14 de outubro de 2016

Dembele é determinante para recuperação do Dortmund perante o organizado Hertha

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Ele tem apenas 19 anos, está em sua segunda temporada como profissional no futebol europeu, mas já é titular de um dos principais times do continente e viveu uma noite de protagonista nesta sexta, em partida válida pela sétima rodada do Campeonato Alemão. O jovem francês Ousmane Dembele, preservado por Thomas Tuchel hoje, saiu do banco de reservas aos 14 minutos da segunda etapa e foi o principal responsável pela melhora do Borussia Dortmund no dramático empate por 1x1 contra o vice-líder Hertha Berlin.  Com o resultado, os aurinegros não conseguem se aproximar do Bayern Munique e ainda correm o risco de ficar de fora do G-4 alemão ao fim da rodada. Já o time da capital, mantém sua campanha surpreendente e viu o seu ótimo jogo coletivo ser premiado com um ponto.
Dembele saiu do banco e foi muito importante para recolocar o Dortmund no jogo

Depois de uma experimentação tática não muito feliz na derrota diante do Bayer Leverkusen, o Borussia Dortmund foi escalado por Thomas Tuchel em uma estrutura um pouco mais próxima daquela que repetiu mais vezes nesta temporada. O problema foi a quantidade de desfalques. Dez ao todo! O que fez com o comandante alemão fosse obrigado a mandar a campo uma equipe muito jovem, apesar de bastante talentosa. A figura mais emblemática entre os titulares era Mario Gotze, que mais uma vez decepcionou individualmente.
Disposição Inicial das equipes

Os aurinegros formaram inicialmente num 4-1-4-1 com Weigl em sua função de origem, com Rode e Gotze mais à frente. O camisa 10 participava menos da iniciação das jogadas e buscava mais o espaço entrelinhas. Já Rode auxiliava Weigl no primeiro momento. Detalhe para a fixação do jovem lateral-direito Pusslack na linha de zagueiros no momento da saída de bola. Schmelzer se projetava pelo lado esquerdo e Pulisic dava amplitude pelo lado direito.
Saída de Três com Pusslack na linha dos zagueiros e Schmelzer(círculo vermelho no alto da imagem) projetado pela esquerda. No lado direito, Pulisic dando amplitude

O Hertha mais uma vez se posicionou no 4-2-3-1 estruturado pelo técnico Pal Dardái para ser reativo. A marcação se intensificava a partir da linha do meio-campo, com muita pressão ao adversário que portava a bola. Quando recuperava a posse, a ordem era verticalizar, acelerar o jogo, principalmente em cima do setor do jovem volante Merino, improvisado na zaga, e buscando o centroavante Ibisevic.

Um detalhe importante para entender como o Hertha Berlin conseguiu travar o Dortmund na primeira etapa passa pelo comportamento de Stark. O zagueiro, escalado como volante desta vez, marcou individualmente Gotze. Percebendo a estratégia, o meia-atacante buscava afastar o adversário de sua área de atuação, mas Stocker recuava e fechava a linha de meio-campo. Movimentos muito bem coordenados.
Aqui Stark acompanha Goetze até a linha defesa, mas Stocker(círculo amarelo) recua e fecha a linha de meio-campo.
Na faixa de campo original de atuação, segue a perseguição de Stark ao apagado Gotze
Neste momento, Stark já procura Gotze, mesmo o Hertha tendo acabado de perder a bola. Marcação individual, mas com movimentos coordenados do restante da equipe para não desequilibrar tanto o posicionamento.
Aqui o exemplo do espaço deixado. Neste momento, Gotze tinha se projetado na última linha defesa do Hertha e Stark acompanhado. O retângulo vermelho indica o espaço que poderia ter sido melhor aproveitado, mas nenhum atleta aurínegro se projetou nesta lacuna

O contrário ocorria do lado amarelo, Faltava mais apoio e linhas de passe na região central do campo. Ninguém buscava aproveitar o espaço gerado em alguns momentos pela saída de Stark do setor de meio-campo. A pressa para criar algo, somada a inexperiência da maioria dos jogadores do Dortmund, produziam muitos erros de passe, jogadas mal trabalhadas e contra-ataques perigosos para o time azul, que poderia ter ido para o intervalo já com a vantagem no placar. O Borussia levou perigo apenas quando conseguia encaixar rápidas transições, uma de suas marcas, e também teve êxito marcando a saída de bola do Hertha. Os visitantes não tinham vergonha alguma de buscar um passe longo e ganhar a disputa da segunda bola no meio-campo.
Pressão característica do Dortmund na saída de bola ocorreu mais uma vez. Oito jogadores pressionando no campo de ataque.

Na segunda etapa a história não mudou e o Hertha chegou merecidamente ao seu gol. Ibisevic aproveitou a morosidade da dupla de zaga e serviu Stocker com um lindo passe de calcanhar. Tuchel resolveu enfim mudar sua equipe. Colocou Kagawa e Dembele em campo. Definiu sua equipe num 4-3-3 com a dupla vinda do banco como meias pela faixa central, e manteve os talentosos Emre Mor e Pulisic pelos lados. Passou a ter um time com mais aproximação e vivo dentro de campo, aproveitando as muitas linhas de passe que começaram a surgir.
Como o Dortmund ficou na segunda etapa
Aqui a representação do posicionamento de Kagawa e Dembele(circulados em amarelo) em relação a Weigl
Após a saída de Gotze, sistema de marcação do Hertha Berlin voltou a ser de encaixes de curta perseguição. Linhas mais próximas, mas que sucumbiram diante de um Dortmund mais organizado e agressivo

Mais seguro taticamente, o Dortmund pressionou até conseguir um pênalti desperdiçado por Aubameyang aos 31 minutos. Antes disso, o artilheiro da Bundesliga já havia perdido grande chance em bola enfiada por Dembele. O jovem francês a esta altura já era o melhor em campo e passou a buscar mais profundidade. Emre Mor circulava na faixa central e deixava o flanco para o sul-coreano Park, que havia acabado de substituir Schmelzer. Com uma construção mais organizada, o francês recebeu passe e cruzou para Aubameyang empatar a partida.
Aqui a origem do lance do gol. Circulado em vermelho, Dembele se projeta, como fez em alguns lances, Emre Mor(circulado em amarelo) entra para a faixa central e Park(circulado em laranja) garante a amplitude. Borussia teve mais organização no segundo tempo.

Emre Mor e Stocker ainda seriam expulsos nos minutos finais e o Borussia quase chegou à virada. Diante do cenário inicial, o Dortmund conseguiu recuperar-se num jogo em que era inteiramente dominado. Já o Hertha sucumbiu diante de uma equipe mais organizada e talentosa na segunda etapa, mas saiu de campo com a certeza do ótimo trabalho realizado por Paul Dardái.


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Edited by Douglas Menezes