6 de novembro de 2016

Cittadini sai do banco pra virar herói e novo vice-líder Santos prova a importância de insistir nos conceitos de jogo

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O Campeonato Brasileiro tem um novo vice-líder! Com um bom futebol na segunda metade da etapa complementar, o Santos venceu a Ponte Preta de virada por 2x1, na manhã deste domingo, em Campinas, e ultrapassou o Flamengo. O Peixe tem agora 64 pontos, um a mais que o time carioca e três atrás do Palmeiras, que joga nesta tarde contra o Internacional. A vitória mostrou a qualidade do trabalho de Dorival Junior, que não só colocou em campo Léo Cittadini, grande destaque do jogo, mas demonstrou como é importante ter conceitos de jogo e executá-los, mesmo diante dos piores empecilhos. Ricardo Oliveira e Copete marcaram para os vencedores. William Pottker fez para a Macaca.
Léo Cittadini(circulado em amarelo) aproveita falhas de posicionamento de Douglas Grolli e Abuda, circulados em vermelho, recebe em profundidade de Copete, aproveitando espaço(retângulo vermelho) gerado no meio da defesa da Ponte. Lance originou o primeiro gol

Em campo duas equipes com propostas claras. O Santos que busca propor a partir de um jogo de aproximação, troca de posições na linha de meias, volantes ativos na saída de bola e laterais que se transformam em armadores muitas vezes pela faixa central. Já a Ponte, forte no jogo reativo. Um time que bloqueia a construção ofensiva adversária e sai em velocidade. Sem Lucas Lima, Dorival escalou Vitor Bueno. Ele e Jean Motta alternaram bastante o posicionamento.
Disposição inicial das equipes

O time visitante começou melhor. Conseguia vencer a boa marcação campineira tentando imprimir velocidade na sua troca de bola e encontrando os meias através de passes que ‘’quebravam’’ a primeira linha de bloqueio da Ponte. A rápida recomposição da Macaca e a agressividade na abordagem de marcação, porém, impediam espaços no terço final. E o Santos não criou chances claras até ser vazado.

A equipe da casa demorou a se soltar. Até os 19 minutos fazia um jogo muito burocrático com a bola. A partir do momento que seus atletas passaram a mexer-se mais no campo ofensivo, deixando o posicionamento inicial, impôs dificuldades ao Santos e chegou ao gol. Wendel se infiltrou e recebeu belo passe Rhayner. Estabanado no lance, David Braz cometeu pênalti no meio-campista. Pottker bateu e fez.
Wendel(circulado em vermelho) se projeta no espaço entre Victor Ferraz e David Braz. Na sequência ele receberia em profundidade de Rhayner e sofreria o pênalti convertido por Pottker

O gol demonstra como o Peixe falhou no aspecto defensivo no primeiro tempo. Tanto na coordenação para evitar espaços em sua marcação feita por zona, quanto na abordagem, dando muita liberdade ao portador da bola adversário. Com a vantagem, o time de Campinas se soltou e poderia até ter ampliado. Maycon e Pottker perderam boas chances.
Veja como o atleta da Ponte tinha liberdade em algumas jogadas contra o Santos na primeira etapa. Nino Paraíba arranca e ninguém diminui o espaço dele

O Santos mantinha as dificuldades iniciais, mas também convivia com mais apatia na movimentação da saída de bola e passou a buscar muitos passes longos sem critério. As chances criadas vieram nas raras transições ofensivas em velocidade que a Ponte Preta oferecia. Copete finalizou mal uma delas e David Braz também.
4-1-4-1 da Ponte posicionado e negando espaços ao Santos. Muita compactação e pressão no portador da bola em grande parte do jogo

A segunda etapa começou com o Santos tendo mais posse de bola e a Ponte Preta marcando mais atrás. A velocidade santista para trocar passes não era a ideal, o que facilitava o bloqueio pontepretano. No intervalo Dorival fez uma alteração que mostra muito como ele enxerga o futebol, buscando sempre a ofensividade e qualidade técnica para construir jogadas. Sacou Noguera e colocou Yuri, um volante improvisado na zaga, mas dono de ótimo passe, tudo o que a equipe precisava no primeiro momento da fase ofensiva.

Eduardo Baptista colocou Abuda no lugar de João Vitor, alteração que piorou a qualidade da ocupação no meio da Macaca. O titular sabe ler melhor os espaços que precisa transitar e cobrir. A partir da entrada de Léo Cittadini na vaga de Vitor Bueno, o Santos conseguiu, através de uma movimentação mais intensa, encontrar os espaços que começavam a aparecer. O jovem meia recebeu de Copete, invadiu a área e chutou para a defesa de Aranha, Ricardo Oliveira pegou o rebote e marcou o seu 18º gol na temporada.

Com o empate, a equipe alvinegra teve um considerável ganho anímico e provocou efeito inverso no adversário. O resultado foi uma pressão intensa até os minutos finais, quando Léo Cittadini recebeu em profundidade e serviu Copete. O colombiano só teve o trabalho de empurrar para o gol vazio. A jogada do tento prova que, mesmo sob pressão e situações adversas, é importante executar os princípios de jogo treinados. Antes de encontrar o espaço, o Santos trabalhou pacientemente a bola e movimentou-se corretamente.
Aqui a imagem que mostra a origem do gol. Reparem como o Santos tem até opções de cruzamento na área, mas o modelo de jogo é de uma equipe que bota no chão e busca construir de outra forma. Manteve esta premissa mesmo nos minutos finais e precisando marcar. Foi coroado! Vitor Bueno(circulado em vermelho) se projeta já sabendo que Renato poderia executar o passe em profundidade

O resultado coloca pressão no Palmeiras e abre uma nova possibilidade a quatro rodadas do fim do Campeonato Brasileiro. O Peixe ganha novo ânimo e colhe os frutos de uma das mais importantes premissas do futebol moderno. A Macaca perde fôlego no fim da competição exatamente por repetir a oscilação que a marcou em outras partidas.


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Edited by Douglas Menezes