14 de outubro de 2016

Vamos falar de futebol? Os detalhes de mais um Fla-Flu inesquecível

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Não! Não se trata de desconsiderar toda a lambança proporcionada pela postura de Sandro Meira Ricci e do auxiliar Emerson Augusto de Carvalho. Por mais que o gol tenha sido enfim bem anulado. Tudo o que envolveu o lance mancha a partida e consequentemente o futebol brasileiro, mas aqui no LINHA ALTA temos como premissa explicar como o jogo aconteceu e o que foi determinante no campo e bola para o resultado. Independente do tumulto, o Flamengo venceu um jogo em que foi dominado pelo Fluminense a maior parte do tempo, mas mostrou um oportunismo que poucas vezes foi realidade na competição, algo determinante para a vitória.
Fernandinho comemora o gol que deixa o Flamengo novamente a um ponto do líder Palmeiras. Foto: Gilvan de Souza/CRF

Desde que Zé Ricardo assumiu o comando do agora vice-líder com apenas um ponto de distância para o Palmeiras, o Flamengo mostrou em diversas partidas um futebol dominante. Posse de bola no campo do adversário, mescla entre velocidade e paciência na construção das jogadas, bolas diretas com critérios bem estabelecidos e compactação defensiva para organizar-se atrás. Na maioria das vezes, porém, faltou finalizar melhor, aproveitar as chances. O time perdeu pontos preciosos no caminho em virtude disso, mas na vitória por 2x1 no clássico mais charmoso do Brasil a ordem dos fatores se inverteu. O Rubro-Negro aproveitou as únicas chances que teve.

O time da Gávea foi a campo com Fernandinho e Alan Patrick nas vagas de Gabriel e Éverton. Zé Ricardo os inverteu de lado de forma proposital para ter mais aproximação com Diego na faixa central. Os primeiros dez minutos do Flamengo foram muito bons. Marcação adiantada, ‘’saída de três’’ bem executada com Marcio Araújo entre os zagueiros, laterais projetados e bem abertos, Fernandinho, Diego, Alan Patrick e Willian Arão buscando os espaços entrelinhas do Fluminense. Baseando seu jogo neste cenário, o Flamengo teve 75% de posse de bola, encurralou o adversário e encontrou os espaços com paciência até chegar ao gol contra de William Matheus.
Disposição Inicial das equipes

A partir daí o jogo mudou. O Fluminense passou a colocar em prática a leveza e qualidade de seus jogadores de frente com muita movimentação e paciência para encontrar os espaços. Cícero se aproximava dos zagueiros para fazer a saída de bola, Scarpa saía da direita e circulava na faixa central, abrindo o corredor para as ultrapassagens de Wellington Silva. Do outro lado, Wellington dava amplitude e castigava Pará. Marcos Junior e Richarlison mexiam-se intensamente também. Agora quem estava encurralado era o Flamengo, e desta forma ficou até os 40 minutos da primeira etapa, quando saiu um pouco do sufoco.

Em grande parte da partida, faltou uma mudança de atitude mais rápida ao rubro-negro. Marcou muito bem, bloqueando a frente da defesa e raramente perseguindo por longos espaços os atletas tricolores. Mesmo com menos posse de bola, finalizou mais na maioria do tempo, mas era passivo com a bola. Retomava a posse e não oferecia opções de passe para progredir no campo. Com a intensidade tricolor, perdia a posse ainda em seu campo.
Nesta imagem temos um resumo do primeiro tempo e, ao mesmo tempo, um dos raros momentos em que o Flamengo errou o posicionamento defensivo. Richarlison(círculo vermelho) sai da referência, Wellington(círculo amarelo) entra em diagonal, Scarpa(círculo laranja) se desloca para o meio e abre passagem para Wellington Silva(círculo azul). Marcos Junior(círculo preto) se posiciona entre as linhas e Cícero tem a bola. Pelo lado rubro-negro, neste momento, Jorge erra, sai da linha de quatro para acompanhar Scarpa e Fernandinho persegue Wellington Silva. Foi assim que o Fluminense criou sua melhor chance na primeira etapa. Este tipo de erro não foi uma constante do time da Gávea.

Na segunda etapa, o gol de Marcos Junior logo no início fez justiça ao primeiro tempo, mas o Flamengo retomou a postura inicial e não demorou a chegar ao gol em falha bisonha de Wellington Silva. Fernandinho foi cirúrgico e marcou o seu terceiro tento na competição. A intensidade tricolor baixou, mas não a vontade de vencer. O jogo ficou aberto, mas o Flamengo também demonstrava cansaço para encaixar os contra-ataques necessários. A estratégia do Fluminense passou a ser a bola alçada na área. Chegou ao empate em gol irregular e corretamente anulado, mas que gerou toda a confusão que mancha a boa partida.
Frame mostra momento em que Scarpa levanta na área e constrói o gol de empate do Fluminense

O resultado pode não fazer justiça ao que se viu de futebol dentro do campo. Talvez o empate fosse mais coerente com a história do jogo, mas quem disse que este é um esporte lógico? Ganhou a equipe que teve mais precisão e falhou menos em momentos cruciais. Perde o futebol brasileiro, com mais uma confusão criada pela falta de convicção da arbitragem na condução de suas decisões.


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Edited by Douglas Menezes