17 de outubro de 2016

Mourinho 'estaciona o ônibus' e clássico entre Liverpool e United acaba zerado

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O ''park the bus'' de José Mourinho ficou tão impregnado na cultura futebolística que apareceu até no Fifa. O termo é, traduzindo, estacionar o ônibus. Uma referência às retrancas intangíveis do treinador português, que faz tudo para cumprir seu objetivo na partida. Se precisar se defender como se não houvesse amanhã, Mourinho assim o fará. E foi assim no clássico inglês entre Liverpool e Manchester United de hoje. 

Coutinho foi personagem de mais um clássico em Anfield (Foto: Reuters)
Mourinho conseguiu, na medida do possível, amarrar a intensidade do Liverpool de Jürgen Klopp, que até fez uma boa partida, mas parou em David De Gea, novamente em jornada brilhante. Se defensivamente beirou a perfeição, o United pouco produziu ofensivamente. E é aí que os críticos de Mourinho tanto pisam. A equipe teve apenas 35% da posse da bola durante o jogo, o novo recorde do United na Premier League. 


O Liverpool utilizou o esquema 4-1-4-1 com Philippe Coutinho de interior. Milner novamente foi lateral pela esquerda. Os Red Devils formaram um 4-2-3-1 com Paul Pogba de enganche (por ora recuava e formava um trio de meio-campistas) bem próximo de Zlatan Ibrahimovic. 

Liverpool buscando sair jogando em saída de três e o United fechando e pressionando com Ibrahimovic e Pogba. Em laranja, Ander Herrera subindo para pressionar, o que foi rotineiro durante a partida. 
O Liverpool teve Coutinho buscando armar o jogo de trás sempre que possível. Nathaniel Clyne e James Milner, laterais, buscavam ampliar o campo com seus posicionamentos nas laterais (amplitude). Os pontas do 4-1-4-1, Mané e Firmino, centralizavam e usavam a entrelinha rival. Daniel Sturridge, referência, dando profundidade.

Em rosa, Firmino e Mané por dentro e explorando o espaço entre as linhas do Manchester United. Clyne, na ponta, abrindo o campo. 
Além de se defender, Mourinho apostou na dupla Pogba-Ibrahimovic próxima e a velocidade dos pontas Ashley Young e Marcus Rashford. Sem sucesso, porém. O Liverpool conseguiu controlar todas as investidas dos visitantes. Pogba entre as linhas foi um problema em alguns momentos (ele é um jogador que aproveita muito bem isso), mas não gerou tanto perigo.

Pogba entre as linhas rivais. 
Os Reds sofreram um pouco com a pouca efetividade do centroavante Daniel Sturridge na primeira etapa e Klopp tentou melhorar o time com a entrada de Adam Lallana. Roberto Firmino passou a ser o '9' da equipe e o nível do rendimento do time recebeu um bom upgrade. Coutinho voltou a sua posição e, na clássica jogada de corte para o meio e chute, quase abriu o placar. David De Gea salvou com uma defesa milagrosa. A pressão pós-perda (os segundos de muita pressão na bola após perder a posse) do Liverpool foi massacrante em alguns momentos do jogo. Impediu que o United respirasse. 

Cenário da segunda etapa, com Firmino como falso 9 e Coutinho de volta à ponta.
O Liverpool termina a rodada em quarto, atrás de City, Arsenal e Tottenham, mas com um rendimento interessante e perspectiva de melhora com uma tabela mais acessível nas próximas rodadas. Já o United, três pontos atrás do rival, vai conviver com boas discussões acerca da filosofia de José Mourinho, mais do que sabida por todos. 

@_nicolasmuller

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