27 de outubro de 2016

Individualidade do Galo é decisiva mais uma vez

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O primeiro jogo da semifinal da Copa do Brasil entre Internacional e Atlético/MG teve um desfecho previsível se formos considerar o histórico do time mineiro nesta temporada. Mais uma vez o Galo definiu uma partida baseado na qualidade técnica de seus jogadores. Falar em justiça no futebol é sempre complicado, mas se for levado em conta o rendimento coletivo das equipes, o time gaúcho poderia ter melhor sorte. O Colorado enfileirou chances perdidas e ainda teve pela frente um Victor inspirado no Beira-Rio. Pratto e Otero marcaram para os visitantes, e William, em ótima jornada, descontou para os donos da casa.
O lance que definiu o jogo no detalhe. Cazares tem duas opções de passe e o Galo superioridade numérica no contra-ataque. Situação obtida a partir da técnica de Cazares para limpar dois adversários da jogada com apenas um domínio

Não que o Inter tenha feito uma partida perfeita. Longe disso! Mais uma vez teve muitas dificuldades quando foi atacado. Demonstrou um sistema defensivo descompactado em diversas ocasiões, com linhas ‘’quebradas’’, fruto das perseguições individuais, mas com muita entrega de seus atletas na abordagem de marcação. Com a bola, fez um bom jogo! Apresentou muita mobilidade e agressividade, apesar de não ter finalizado bem.

Celso Roth armou sua equipe num 4-2-3-1 que muitas vezes se transformava em um 4-1-4-1, dadas as projeções de Eduardo Henrique. Poupou alguns titulares como vem fazendo na Copa do Brasil. Em grande fase, Vitinho ficou no banco e Aylon atuou na referência ofensiva. William foi escalado na meia direita e Fabinho na lateral. Na zaga, Alan Costa ganhou uma chance, assim como Géferson na lateral-esquerda.
Disposição inicial das equipes

Desde o início o Inter buscou ter a posse de bola, mas só teve calma para colocar em prática a sua boa movimentação depois dos 15 minutos iniciais. William e Alex ‘’pisaram’’ demais na faixa central, Géferson projetou-se bastante pela esquerda, assim como Eduardo Henrique pelo meio. Anderson, ligado em campo, alternou profundidade e aproximação para construir ao lado de Rodrigo Dourado, e Aylon fez bem a função de referência móvel.
Aqui o detalhe da estratégia posicional do Inter no jogo. Em amarelo, extremos William e Alex na faixa central. Em laranja, Anderson e Eduardo Henrique revezando-se entre dar profundidade e aproximação na primeira linha de criação. Em branco, Géferson projetado. Faltou mais projeção de Fabinho pela direita.

O conjunto fez com que o Colorado criasse pelo menos cinco chances claras de gol ao longo do jogo. Finalizou mal, esbarrou em Victor, e marcou o seu tento com William, cobrando pênalti aos 25 minutos da segunda etapa. Na parte final do jogo, Roth pôs Vitinho, Valdívia e Sasha em campo. Aumentou ainda mais a mobilidade, mas o time perdeu agressividade na marcação e acabou sucumbindo diante um Galo muito forte tecnicamente.
No segundo tempo, Colorado voltou com intensidade ainda maior e mais presença no último terço no campo. Em amarelo, Anderson e Eduardo Henrique, juntos, dentro da área. Em laranja, Alex e William com muita liberdade para se movimentarem

Já a equipe comandada por Marcelo Oliveira oscilou bastante ao longo da partida. Sem dúvida uma marca do Galo na temporada. O time não consegue repetir de forma satisfatória os padrões coletivos de jogo. Se o fizesse seria com sobras o melhor time do país. Como de praxe, começou o jogo de forma intensa, buscando bastante a bola vertical para Robinho e Pratto. A dupla se revezava entre buscar espaços nas costas dos volantes colorados e receber em profundidade.

Logo aos 3 minutos, Pratto cruzou, Paulão afastou e o atacante argentino foi mais esperto que Alan Costa para pegar o rebote e deixar Otero na cara do gol. Com a vantagem conseguida cedo, o Galo se retraiu. Marcou melhor do que na maioria dos jogos da temporada. Utilizou um posicionamento mais fixo e com menos perseguições individuais, apenas Carlos César, em dúvida com a movimentação de Alex, destoou neste ponto.
Aqui o Galo se defendendo. Linha de quatro no meio com poucas quebras porque perseguições individuais foram reduzidas. Apenas Carlos César destoou neste ponto.

Faltou ao Atlético mais constância nos movimentos de apoio a Robinho e Pratto. Quando conseguiu executar de forma satisfatória esse princípio, levou perigo ao gol de Danilo Fernandes, que também fez duas ótimas defesas. A saída de bola atleticana foi outro ponto irregular. Quando era apertado pelo Inter, tinha muita dificuldade para aproximar e construir jogadas. Acabava alongando o passe e ''torcendo'' pela vitória pessoal de Robinho ou Pratto.

Com as entradas de Luan, Lucas Cândido e Cazares na segunda etapa, somadas à queda na intensidade do Internacional, os mineiros conseguiram levar mais perigo na reta final do jogo. Marcelo de Lima Henrique anulou um gol legítimo marcado por Pratto. Mas o argentino teria outra chance. Cazares demonstrou toda a sua qualidade ao tirar dois atletas do Inter da jogada com apenas um domínio, serviu Luan, que cruzou na medida para o camisa 9 finalizar o belo contra-ataque.
Como as equipes terminaram o jogo

A vantagem alvinegra é grande, mas o jogo mostrou que o Inter tem meios para vencer o Atlético. Já o Galo segue com o seu modelo de jogo de pouca coletividade, mas muita qualidade individual do melhor elenco do Brasil.


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