2 de novembro de 2016

A infelicidade do acaso definiu o duelo de ida entre Cerro Porteño e Atlético Nacional

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Abrindo as semifinais da Copa Sul-Americana, Cerro Porteño e Atlético Nacional fizeram um jogo truncado, sem as duas equipes conseguindo desenvolver seu melhor futebol. O jogo teve cada clube dominando um tempo, porém nenhuma das equipes soube transformar em efetividade os volumes que apresentaram, pagando caro, coincidentemente, nos finais de ambos os períodos. O empate por 1 x 1 deixa o confronto completamente aberto para o segundo jogo na Colômbia.

O time comandado por Gustavo Florentin posicionou-se em um 4-3-2-1, com a proposta de um futebol reativo, com marcação em linha média para não ceder espaços vitais às costas da zaga para os insinuantes extremos do Atlético Nacional e buscando acionar Cecilio Domínguez na ponta esquerda para criar ofensivamente. Por sua vez, o time de Reinaldo Rueda tentou ser fiel ao seu estilo de posse e rápida circulação de bola a partir de associações, sempre partindo de um 4-3-3.


Na primeira etapa, o Nacional teve a posse de bola e procurou construir a partir de passes curtos no setor médio-defensivo. Neste sub-momento, Arias era o centro do jogo, sempre com opções de retorno com os zagueiros, horizontais para aproveitar as projeções dos laterais e à frente com os interiores Mac Torres e Guerra, garantindo a circulação e a saída tranquila para o campo ofensivo. Arias era pouco pressionado por Velásquez, permitindo-o tomar boas decisões para a fluidez das jogadas.

O Cerro Porteño, por sua vez, tinha a intenção de bloquear as constantes subidas dos laterais Uribe e Díaz. Domínguez posicionava-se às costas do lateral-direito para segurá-lo e buscar o duelo individual. Colman cercava Díaz, também limitando suas ações ofensivas de apoio lateral. Essa postura, quando bem executada, permitia aos dois interiores paraguaios subirem a marcação em torno dos meias colombianos, forçando os zagueiros a jogarem de forma longa em diagonal a um dos extremos ou para Borja reter e temporizar o jogo.



Quando conseguiam ultrapassar a linha de meio-campo, os colombianos esbarravam na forte marcação paraguaia. Para acelerar o jogo, procuravam associar um dos meias com o extremo e o lateral do lado da bola para obterem superioridade numérica e desmontar os encaixes individuais do Cerro. A outra alternativa era utilizar as paredes de Borja para a infiltração em diagonal dos extremos, sendo acionados a partir de passes agudos de Guerra e Macnelly Torres.

Entretanto, o conjunto de Rueda não produziu como nos jogos anteriores, muito pela boa participação de Domínguez e Colman ao reterem os avanços dos alas adversários pelo simples fato de posicionarem-se às suas costas. Com menos gente no ataque e a amplitude tendo que ser gerada pelos extremos, o espaço entrelinhas não foi densamente povoado, uma das grandes armas do Atlético Nacional. A aceleração foi vista em momentos específicos, pois sem os laterais constantemente em campo ofensivo, o time era obrigado a temporizar mais as jogadas, possibilitando os encaixes adversários.


Após o gol de pênalti no último lance do primeiro tempo, o Cerro contou com a infantil expulsão de Borja no início da etapa complementar para avançar linhas e ganhar terreno. Animicamente mais forte que o adversário naquele momento. a equipe paraguaia cresceu com as entradas de Beltrán e Estigarribia. O primeiro entrou para aumentar a profundidade ofensiva, segurar os zagueiros cada vez mais próximo à área, fazer paredes com Velásquez e ganhar duelos aéreos. Estigarribia entrou no lado esquerdo do ataque para buscar a linha de fundo em duelos individuais ou jogar na entrelinha no mesoespaço.

Isso fez com que Domínguez passasse ao lado direito para duelar com Díaz em busca da linha de fundo para centralizar em busca dos dois centroavantes. O volume cresceu a partir disso, com o Atlético baixando as linhas e cedendo espaços aos atacantes. Os de Rueda formaram um 4-4-1, mas não foram coesos por não saberem lidar com esse tipo de situação, não basculando corretamente ao redor da bola e com zonas de passe próximas sendo geradas com facilidade.

O nervosismo dos colombianos também contribuiu para tal. No entanto, igualmente ao Atlético no primeiro tempo, o Cerro Porteño não soube transformar sua superioridade anímica, numérica e posicional em gols. O clube mantinha seus laterais atrelados à defesa, atacando com seis jogadores. Não saber materializar as chances contra a melhor equipe do continente é fatal. Fato que foi provado ao final do jogo, com um gol contra de Álvaro Pereira decretando o empate.


Fica a lição para ambas equipes. No futebol atual, é preciso ser eficaz, principalmente nas fases agudas das competições. Ter volume não significa nada se não souberem ter alternativas à marcação do adversário. Cerro e Nacional pagaram por acharem que a mínima vantagem seria boa para ambos quando dominaram o terreno e por não serem mais arriscados com a posse de bola. O receio, talvez por ainda ser o jogo de ida, deixou o espetáculo um pouco aquém do esperado, tendo o comodismo de ambos não servindo para muita coisa ao final do duelo.

O confronto da volta promete reservar mais emoções pelo fato de os dois times precisarem atacar para conquistarem os objetivos. Nenhum dos dois renunciará ao seu modelo, contudo, precisarão de maior imprevisibilidade para destronarem as defesas. Houve punição na ida pelo futebol morno apresentado, mas se continuarem assim, a punição será maior para um, sendo decidida pela infelicidade do acaso que, volta e meia, aparece em jogos de mata-mata.

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Edited by Douglas Menezes