de seus atletas. Messi ou Di Maria são procurados e carregam a bola em velocidade, enquanto os demais buscam ser alvos de passe em profundidade. Qualquer erro que ofereça este tipo de jogada pode ser fatal.

Fase Defensiva

Como de costume nos times de Paton Bauza, a Argentina marca por encaixes e persegue por um curto espaço. Um problema de posicionamento, porém, afeta demais o funcionamento deste quesito. Em todas as quatro partidas a albiceleste apresentou falha na recomposição dos meias que atuam pelos lados do campo. Eles não se posicionam na linha dos volantes e geram espaços  que desequilibram o sistema defensivo.
Time no 4-2-3-1. Extremos deixam muito espaço às suas costas

Os laterais acabam saindo demais para caçar os adversários e espaços aparecem, principalmente quando o extremo adversário tem como característica se infiltrar na faixa central do campo, ou quando o centroavante oponente busca movimentações em diagonal no espaço entre zagueiros e laterais. O Brasil tem isso com Phillippe Coutinho e também com Neymar no primeiro caso, além de Gabriel Jesus e Firmino no segundo caso. Bauza parece ter detectado isso e em entrevistas chegou a dizer que a Argentina atuará pela primeira vez sob seu comando com linhas de quatro mais bem definidas. É aguardar para ver! A postura na marcação por parte dos Hermanos também varia muito. Contra Peru e Uruguai foram intensos. Contra Venezuela e Paraguai apáticos e permissivos.
Veja o exemplo  do que foi citado no texto
Cena rara na Argentina de Bauza até aqui: time subindo a marcação de forma organizada

A transição defensiva é mais um princípio irregular na seleção argentina. Em alguns jogos funciona muito bem o conceito de pressionar logo após a perda. Contra o Uruguai e contra o Peru foi um ponto positivo. Nota-se que a execução deste conceito é bem feita quando a equipe coloca em prática o jogo de posse e aproximação no campo do adversário. Logo, há mais atletas próximos da bola, prontos para recuperá-la e fechar linhas de passe. Di Maria e Messi se destacam neste ponto.
Aqui um momento de rápida reação contra o Uruguai logo após a perda da posse de bola
E aqui um exemplo de transição defensiva mal feita. Lance gerou o gol do Paraguai

Bolas Paradas

Na bola aérea ofensiva, foram dois gols nos últimos quatro jogos. A batida é quase sempre feita no primeiro pau, uma bola em velocidade, buscando a penetração de um dos zagueiros. São sempre cinco atletas atacando a área e pelo menos dois no rebote. Mais uma vez Messi e Di Maria desequilibram neste tipo de jogada.

Defensivamente, o modelo de marcação é individual nos escanteios e zonal nas faltas laterais. No segundo caso, forma-se uma linha de seis atletas numa região do campo em que se busca o afastamento dos adversários da meta argentina. O número é baixo se comparado com outras equipes que executam este tipo de marcação ao redor do mundo. No caso de escanteios, além dos cinco encarregados das marcações individuais, há os dois atletas de praxe no primeiro pau, um colado na trave e o outro no bico da pequena área.



Destaque Tático
Foto: AFA

Poderia ser Messi ou Di Maria, mas num momento de ajustes, principalmente na construção ofensiva da albiceleste, Javier Mascherano vem sendo importante. Ele é o responsável por encostar na dupla de zaga e tirar a bola do campo defensivo com uma passe de qualidade e inteligente. Evoluiu muito neste aspecto depois que foi jogar no Barcelona e segue entregando a mesma qualidade quando o assunto é desarmar. ``El Jefecito`` não tem a mesma qualidade de Fernando Redondo, por exemplo, mas pode desempenhar a função com extrema eficácia no time de Bauza.


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Edited by Douglas Menezes