27 de outubro de 2016

O rato da mediocridade

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Guardiola é o popstar de uma era em que os treinadores foram colocados como popstars. O aprofundamento nas questões táticas fizeram isso, a globalização ajudou na proximidade com o futebol europeu que é tão visto quanto o brasileiro. A gente não discute (ou deveria discutir): 

(Foto:  Reuters / Bobby Yip)
Pep Guardiola é o melhor técnico do século XXI. Inovador, ele diz que nem tanto, já que se auto intitula como um “colador de ideias”, fez um time jogar sem nenhum zagueiro na época do Barcelona, saída com laterais por dentro, um toque de bola com perfeição, um dos pilares do jogo de posição tão difundido pelos novos treinadores e a mudança que transformou Messi no que a gente vê hoje, o maior jogador da história moderna, o falso 9. Mas ele tem defeitos, claro que tem, é humano, oras. Há vezes que a sua obsessão pela bola coloca um goleiro que sai passando como volante e perde a bola que causa um gol, tem vez que não tem o “plano B” de colocar a bola enlouquecidamente na área quando está perdendo. Mas e daí? Qual o motivo do textão? A mediocridade. Ela me faz querer escrever sobre, ela que me tira do prumo quando leio críticas ao nosso catalão workaholic.

Onde Pep Guardiola toca, a mediocridade não tem vez. Ele te faz querer ser melhor, mesmo. Mourinho quando coexistiu com ele foi à loucura, ataques pessoais, clássicos contra o Barça elevaram a rivalidade e o jogo a uma potência que eu nunca tinha visto na minha vida (eu sou bem jovem, confesso) e o fez vencedor, o Barcelona vivia um momento diferente. Chegou em uma Bundesliga, passou por cima de tudo e todos, com o Bayern sendo efetivo, e “revertendo'' a pirâmide, jogando por muitas vezes em um 2-3-5, usando DEZOITO, sim 18, saídas de bola diferentes em um período curto, duas temporadas. Pra quem trata modelos de jogo como “idiomas”, Guardiola foi uma Torre de Babel em Munique. 

Agora ele pousa em Manchester, na liga mais concorrida do mundo, que é a Premier League, com treinadores sensacionais como Pocchetino, Antonio Conte, Jürgen Klopp e sua antítese, José Mourinho, e ainda assim é ponteiro do campeonato. Ele não vence há sete jogos, coisa inimaginável pra quem conhece o trabalho dele, incluindo uma SAPATADA no Camp Nou em que o Barcelona decidiu jogar o que ainda não tinha jogado no ano. Guardiola pega um time em que não tem, mesmo com os petrodólares jorrando, a sua cara. Os laterais, por exemplo, não têm o seu toque. Não tem a paixão pela bola que Daniel Alves e Lahm tinham, por exemplo. Os pontas, com todo respeito a Sterling e Nolito, não chegam aos pés de Douglas Costa e David Villa.

No dia em que o Vanderlei Luxemburgo foi no “Bem, Amigos” da SporTV pra dar uma entrevista tresloucada e com um narcisismo exacerbado, vociferando contra toda e qualquer modernidade no futebol de hoje, Guardiola foi um dos alvos. Celso Roth, treinador do Internacional (quem diria), deu pau no catalão em entrevista a Zero Hora, dizendo que “o tal de Guardiola” nem é tão inovador assim. Por aqui a gente tem mania de abraçar a mediocridade e chutar quem nos faz diferente, mesmo perdendo. O rato da mediocridade no Brasil é grande e tem bastante bueiro pra se refestelar no esgoto. Na Europa também, pessoas já colocam os “talvez” e “e se” sobre o inicio de trabalho. Ele tem 21 títulos em sete anos, com o mesmo estilo. Sendo fiel a si e a tudo o que aprendeu com Cruyff e outros tantos, incluindo Ricardo La Volpe, o mago da tão usada “saída de três”. Tenham calma, tenham, além de tudo, paciência. Você gostando ou não do City, ele vai encantar cedo ou tarde com o estilo e a mão de Guardiola. O rato da mediocridade voltará à toca e o futebol vencerá. Que assim seja.

@Maiiron_

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