24 de outubro de 2016

O maior épico do futebol brasileiro em 2016 é do Guarani

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Empurrado pela torcida e nunca deixando de crer no improvável (impossível não existe no futebol), o Guarani conseguiu reverter a goleada de 0 x 4 sofrida para o ABC em Natal e humilhou o rival com um futebol intenso, associativo e corajoso. Executou sua estratégia de maneira perfeita, com a tranquilidade exigida em jogos decisivos e soube aproveitar a apatia adversária com o passar do tempo para impor uma sonora e histórica goleada.

Marcelo Chamusca escalou o Bugre em um 4-2-3-1 como posicionamento inicial buscando construir o jogo a partir de associações pelos lados entre lateral, extremo e meia central, com o volante do lado da bola sendo opção de retorno. O ABC veio num 4-2-3-1/4-4-2 procurando um jogo reativo baseado na velocidade de Jones Carioca pelo lado esquerdo e Erivélton pelo direito a partir de passes agudos em diagonal de Lúcio Flávio acionando os dois.


Precisando do resultado, o Guarani partiu para cima desde o início. Com um jogo muito fluido pelos lados e com subidas constantes ao mesmo tempo dos laterais, procurava abrir a defesa adversária com amplitude máxima de Lenon e Gilton triangulando com Fumagalli e Pipico ou Deivid que atacavam o espaço intralinha entre o lateral e o zagueiro. O objetivo era a finalização ou o cruzamento para Eliandro, que dava profundidade e antecipava os zagueiros nas bolas centradas em diagonal na área.

Contando também com as péssimas recomposições de Erivélton e Jones Carioca em momento defensivo, o Guarani ocupava o setor médio-ofensivo a partir dos flancos, sempre em alta velocidade para desordenar as duas linhas do ABC. A marcação homem a homem com perseguições longas dos natalenses propiciou os espaços que os campineiros precisavam para gerarem jogo na segunda fase de construção ofensiva. Sempre havia superioridade numérica pelos no meso-espaço que eram corretamente ocupados.

Outro aspecto interessante foram as constantes trocas de posições entre os atletas de ataque do Bugre. Os extremos Pipico e Deivid centralizavam, fazendo com que Fumagalli caísse pelos lados arrastando Anderson Pedra e alongando as linhas adversárias para Eliandro ocupá-las com as infiltrações em velocidade dos extremos. Os alas mantinham a amplitude para evitar que o ABC povoasse o lado da bola e criasse superioridade numérica no centro de jogo.


No momento defensivo do Guarani e ofensivo do ABC, a estratégia dos visitantes eram rapidamente acionar Jones Carioca em ataques diretos. O atacante procurava, a partir da esquerda, gerar jogo no centro procurando Caio Mancha na referência para fazer combinações diretas. Erivélton era a peça que buscava o fundo no 1 x 1 ofensivo, mas não conseguiu obter vitórias pessoais nesse tipo de lance. Os ataques eram prejudicados muito pela eficiente marcação bugrina, mas também pela pouca aproximação dos volantes Anderson Pedra e Guedes, que ficavam retrasados com uma postura muito preocupada com as possíveis transições ofensivas adversárias.

Já o Guarani formava duas linhas de quatro para bloquear as ações ofensivas. Contando com a pouca participação dos volantes, o time defendia-se sempre em superioridade numérica, o que facilitava as tarefas e permitia a saída para em contra-ataque. Como os volantes adversários não atacavam, Fumagalli e Eliandro não precisavam voltar tanto, produzindo profundidade nas transições e garantindo um passe qualificado para os extremos imediatamente após a perda. Não foi uma situação muito comum no jogo, mas muito eficiente quando ocorreu.


No segundo tempo, já com a expulsão de Jones Carioca, Marcelo Chamusca pôs Alex Santana no lugar de Evandro. A estratégia era aproveitar as características do jogador, que joga de área à área com bastante velocidade. O time ficou praticamente em um 4-2-4, com Alex cumprindo as funções de volante e aparecendo à frente para finalizar. A tentativa funcionou, pois bloqueou os contra-ataques do ABC, melhorou a reação após a perda da posse e produziu muito mais ofensivamente, com o terço final sendo completamente e inteligentemente ocupado pelos atacantes.

Qualquer tentativa de jogo do adversário era logo bloqueada e cortada. O número de dribles também aumentou, principalmente nos lados do campo. O balanço defensivo era feito com os dois zagueiros, liberando até mesmo Auremir para participar ativamente das construções ofensivas. É verdade que as basculações do ABC eram muito mal feitas, o que facilitou o trabalho dos atacantes e meias campineiros.


A tranquilidade com que o Guarani jogou, executando seu modelo praticamente à perfeição, foram o combustível para que a goleada fosse produzida. A inoperância ofensiva do ABC retraiu muito cedo os natalenses, limitados ainda mais após a expulsão de Jones Carioca.

Méritos totais ao Guarani pela belíssima exibição. Aliou técnica, tática, psicológico forte e boa condição física para praticar um grande futebol. Fumagalli foi o máximo expoente do que foi a noite no Brinco de Ouro. Com todos esses ingredientes e com a consonância da torcida, o Bugre campineiro produziu o maior épico do futebol brasileiro em 2016.

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Edited by Douglas Menezes